E aí rapaziada retrogamer! Semana passada eu deixei vocês na mão por descuido em relação à data de publicação da coluna, peço desculpas galera! Mas, retornando ao que interessa, hoje vamos ver como uma empresa às vezes pode melhorar (neste caso, muito) o trabalho da outra, em oposição aos puristas de plantão. Outra notícia: fiz um canal no youtube para publicar vídeos de análises de retrogames! Chama-se Retroreviews BR e vocês podem acessá-lo neste link (o canal é bem humilde por enquanto, com o passar do tempo vou  melhorá-lo). Além disso, estou aceitando requisições de jogos para analisar e jogar vindas de vocês!).

O arcade de Ninja Warriors era um trambolhão devido às suas 3 telas.

The Ninja Warriors apareceu primero nos arcades em 1988 feito pela japonesa Taito (a mesma do revolucionário Space Invaders, claro, para a época). No tempo que os arcades estavam em alta, os caras da Taito gostavam de colocar suas mentes para funcionar, criando inovações se comparados aos arcades de outras desenvolvedoras (talvez porque os japoneses esperavam isso da empresa, já que esta teve uma contribuição enorme para a popularização dos jogos eletrônicos como um todo). Hoje, a Taito foi incorporada pela gigante Square-Enix, pasmem.

A tecnologia widescreen ainda estava dando os primeiros passos, mas os desbravadores da Taito resolveram dar uma chance a ela mesmo assim, não somente com um monitor, mas com três deles (!) um ao lado do outro para deixar o jogo com aspecto wide como se vê nos dias de hoje. O primeiro a usar esse recurso foi o shooter Darius, de 1986, da mesma empresa (futuramente farei uma matéria sobre esta série de jogos também).

Voltando ao foco da matéria, The Ninja Warriors era um jogo de ação lateral bastante simples, com dois botões apenas: ataque com as kunais (um tipo de faca com um furo na empunhadura) e o outro atira shurikens (estrelas ninja), pulava-se com o direcional para cima e, segurando o botão das kunais, o/a ninja defendia. Fora isso ainda existe outro tipo de pulo (um mortal para frente ou para trás) que se consegue pulando enquanto se esta defendendo e é bem útil em certas situações perigosas. O jogo permitia dois jogadores simultâneos e fez bastante sucesso no Japão (na época, os desenvolvedores estavam percebendo o sucesso que ninjas faziam, dois grandes exemplos disso são Shinobi e Ninja Gaiden).

Um fato interessante sobre The Ninja Warriors: quando o personagem masculino ou o feminino levava dano, perdia a camada externa de sua  pele artificial, revelando ser um robô! Isso porque na história, o tirano Banglar se tornou um ditador e estava oprimindo uma certa nação. Então, um grupo de cientistas que fazem parte da resistência liderada por um tal de Mulk, desenvolvem  duas máquinas de destruição humanóides, não muito diferentes do “exterminador do futuro” t-800 (ninja e kunoichi, somente diferentes na aparência e cor da roupa) para botar o cara abaixo, junto com seu exército. 

A versão do original para mega CD também ia sair nos EUA, mas foi cancelada por motivo desconhecido.

O jogo foi um hit dos arcades japoneses, pois apesar de suas limitações, a máquina era gigante e proporcionava uma experiência única em som e imagem. Teve também versões para vários sistemas, inclusive Turbografx 16 e Mega CD (somente no japão), mas estas tiveram recepção apenas mediana.

A parte sonora foi feita por uma banda interna da Taito, com o estranho nome de Zuntata (ou ZTT) e a música da primeira fase ficou particularmente famosa (tem o bizarro nome de Daddy Mulk (papai Mulk) e vocês podem conferir aqui, em versão live tocada em um festival de game musics).  Incluía alguns samples de voz robótica cantando certos trechos, o que também era incomum, pois o jogo rodava em uma placa de circuito integrado feita exclusivamente para ele (porém mais tarde foi reutilizada em Darius 2, também com 3 telas), ou seja, em roms soldadas à sua superfície. Esta banda fez até shows incluindo músicas dos jogos nos quais trabalharam (e nao foram poucos). Recentemente lançaram um album comemorando o aniversário de 25 anos, chamado COZMO ~ZUNTATA 25th Anniversary

Estes três robôs linha dura vão aprontar mil e uma loucuras contra um exército da pesada para libertar uma nação oprimida! Confira às 9:30, coladinho com o Gugu!

(estamos ficando velhos hein pessoal, hehe).

Mas em 1994, devido a algum motivo não divulgado, a Taito resolveu contratar a também japonesa Natsume para que esta revitalizasse a sua propriedade. Foi lançado então The Ninja Warriors Again (apenas The Ninja Warriors nos EUA) para Super Famicom. Distribuído pela empresa de origem, esse jogo é um remake seguindo a mesma base do primeiro, mas muito melhor. A história é igual, porém, adicionaram mais um personagem jogável ao grupo e um sistema de combo que ocorre quando se acertam vários hits em inimigos, o que leva ao personagem desferir um golpe mais forte que finaliza a sequência. Este golpe tem ainda uma versão mais forte, que usa uma parte da barra do “ataque salva-vidas” que pode ser acionado segurando o direcional para cima durante a sequencia de golpes. Levei um tempo para descobrir sobre essa função quando joguei das primeiras vezes… Às vezes o golpe saía do nada e eu ficava pensando como tinha feito aquilo :D

Além disso, os três robôs agora tem características diferentes: o Ninja desta versão é um robô curiosamente grande e pesado (tem 698 quilos!) que ataca com um nunchaku e agarrões. É o personagem “tanque” do jogo e não pula, usa apenas seus jatos nas costas para embalar o corpo para frente ou levantar do chão. Também pode usá-los girando, neste caso o ataque danifica inimigos na direita e esquerda. No final da sequência de golpes do Ninja, ele usa seu nunchaku de metal acertando múltiplas vezes tudo o que estiver em sua volta, fora que o alcance é bom e esse golpe atinge inimigos em ambos os lados da tela. Muito útil…

A Kunoichi (bem mais leve, 64.8 quilos) é a mediana, ataca com dois kunais (os mesmos do jogo original), uma espada e até seu longo cabelo loiro pra jogar os inimigos ao ar. Luta aérea tmb é com “ela”, podendo ficar por vários segundos quicando com o pé na cara dos inimigos, alternando entre os da esquerda e direita. É bem divertido fazer isso!

O vidro não estava combinando a decoração do lugar, de acordo com a Kunoichi.

O personagem novo é Kamaitachi (o nome vem de um animal lendário japonês parecido com uma doninha, mas com foices nos membros, como vocês podem ver aqui). Com 99 quilos, é o mais rápido de todos, usando as foices como seu nome sugere e quase não tem agarrões, compensando com uma grande variedade de ataques cortantes e braços que se estendem. Além disso, Kamaitachi tem a aparência menos humana dos três. É frenético jogar com esse robô, e era o meu favorito das primeiras vezes em que joguei. Depois de me habituar com todos, não consigo decidir qual seria hoje em dia, são todos muito bons e balanceados. Curiosidade: ele anda mais rápido ainda se estiver abaixado.

O jogo tem estágios bastante variados e chefes bem legais, e os jogadores podem desta vez contar com um ataque explosivo, vulgo “especial salva-vidas”, disponível quando uma barra de energia chega ao máximo. A desenvolvedora Natsume é conhecida pelo talento na parte musical e neste jogo não é diferente. Com apelo futurista e oriental, a trilha sonora é ótima (também, foi feita pelo talentoso Hiroyuki Iwatsuki, o mesmo de Wild Guns) e casa muito bem com o contexto do jogo. Até hoje eu escuto algumas músicas às vezes.

No final de sua sequência de golpes, Kamaitachi gira seus braços com lâminas embutidas como um moinho de vento, fatiando todo mundo que estiver perto (melhor que a ginsu 2000!)

As duas coisas que ficaram faltando em comparação com o original foi o dano aparente dos personagens mostrando seu esqueleto de metal (a não ser que você perca todo seu life, pois neste caso, o robô se ajoelha e explode, mostrando sua natureza) e possibilidade de se jogar cooperativamente com 2 jogadores (realmente foi uma pena, apesar do jogo mesmo assim ser muito bom). Na verdade, a questão do dano aparente é um pouco descartável, já que somente a Kunoichi tem aparência humana. As mulheres que atacam o jogador foram substituídas nas versões fora do Japão, o sangue no jogo é censurado (é verde) e tiraram até isso na versão européia. Vai entender…

Um fan art bem legalzinho e cute da Kunoichi.

A sequência inicial do jogo desta vez conta a história e mostra os primeiros passos dos robôs (que são protótipos), curta mas muito boa, que vocês podem conferir aqui. Já o final do jogo (spoiler alert) é bastante depressivo: depois de derrotar Banglar dentro de sua máquina, é revelado que o trio foi mandado para lá com o objetivo de explodir a base do cara também, ou seja, cada um dos três robôs tem um explosivo muito forte implantada no corpo de metal (ou seja, você era descartável). Depois da explosão, um texto acompanhado de uma música excelente, mas de cortar os pulsos (escutem aos 5:42 deste video) diz que o tirano finalmente foi derrotado mas o governo que foi implantado depois tornou-se pior ainda, fazendo com que o ciclo fatalmente se repetisse. Bastante memorável e diferente para a época (me lembro que me surpreendi com isso hehe).

Fiquem com um anúncio de revista japonesa (que tambem é a capa da versão para super famicom) dizendo a data de lancamento deste remake, muito aguardado no Japão. Os três robos são bastante imponentes, contrastando com os de visual mais humano que vocês puderam ver na capa da versão do jogo original para Mega CD alí em cima. Até a próxima semana!

Curiosamente, essa inversão nas cores do lado direito é o mesmo efeito que se tem em tela quando acionado o ataque “por favor não quero morrer” dos ninjas-robôs :D

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