É bem provável que em algum momento da sua vida você já deve ter parado pra pensar em alguma destas verdades, mas provavelmente achou que estava fumando muita maconha ou vendo muita TV, e logo descartou isso da sua memória. O fato é que são coisas que fazem sentido se você realmente para pra pensar, e já que estamos próximos do fim do mundo, nada mais justo que refletir e questionar nossos valores, pra ir pro céu tranquilos e com a consciência limpa.

1. Devemos respeitar os “bling bling rappers”

Philadelphia Museum of Art

Se você viveu a sua adolescência na primeira década do século XXI, sabe do que eu estou falando. Aquele tipo de Rap que contagiou o mundo antes de existir a internet banda larga. Que invadiu e dominou o Disk MTV e te impedia de assistir seu clipe preferido no primeiro lugar. Aquele tipo de Rap que só falava de dinheiro, de quantas garotas o cara tem, quantos carros, quantas casas, etc. Acredito que você também deve ter ficado puto quando o Linkin Park – que tinha uma música boa, pouco grudenta, e com letras interessantes – se associou com o Jay-Z, que até então era só mais um ostentador.

Porém, meu caro, a verdade é que nós, a classe média emergente, a “burguesia”, deve muito respeito a esses rappers. E vou dizer por quê. Até a década de 80, os Estados Unidos viviam uma grande Era Racista. Os negros viviam marginalizados, haviam escolas e universidades somente para negros. Aquilo que você assiste no “Todo Mundo Odeia o Chris” é só um simulacro caricato do que era ser negro naquela época. E o Rap, sendo a música marginalizada, expressava o que acontecia naquele momento. Falava de crimes, da vida nas ruas, da discriminação da polícia, enfim, a realidade daquela época. Se não acredita, presta atenção nesta música:

Com o tempo, algumas coisas foram mudando e, felizmente, os rappers negros conseguiram muito espaço na mídia. A guerra contra o racismo não está ganha, mas é verdade que já avançamos bastante. Sempre criticamos os caras por ficarem esfregando o dinheiro, a fama e os bens na nossa cara, mas porra, parem pra pensar: sempre fizemos isso na cara deles. É hora de eles darem o troco. Os caras alcançaram o topo, têm o mérito. São rappers negros que produzem grandes nomes da música pop internacional. Os caras conseguiram, alcançaram seu objetivo e hoje merecem mesmo o posto que têm. Sinto muito, mas essa é a verdade. E vem coisa pior por aí.

2. O Roberto Carlos está para seu avô como os Avassaladores estão pra você

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Estamos nas últimas semanas do ano, e já nos deparamos com as propagandas depressivas de fim de ano da Globo: “Hoje é um novo dia de um novo tempo que começou…” (agora essa música ficou na minha cabeça, e na sua também). Mas o pior de tudo, é o programa especial do Roberto Carlos.

Não tenho nada contra o Rei, aprecio a música e tal, mas vê-lo tocar Detalhes todo ano, vestido de azul e branco, e dizendo que são muitas emoções é um verdadeiro pé no saco. E pensar que nem sempre “o cara” foi assim…

Dizem as más línguas que o Rei perdeu a perna num acidente de carro, em sua época de ouro. Depois do acidente, ele foi, gradativamente, virando esse pau-mole que estamos acostumados a ver nos especiais. [Nota do Editor: Roberto Carlos perdeu a perna na infância quando um trem passou em cima da perna dele].

Mas beleza, até agora você não sabe a relação que o Rei das senhorinhas tem a ver com os Avassaladores. Mas eu te explico.

Ouvimos muito, mas muito, mas muito mesmo esta música. Virou meme, virou hit, serviu de trilha sonora pra filme brasileiro, ganhou até versão em sertanejo. Só não tocou no rádio ou na TV porque estas mídias ainda não veiculam músicas com o conteúdo “tão” obsceno – a palavra “foda”.

Mas agora imagine os costumes dos anos 60. Imagine um cara ousando dizer em suas músicas o quanto ele é bom, quão potente é o carro dele, quantas garotas ele conquista por onde passa.

Esse cara é o Rei! Sacou a semelhança?

Ouça essa música e compare com a letra de Sou Foda, dos Avassaladores. Repare também no estilo dele, no charme e na elegância.

Mudam as moscas, mas o doce é o mesmo…

3. O Junior deve ter sofrido mais na adolescência que você.

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É, ele mesmo que você pensou. O irmão esquecido da Sandy. Da gostosinha todo mundo lembra, já o coitado…

Você deve lembrar daquele programa dominical, estilo Malhação, que passava na Globo entre 1999 e 2002, e que contava como personagens principais a dupla, Sandy & Junior. Pra melhorar, o nome do programa era super original: Sandy & Junior.

Sandy era uma espécie de líder de turma, meiga, inteligente e conciliadora. Junior fazia seu contrapeso, sendo o lado mais descontraído da dupla“, é o que diz a definição do enredo do seriado, pela Wikipedia.

Tudo que eu me lembro é da Sandy fazendo as vezes de Lolita e dominando o imaginário masculino coletivo. Ainda hoje sonhamos em ver uma playboy da moça, e ficamos chocados quando ela fala de sexo anal.

Mas se coloque no lugar do Junior. Imagine ser o irmão da Namoradinha do Brasil. Imagine ser um astro da música desde moleque, ter fama, dinheiro e popularidade, mas ter uma irmã pitelzinho e ter que dançar de sunguinha do lado dela, enquanto ela rebola de biquini. E todo mundo acha bonito.

Você poderia ter todas as garotas que quisesse. Você é o cara de boa índole, o genro que toda sogra queria ter, É gentil, educado, divertido. Mas ao invés de ser só o cara do violão da escola, você tem que gravar um especial de fim de ano no Projac. Pra isso, você tem que fazer passos de lambada com a sua irmã. Ou pior, tem que gravar o filme do Didi, e fazer playback no aquapark do Gugu.

É comer o pão que o diabo amassou. E você aí reclamando da sua vida.

Uma piração de brinde:

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