Há exatos 53 anos, nascia Ayrton Senna, o cara que é até hoje considerado um dos maiores ídolos brasileiros de todos os tempos, mesmo 19 anos depois da sua morte. Os mais jovens muitas vezes até gostam do cara, mesmo sem entender o porque dessa idolatria. Sei que geralmente as pessoas são homenageadas em datas redondas, mas dane-se, lembrei que seria aniversário do cara e resolvi resgatar um texto que escrevi uns anos atrás falando sobre ele. É engraçado como certas coisas ficam marcadas na nossa memória. Eu tinha 10 anos de idade e ainda consigo lembrar como foi o dia da morte do Senna.

Aquele 1º de maio de 1994 parecia mais um domingo qualquer, os planos eram os de sempre, almoçar e de tarde ir para o Maracanã assistir Flamengo x Vasco com o meu pai. Mas quando acordei já percebi que as coisas estavam estranhas, meus pais estavam apreensivos em frente à TV, um dos maiores ídolos (senão o maior), tinha acabado de sofrer um terrível acidente na corrida. Como eu nunca gostei de Fórmula 1 (e ainda não gosto), não dei importância ao fato e devo ter falado algo do tipo “na próxima ele já tá de volta”. Porém, Ayrton Senna nunca voltou às pistas.

Foi aí que comecei realmente a perceber a importância desse cara, o Brasil parou. Todos os canais de TV só falavam disso. Lembro do Galvão Bueno aparecendo na televisão com os olhos inchados de tanto chorar. Mas a vida continua e, como eu disse lá em cima, nesse domingo era dia de Flamengo x Vasco. E foi lá, no Maracanã lotado que eu vi como Ayrton Senna era querido por todos. A morte dele fez com que acontecesse algo que eu julgava impossível, as torcidas de Flamengo e Vasco se uniram para cantar uma mesma música: “olê, olê, olê, olá, Senna, Senna”. Eu tinha apenas 10 anos, mas nunca esqueci disso. Foi ali que eu entendi o que realmente era ser um ídolo, o que era ser respeitado por todos. Até eu, que que não gosto de automobilismo, passei a respeitar o cara.

Os detratores do Senna gostam de dizer que ele era produto da mídia, que o Galvão Bueno falava mal de Nelson Piquet para enaltecer o amigo Ayrton. Mas se o Piquet era (e ainda é) arrogante, que culpa tinha Senna de ser mais simpático? Para os seus fãs, ele era mais do que um piloto. Ele era um verdadeiro guerreiro, um herói que conseguiu ser admirado no mundo todo. Os japoneses fizeram mangás em sua homenagem e até hoje o veneram. Mas quis o destino que ele morresse quando alcançou seu grande sonho de se tornar piloto da Willians, que era a grande equipe da época.

O ano de 1994 viu ainda o Brasil ser tetra campeão mundial, depois de 24 anos sem conquistar a taça. E, nas comemorações, lá estava Ayrton Senna sendo lembrado e homenageado, afinal, ele também buscava o tetra. Enfim, ainda me impressiona que, mesmo depois de quase 19 anos, as pessoas ainda lembrem com tristeza daquele 1º de maio e façam várias homenagens ao piloto. Outra coisa legal que eu lembro na época é que descobriram que o Senna ajudava várias entidades e mantinha um hospital infantil secretamente, sem ficar espalhando isso pra ninguém. Ele não tentava se promover com as boas ações que fazia, simplesmente ajudava porque achava que era o correto a fazer.

E o legado dele continua aí até hoje, através do Instituto Ayrton Senna, que ajuda crianças e jovens a terem oportunidades na vida. Nestes tempos em que Lucianos Hucks são considerados grandes caras por humilharem pessoas em troca de uma pequena ajuda, acho que mais do que nunca é importante lembrar do exemplo de ídolo de verdade que foi Ayrton Senna.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

1 COMENTÁRIO

  1. Grande texto, Storino.

    Vale indicar o documentário Senna, lançado não há muito tempo. É sensacional. Eu que, era muito novo na época, pude conhecer o verdadeiro mito e ídolo que ele foi através do filme.

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