Gus Gorman, o inventor da Internet

…ou um Estudo Sociológico Antropológio Astrológico e Ginecológico do Internet ou ainda, se tu preferir, um conto semi-ficcional da vida online.

Eu sou entusiasta da Internet desde que Gus Gorman a inventou em Superman III…mentira, desde que ví ou lí alguma notícia sobre essa maravilha do mundo moderno, ainda nos primórdios, quando só servia para trocar e-mails. Brincadeira gente eu comecei mesmo a ter vontade de brincar de Internet depois de ver aquele filme barango com a Sandra Bullock, A Rede.

Não me recordo muito bem das minhas primeiras aventuras nessa loucura, mas eram coisas bem mongolóides como ficar vendo desenhos ruins do Marc Silvestri, ou acessar o site do FBI só pela ~~~~emoção~~~~~~ ou então ficar no Parachat conversando com gringos num inglês um tanto quanto rudimentar, usando o nick de Scully (Arquivo X passava na Record galera, vai sentindo meu drama).

Mas o fato é que, apesar de muito bobo tudo isso, eu comecei a nutrir real paixão pela vida online. E acabei passando pra drogas mais fortes como chat do UOL,  onde brinquei muito de quiz no Salas Abertas por Assinantes – Perguntas e Respostas (e eu era muito boa, apesar da conexão movida a escravos tibetanos pedalando um velocípede) e o fórum de discussão sobre quadrinhos da Abril , o B@te Boca, que cresceu, ficou independente, virou um monstro desgovernado e hoje muitos de vocês devem conhecê-lo como MBB…e foi aí que a coisa ganhou outro charme. Por que não me bastava ser uma pessoa, eu queria ser todas. Eu devo ter tido uns 15 clones lá, a maioria só pra causar discórdia. Depois eles começaram a apertar o cerco nessa questão e perdeu a graça. No chat do UOL como era tudo liberado eu  já fui até um rabino. Sério. Bem zuona eu na Sala Religião kkkkk.

Caiu a internet, tô super chatiada

Nos primórdios do Orkut quando ainda precisava de convite pra entrar e podia ser preso (nunca fui, tô sempre aí na atividade driblando as autoridades da internet) eu fui meio além com essa brincs de fake, comecei fazendo um Obi-Wan Kenobi malandrão que logo virou uma web celebrity do Orkut (gente olha o que to falando). E como vocês bem sabem, com grandes poderes, vem grandes responsabilidades, e as pessoas começaram a cobrar o off do Obi (off = profile da pessoa por trás do fake),mas eu como boa foragida da PF que sou, não queria abrir meu off. Então o que a maluca aqui fez, criou um fake do meu fake. Deu um trabalhão e eu mobilizei bem umas duas dúzias de amigos meus pra deixar o profile bem verossímil. Eu tinha fotos, tinha amigos, tinha depoimentos, tinha tudo. Eu não né, o Alfredo, um jovem engenheiro civil homossexual torcedor do Palmeiras.

E foi aí que a coisa saiu meio de controle, o Alfie despertou paixões em homens e mulheres (Igor, desculpa se tu tá lendo isso, mas eu nunca fui homem, nunca fui gay e muito menos engenheiro). Porém o mais bizarro estaria por vir, no dia que eu cheguei em casa e me esperava na caixa de correspondência um exemplar do Jornal do Pedreiro editado pela Votorantin, endereçado a ele…Alfredo Alves Bonatti. Havia chegado a hora de matar o Fredolino, ele já havia ido longe de mais, onde nenhum fake jamais havia estado.

Acho que com o trauma de matar tão querida personalidade, não senti mais essa necessidade de criar fakes, personagens, sei lá.  Presumi que seria mais interessante ter um fake de mim mesma. Abri um blog, que hoje, respira por aparelhos (mas tenho dó de puxar o fio), e fiz uma conta no Twitter, não mostrava meu rosto  e pouco falava de mim, ou contava histórias tão absurdas que as pessoas ficavam na dúvida se era real ou não (a maioria era, a minha vida não é lá muito pautada pela normalitá). Com o tempo eu fui mostrando o rosto e usando a internet e principalmente, as redes sociais pra outras coisas que não balbúrdia, ainda faço, um monte, não dá pra  levar muito a sério, por que eu já tenho conta demais e problema demais pra resolver na vida real, mas eu perdi o pique do fudevouz online.

Acessem meu Fotolog onde eu posto fotos minhas estilo pin-up

Eu não sou a única a ter comportamento errático online, é provado cientificamente que todo ser humano se comporta de maneira simiesca com um computador e uma conexão. A gente evolui em círculos na rede. Ao mesmo tempo que ferramentas muito daora são criadas, a gente consegue subverter o uso delas pras coisas mais debilóides possíveis, e eu não condeno isso…Ragear com sua tia por que ela manda corrente de e-mail e PPTs de Jesus é bobagem. Elas são tias, elas assistem Ana Maria Braga e acham mesmo que o AOL vai doar R$0,05 pra cada e-mail repassado. Elas são tias, são pessoas antigas, desconhecem o funcionamento básico de muita coisa que pra gente é óbvio. Me incomoda muito mais o usuário heavy que se comporta como o dono da verdade cagador de regra dizendo o que podemos ou não fazer do que minhas tias.

A Internet é terreno livre pra todo mundo: psicóticos como eu, tias, cagadores de regra, masturbadores de ego, putinhas relaxadas e até seu pai e sua mãe vestidos para o baile dos enxutos. E sempre nos comportaremos como babuínos nesse grande zoológico.

Então relaxa, abre uma cerveja, logue no Facebook, plante morangos no Farmville, crie fakes, pesquise na Wikipedia, venda rins na deep web, pergunte se tem cam no chat do UOL, veja vídeos de gatinhos no You Tube e lembre-se a Internet baseia-se em duas coisas: porn e pedir pizza (que nem a Sandra Bullock naquele filme barango).

No mais, fiquem com esse vídeo onde vocês aprenderão a dominar o Google e todas suas vantagens. Forte abs a todos e rezem pela alma de Alfredo, que jaz em paz no céu dos fakes.

*Quantidade de twittadas por minuto no final de 2011, segundo a Forbes

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Orgulhosa portadora de um green card da República Rio Grandense, botafoguense por herança maldita, a véia louca dos gibis que odeia adaptação pra cinema, Decepticon whore, Supergirl de xicréte e rabeta da centopéia humana. Bebo mais do que deveria e ouço Wilco menos do que gostaria. Produção de áudio pra viver e ponte aérea PoA/SP no tempo livre.

8 COMENTÁRIOS

  1. Eu ri muito de tudo… mas depois fiquei meio triste porque não investi muito na minha carreira fake…

    Me divertia muito no chat do UOL encarnando todo tipo de personalidade…

    Mas aí… chegou o orkut… arrumei um emprego e…

    Eu fui pago para encarnar 4 fakes:

    Jorjão (o negro, pra preencher a cota) http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=13741604374140581067

    Anauã Mawé (o índio, idem) http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=781629347551873910

    Isabela Vital (a mulher, idem) http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=8793719212015688460

    Prof. Aurelio (cientísta, branco, macho, hetero, velho, obviamente é o líder do grupo por ser superior). http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=4176497604220606502

    (sim, eu era pago pra ficar no orkut encarnando 4 personagens estereotipados babacas que falam sobre sustentabilidade corporativista)… é isso que eu chamo de prostituição ao mercado… Entenderam agora porque eu me demiti e hoje vivo da bolsa de mestrado?

  2. Essa história de fake me lembrou uma vez que eu e um amigo criamos um fake feminino pra zuar um muleque da escola. Criamos e-mail, msn e icq (saudoso icq). A farsa foi tão longe que o muleque tava realmente interessado na “garota” e marcou encontro. No local marcado a gente apareceu e zuou o pobre coitado. Não me orgulho muito disso hoje em dia, mas na época foi engraçado.

  3. AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAAHHAHAAHAHAHAHAHAH!!

    Eu cheguei a usar BBS, aff…

    Bons tempos de Chat UOL, eu participava muito das salas de RPG como “John Constantine” ou “Tyler Durden”, cheguei a marcar blind date com gurias que conheci por lá (cada história, mas eram gurias mesmo) e varava noites para aproveitar o pulso único da conexão discada.

    • Pulso único era um clássico, faltando 10 minutos pra meia-noite já ligava o pc e ficava contando os segundos pra poder conectar. Porque se demorasse muito podia demorar a conseguir conexão devido às várias pessoas tentando acessar ao mesmo tempo. Bons tempos da internet.

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