[ARTE DA VITRINE]: Thiago Chaves (@chavespapel)

Não parece, mas ouvir música boa hoje em dia não é uma tarefa fácil. Nesse mundo moderno em que vivemos, com essa eterna pressa que temos em fazer cada vez mais coisas em menos tempo, acaba não sobrando tempo pra sentarmos e absorvermos uma boa musiquinha, e aí temos que nos contentar com aquelas mediocridades que ouvimos por aí (nem preciso mencionar nomes, tenho certeza que você já pensou numa bandinha medíocre que você se acostumou a ouvir de tanto que ela tocou).

Uma vez, enquanto íamos ao show do lendário Robert Plant (o vocalista do Led Zeppelin) e ouvíamos o Presence no carro, meu pai me contou uma história: “Esse álbum era uma mosca branca na época. Era muito difícil de se ter. Quando eu consegui comprar, fui pra casa com ele debaixo do braço todo contente, e meus amigos da rua pediam pra ouvir junto comigo“. Foi aí que eu pensei em como o mundo havia mudado.

Hoje em dia nós baixamos música, nos preocupamos com qualidade de áudio, em quantidade de kbps e em nitidez de som, mas raramente paramos para absorver o conteúdo semântico da música ou do álbum, e quando fazemos, é dentro do metrô, incomodados com o sovaco alheio ou preocupados com a próxima estação, ou em casa, no facebook, conversando, curtindo e compartilhando comentários sobre a novela e o futebol. Nunca nos dedicando inteiramente ao trabalho da banda ou artista.

Na época do meu pai, a qualidade musical (em linhas gerais) não era lá essas coisas. Um vinil não dava suporte pra tantos canais de áudio, não armazenava tantas músicas e não eliminava ruídos externos – como a agulha da vitrola. Mas ainda assim, haviam as grandes bandas, os álbuns clássicos e as músicas épicas.

Mas nem tudo está perdido, porque há, em nossa geração, gente que consegue conciliar o melhor dos dois mundos: a qualidade de áudio impressionante da mídia atual e a semântica mítica da velha guarda.

Wolfmother me foi apresentado no verão de 2009, e só agora, consegui expressar – talvez não tão concisamente – o que senti ao ouvir pela primeira vez.

Os anos 70 são agora!

Um breve histórico

A banda é de Sydney, na Austrália, e foi formada por Andrew Stockdale (guitarra e vocais), Ian Peres (baixo, teclado e vocal de apoio), Aidan Nemeth (guitarra base) e Will Rockwell-Scott (bateria), em 2000. Lançou seu primeiro EP homônimo em 2003. Em 2005 apareceu com seu primeiro álbum também homônimo e em 2009, com o disco mais recente, Cosmic Egg. Dois anos antes, em 2007, a banda faturou um Grammy com a música Woman (conhecida no Guitar Hero) no prêmio de Melhor Desempenho em Hard Rock.

Tá, mas por que é tão bom?

Wolfmother segue uma linha de composição muito diferente do que estamos acostumados. É uma banda que está envolvida com a mídia – suas músicas são trilhas sonoras de filmes famosíssimos, como Se Beber Não Case e 500 Dias Com Ela – mas ao mesmo tempo, não deixa o mercado a engolir e transformar em mais um produto massificado e padronizado no medíocre – como o que eu me referia no começo do texto.

As influências da banda são claras: o hard rock dos anos 70. É muito difícil conseguir entender a vibe de quarenta anos atrás e misturar isso com a dinâmica atual. Os caras conseguem compor rocks descompromissados e despretensiosos (como Woman e California Queen) e canções épicas e avassaladoras (como Where Eagles Have Been e Violence Of The Sun).

Os graves do baixo e da bateria junto com o peso da distorção lembram a era do som mono do vinil, e os riffs de guitarra e o vocal agudo estendido só seriam possíveis de serem executados e reproduzidos com perfeição com o auxílio da tecnologia moderna. É ou não é o melhor dos dois mundos?

É como se você juntasse Black Sabbath, Deep Purple, Led Zeppelin e AC/DC num liquidificador e batesse. O som que sairia seria Wolfmother. É uma influência clara, mas sem pretensão. É algo como “vamos fazer um rock setentista?” e não “vamos fazer um rock setentista!“.

Vale a pena dedicar um tempo, escutar e viajar nas letras e nos arranjos, mas também ouvir para pular, balançar e cantar junto. Se há uma máquina do tempo, é o Wolfmother, com sua maneira inovadora, condensada e magnífica de apresentar (e representar) uma época de ouro do Rock’n’Roll.

Check it out!

Links:
http://www.myspace.com/wolfmother
http://www.wolfmother.com

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2 COMENTÁRIOS

  1. Cara é dificil falar de Wolfmother
    os caras são FODAS DEMAIS !! Só de lembrar dos riff’s
    de “Woman” da vontade de quebrar tudo.
    Os caras sabem fazer a mágica acontecer de verdade, isso sem comentar as artes de capa que são no mínimo alucinantes.

    Só pra constar rola uma banda na mesma levada deles, o “Black Drawing Chalks” os caras mandam um Hard pesada e bem construído.

    Ótima matéria…tem que divulgar as coisas boas mesmo o/

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