“Sete Sonhadores”

Confesso que por muitos anos nutri um certo preconceito por adaptações literárias de filmes famosos. Qual seria o propósito do livro se não o de arrancar mais algumas notas dos fãs? O que poderia um escritor mostrar com palavras o que já não vimos (muitas pessoas mais de uma vez) com imagens na tela? Para minha surpresa, Alien, do americano Alan Dean Foster, consegue mostrar muito, muito mais. Sua escrita é tão detalhada que todas as cenas do filme (Alien: O Oitavo Passageiro /1979) de Ridley Scott ganham um novo significado ou se tornam muito mais ricas. Não, não estou exagerando. Um exemplo. Enquanto o filme se inicia com os sete tripulantes da Nostromo despertando de meses de hibernação, a mesma cena no livro abre espaço para descrever os sonhos de cada um deles. Se existe uma forma mais poética de começar uma história e ao mesmo tempo apresentar personagens, eu desconheço.

Fotos: Editora Aleph

Enquanto no filme, o foco principal é a construção quase dolorosa de tensão, o livro tem tempo para adicionar mais camadas aquele universo, enriquecendo-o como nenhum filme da franquia foi capaz de fazer até hoje (Prometheus até tenta, mas falha miseravelmente).

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Alien (1979)

O maior defeito do livro, quase imperdoável quando existe um recurso tão básico pra qualquer escritor chamado narração, vem justamente da herança que ele tem com o cinema. Em filmes de ficção científica ou fantasia, onde muitos detalhes precisam ser explicados para que o grande público seja capaz de acompanhar a história, muitos diretores e roteiristas se embananam para fazer isso de forma convincente e natural (O Christopher Nolan, que precisa fazer múltiplas pausas para explicar até como o detalhe mais insignificante da trama funciona, é o primeiro a vir a mente). No livro de Alien, ao invés de simplesmente usar a narração ou um pensamento de algum dos tripulantes, Foster chega a extremos de mostrar um personagem explicando uma coisa que todos os outros já estão cansados de saber.

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Alien (1979)

Longe de ser uma obra de arte (nem acho que alguém vá esperar isso desse tipo de livro) é muito mais um aprofundamento essencial para qualquer fã da série Alien que se leve a sério. Depois dele, até o clássico de Ridley Scott ganha novas cores, novos significados.

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Autor: Alan Dean Foster

Editora: Aleph (2015)

Páginas: 328

Preço de capa: R$44,90

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Atrapalhado, paranóico, assíduo falante, leitor e cinéfilo voraz, teve desde muito novo os livros e os filmes como grandes companheiros da sua vida. Graças a eles desbravou novos mundos e universos, venceu batalhas e guerras e conheceu pessoas e povos de diferentes tempos. Tem como seus maiores ídolos Louis Ferdinand Céline, Machado de Assis, Jack Kerouac, Charles Bukowski, Um dia pretende concluir seu próprio livro. Enquanto isso não acontece, escreve críticas literárias na Mob Ground. @MuriloAndrade Facebook

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