[Nota da edição: Essa é a postagem número 667 da Mob Ground, uma postagem atrás a Besta foi clamada e eis que: ]

Olá suas delícias maravilhosas!

EU VOLTEEEEEEEEEEEEI PORQUE AQUIIII AQUI É O MEU LUGAAAAAAAAAAAAAR *fogos de artifício*

Depois de uma cacetada de meses afastada por causa da agora terminada faculdade de jornalismo, um livro-reportagem, muito nervoso e noites sem dormir correndo atrás de fonte eu voltei para vocês seus lindos e cheirosos! Senti saudades de todos e queria mandar um aperto no bacon especial para a Locadafaca Aline pela mensagem perguntando pela minha volta. I’m back, bitches! Hoje é dia de gore, bebê!

Sempre tem aquela pressão sobre o que escrever no meu texto de retorno e depois de muito pensar e fuçar pela internet atrás de algum filme interessante, eu lembrei de uma obra de terror que vi faz um tempinho e achei uma boa pedida de resenha e recomendação. Hoje é dia de filme bom, yay!


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American Mary é um filme canadense de 2012 escrito e dirigido por Jen e Sylvia Soska, mais conhecidas no mercado como The Twisted Twins. Eu nunca tinha ouvido falar delas até colocar meus olhos em American Mary. Essa película foi um dos achados enquanto vagava pelo Tumblr, especificamente no blog Horror-Movie-Confessions. Recomendo esse blog se você está procurando por alguma coisa para assistir, mas cuidado, você pode levar algum spoiler.

O plot do filme é bem simples. Mary Mason é uma universitária que esta estudando para ser uma cirurgiã. Como todo mundo bem sabe, esse curso é pra lá de caro e exige muito estudo e dedicação. Mary é uma dessas pessoas. Ela pratica procedimentos como suturas, incisões e remoção de membros em frangos e outros animais, frequenta todas as aulas e se vira como pode para pagar o curso e seu apartamento. É ai que a coisa começa.

Mary está ficando sem dinheiro algum, seu professor, Dr. Grand, está pegando no seu pé para que ela não “foda tudo”, não consegue fazer residência em nenhum hospital e suas opções estão acabando. Desesperada, Mason tentar arranjar um trabalho como stripper em uma boate. No entanto, o que seria uma entrevista de emprego, acaba abrindo uma porta peculiar na vida da protagonista.

Após remendar um dos funcionários da boate que foi torturado, Mary recebe 5 mil dólares. Claro que ela fica mega abatida e chocada, o que é meio contraditório levando em consideração que ela esta estudando para ser uma cirurgiã, mas tudo bem. Depois dessa operação, uma das garotas da boate, Beatrice (sim, é minha colega de nome tecnicamente), entra em contato com Mary para que ela faça um favor especial.

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Beatrice fez uma série de cirurgias para ficar parecida com a Betty Boop e explica que essa foi a alternativa que encontrou para que puder expressar no exterior como ela se sentia por dentro. A oferta da garota é simples. Uma de suas amigas necessita de uma cirurgia estética bem específica só que nenhum médico quis realizá-la. A garota em questão deseja ficar cada vez mais parecida com uma boneca, porque elas não são sexualizadas e muito menos vistas como somente um pedaço de carne. Tudo o que Mary precisa fazer é remover os mamilos da garota e transformar sua vagina, nas partes de uma boneca. Todo mundo já tirou a roupa de uma Barbie, então sabe do que estou falando.

Uma das sacadas dessa personagem é que ela é uma designer de moda e que parece muito com Donatella Versace. Com a operação Mary consegue mais dinheiro e suas preocupações com contas somem um pouco da cabeça, no entanto, seu professor continua a pegar no seu pé. Com uma virada de sorte, Mary consegue entrar no programa de residência de um hospital e é convidada por um colega de seu professor a aparecer em uma reunião de cirurgiões na casa de Dr. Grand.

Mary encara esse convite como uma oportunidade de networking e de futuro crescimento profissional então aceita. Logo quando ela chega na festa você já fica desconfiado que alguma coisa está muito errada, você tem essa certeza confirmada quando que as únicas mulheres de lá são prostitutas. Mary é drogada e estuprada por seu professor de faculdade, que filma a cena toda. Agora chegamos a um ponto importante.

 O estupro era realmente necessário? Não podia ter algum outro acontecimento para que Mary ficasse louca de raiva? Não deixa de ser uma motivação imensa e completamente compreensível no entanto, poderia ser qualquer outra coisa. Matarem seus pais, a sacanearem burocraticamente, qualquer outra coisa menos o estupro. Estamos no século 21 e ainda tem esse tipo de violência na mídia. Entendo o papel dessa cena no filme e as ações de Mary após o acontecimentos, porém achei uma má escolha.

Na manhã seguinte da festa Mary volta para sua casa completamente destruída, também pudera. Ela não vai até a polícia, nem entra em contato com qualquer outra autoridade. Primeiro que ninguém acreditaria nela porque Mary foi até a festa por livre e espontânea vontade, segundo que ela não tem autoridade ou reputação para bater de frente com seu professor que é um cirurgião formado, terceiro que a droga a fez desmaiar, ela não lembra de quase nada e só ligou os pontos na manhã seguinte.

Mary desiste da carreira de cirurgiã e contrata os serviços da boate para que possam sequestrar Dr. Grand. A partir desse momento, Mason começa a ficar cada vez mais envolvida no mundo da Body Modification e ao invés de praticar em frangos, ela agora usa seu estuprador como boneco de testes. Aos poucos a reputação de Mary vai ganhando forma e seu nome passa a ser conhecido dentro da comunidade. Graças à garota que queria ser uma boneca, Mary ganhou público.

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Uma referência que eu achei interessante é que as primeiras cenas do filme onde Mary pratica suturas e incisões em um frango me lembrou muito a cena de fuga de Dr. Lecter em o Silêncio dos Inocentes. Não sei de foi um easter egg, mas caso foi, bem pensado.

Assim como Hitchcock e Tarantino, as Twisted Sisters também participam de seu próprio filme como personagens. No caso de American Mary, as irmãs Soska interpretam gêmeas que desejam uma operação muito especial para que sempre estejam conectadas uma a outra. Elas querem que seus braços esquerdos sejam amputados, trocados entre si e recolocados, além de implantes subcutâneos e uma cirurgia para alterar o formato de suas orelhas. O procedimento é um sucesso, no entanto, a polícia entra em contato com Mary para perguntar sobre o desaparecimento de seu ex-professor.

O dono da boate, descobre o que aconteceu com Mason e resolve dar conta do colega de Dr. Grand que a convidou para a festa. É bem óbvio que Mary e o dono do clube se gostam, mas esse filme não tem um final feliz.

A carreira de Mary decola, lhe dando o apelido de Bloody Mary na comunidade da Body Modification e parte disso se dá pelo fato de usar as operações que fez em seu estuprador como portfólio para seu site. Com a nova e melhorada situação financeira, Mason se muda de seu antigo apartamento para um estúdio, essa atitude também é referente ao fato de quem Mary quer fugir do que aconteceu no seu passado, quer um novo começo onde tem sua vida em total controle.

A polícia novamente entra em contato com Mason para perguntar sobre o desaparecimento do colega de Dr. Grand, o detetive sabe o que aconteceu com Mary e se propõe a ajudá-la. Ta ai uma atitude que eu só vejo no Law&Order Special Victims Unity, é inusitado tendo em vista que as autoridades são na maioria das vezes bem inúteis em filmes de terror. [Nota da edição: E na vida real também!]

Eu não posso entrar em mais detalhes sobre a trama porque vocês bem sabem da minha política de spoilers e se você é novato por aqui, o esquema é o seguinte: Só dou spoilers se for realmente necessário para a resenha, caso contrário, nadinha de nada.

Nas questões técnicas American Mary é um filme muito bem produzido. Todos os figurantes que aparecem no estúdio de Mary são membros da comunidade de Body Modification e durante o filme quase não foi usado CGI. O figurino do filme é muito bem pensado e devo admitir que fiquei babando horrores no guarda roupa de Mary durante o filme todo.

Eu gostei muito da trilha sonora. Não escuto muito dubstep ou música eletrônica industrial, mas a trilha sonora casa certinho com a atmosfera alternativa e sombria do filme. O ritmo da película é bom, não é tão alucinado, nem tão parado ao ponto de dar sono (Como por exemplo os do Lars Von Trier) e sempre tem alguma coisa acontecendo para adicionar algo ao roteiro. Um exemplo disso é a cena em que Mary e o segurança da boate conversam.

American Mary é um filme que usa o sub gênero do terror, Estupro-Vingança (sim, infelizmente existe esse sub gênero desde muito tempo) e o explora de uma maneira diferente. Ao contrário de películas como I Spit In Your Grave (Doce Vingança) onde tudo acaba após a vingança, aqui continua.

Outro ponto que me deixou bastante surpresa e interessada já que nunca o vi abordado em um filme de terror antes, foi a Body Modification. Não sei quanto a vocês, mas não achei muitos filmes que abordam o assunto. Vou deixar bem claro que as amputações que acontecem nas outras películas não tem relação com Body Modification, nessa prática, é tudo consensual.

Em American Mary as autoridades são quase invisíveis, se a polícia aparece mais que 5 vezes é muito. Acho que a intenção das Twisted Sisters foi a de mostrar que Mary está praticamente sozinha no processo de recuperação de seu ataque. Ela tomou todas as iniciativas e descontou toda sua raiva e ódio em algo produtivo que a permitiu crescer e ter a vida que sempre quis.

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Fazia tempo que eu não via uma produção tão original e que foge dos clichês do gênero terror. Nada de serial killers à solta, nada de pornografia rolando solta desnecessariamente, nenhuma montanha de drogas estilo Scarface nem nada do tipo. E outra coisa que eu achei bem interessante é que, por se tratar de uma cirurgiã, American Mary não é gráfico. São pouquíssimas as cenas de gore no filme. A atmosfera da coisa toda e a interpretação de Katharine Isabelle (Margot Verger, de Hannibal) dão conta do recado.

Recomendo fortemente esse filme pra todo mundo que quiser ver uma película original, cativante e que não se encaixa na forma de seu subgênero. Essa produção canadense é melhor do que muito filme mainstream por ai.


 P.s. Amo vocês e senti saudades <3


American Mary (Canada, 2012)

 Direção: Jen e Sylvia Soska (Twisted Twins)

 Duração: 103 min

 Nota: 10 com luvas de látex

 

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