A capa do livro promete um suspense de tirar o fôlego. A começar pelo título do livro, que mostra que tudo será resolvido em apenas 72 horas. Ao ler a chamada “Pior do que conhecer um serial killer, é um serial killer conhecer você”, achei que leria algo no estilo da série 24 Horas, com o protagonista tendo que achar rapidamente o assassino. A história começa até interessante, com o tal serial killer sequestrando a namorada do delegado Julio Fontana, com o objetivo de se vingar do cara. As páginas seguintes que mostram a crueldade do assassino são realmente tensas e dão vontade de continuar lendo. Mas a verdade é que, mesmo possuindo poucas páginas (254 no total), eu é que estava pedindo pra morrer antes de chegar na metade de 72 Horas Para Morrer.

A primeira coisa que me incomodou foi o fato do autor Ricardo Ragazzo não estabelecer em que país a história se passa. Os nomes da maioria dos personagens são brasileiros, assim como os nomes das cidades, mas os costumes, como café da manhã e sistema judiciário, são bem norte-americanos. Como se isso não bastasse, o autor chega a utilizar duas moedas diferentes, o dólar e o real. Pode parecer chatice da minha parte, mas eu espero um mínimo de coerência no livro. Claro que tudo isso seria mero detalhe e poderia ser ignorado se a história fosse realmente divertida, mas infelizmente ela é recheada de situações que não fazem sentido algum. Em certos pontos eu parava de ler apenas pra dar risada da situação bizarra que estava sendo apresentada.

Na ânsia de escrever uma história dinâmica que se passa em apenas 72 horas, Ricardo Ragazzo acaba criando várias situações a personagens que são impossíveis de acreditar. Uma das personagens mais bizarras é a filha adolescente de Julio Fontana, que se apaixona por um cara apenas com um simples olhar. E o pior, ela se apaixona por um assassino condenado e que o pai odeia. A situação acaba gerando conflitos interessantes, mas é impossível acreditar que uma filha faria as coisas que ela faz por um cara com quem ela mal trocou duas palavras. Em determinado momento, parece que o cara vai explicar para a jovem que na verdade ele foi condenado por um crime que não cometeu, mas aí vem uma das situações mais absurdas da história. Ele não apenas admite que fez tudo, como ainda conta que utilizou requintes de crueldade. E o que a adolescente maluca faz? Isso mesmo, ela fica contra o próprio pai e defende o assassino que ela conheceu há pouco mais de 12 horas.

Tentando fazer uma história que surpreendesse o leitor a cada página virada, o autor começa a jogar uma revelação bombástica atrás da outra. Além de muitas delas serem extremamente forçadas, elas param de causa impacto a partir do momento que acontecem com frequência. Além disso, o próprio autor parece meio sem saber o rumo que tomar em certos momentos. Ele joga os protagonistas pra uma casa, aí faz eles voltarem sem ter encontrado nada, pra depois voltarem na mesma casa…e por aí vai. Sem contar que em alguns trechos os personagens mudam de atitude muito rapidamente, como se o autor tivesse esquecido o que tinha planejado. Para servir de exemplo, tem uma parte na qual Julio está preso e um dos caras que o odeia começa a molhar o delegado com gasolina dizendo que ele vai morrer sofrendo. Mas na frase seguinte ele já está sacando uma arma e apontando na testa de Julio.

Na metade do livro eu já estava achando que mais nada poderia me surpreender em matéria de tosquice, mas Ricardo Ragazzo ainda tinha algumas cartas na manga. Perto do final, ele reaparece com um personagem que só tinha aparecido em poucas páginas logo no começo do livro, em mais uma tentativa de surpreender o leitor. O pior é que o tal personagem aparece contando uma história sem pé nem cabeça que não convenceria nem mesmo uma criança de cinco anos. E como desgraça pouca é bobagem, nas últimas páginas do livro (sério, nas últimas mesmo) o autor dá uma explicação muito Deus Ex Machina pra história toda. A coisa toda é tão bizarra que minha vontade era mandar logo um spoiler aqui, mas não o farei em respeito a quem um dia queira se arriscar a ler este livro. Embora eu ache que isso será uma tremenda perda de tempo.

72 Horas Para Morrer (Editora Novo Século, 2011)

Autor: Ricardo Ragazzo

Páginas: 254

Nota: 4

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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