Sempre achei o Arqueiro Verde um personagem meio bocoió (perdendo apenas para o Aquaman). Nunca consegui levar a sério aquele monte de flechas cheias de recursos dele, que estão ali apenas para que ele seja um herói que não mata. Flecha com uma luva de boxe ou que se desdobra em uma corda pra amarrar os inimigos? Não tem como ficar mais galhofa que isso. Então, quando a CW anunciou um seriado com o personagem, nem fiquei muito empolgado. Principalmente depois das várias cagadas que foram feitas em Smallville. Nem os trailers da série eu estava assitindo, mas depois de ver vários comentários espalhados pela internet falando bem do episódio piloto, resolvi assistir. E, para minha surpresa, gostei do que vi.

Para quem não conhece o personagem, Oliver Queen é um milionário que fica preso em uma ilha deserta e, devido a essa experiência acaba mudando sua visão de mundo. Quando consegue sair de lá, ele resolve combater as injustiças do mundo como o Arqueiro Verde. A série começa mostrando justamente o momento em que Oliver finalmente consegue chamar a atenção de um barco, após ficar cinco anos vivendo na tal ilha. Nessa sequência inicial já fica claro que, além de excelente arqueiro, o personagem ganhou algumas outras “habilidades”, como conseguir dar grandes saltos e ser extremamente ágil. Arrow conta ainda com uma narração em off feita pelo protagonista, que ajuda a contar como ele foi parar na ilha.

Pouco tempo após o seu retorno, Oliver já é sequestrado por uma galera que usa máscaras de caveira vermelha, provavelmente alguma organização criminosa secreta. Eles chegam perguntando se o pai de Oliver (que estava com ele no naufrágio) contou tudo para ele. Pelo que parece, o pai do herói possuía algum grande segredo, que será o mote da série ou pelo menos da primeira temporada. E foi durante esse sequestro que Arrow realmente surpreendeu. Eu esperava uma série nos moldes de Smallville, com um herói boboca e paixões platônicas. Mas logo nessa primeira luta, o futuro Arqueiro Verde já mostrou que não está pra brincadeira, quebrando o pescoço de um dos sequestradores. Sem contar os outros que ele usou como escudo humano e os caras foram metralhados.

Em sua primeira aparição já com o uniforme verde, o herói não hesita em distribuir flechadas nos capangas do vilão. E nada de flechas com luvas de boxe ou atingindo apenas pernas e braços, Oliver mira sempre em órgãos vitais, não se preocupando se irá matá-los ou não. Os fãs do personagem nos quadrinhos com certeza vão reclamar dessa atitude dele, mas eu gostei e acho que faz muito mais sentido para alguém que usa arco e flecha como instrumentos. Aliás, o fato de utilizar um arco parece ter algum significado mais profundo, já que a arma utilizada por Oliver é cheia de inscrições e, aparentemente, foi encontrada na ilha. O único problema é que parece que estão querendo deixar o Arqueiro um pouco parecido com o Batman. Ele possui até mesmo uma “Batcaverna”.

Outra semelhança com o Batman, é que o personagem carrega muita culpa nas costas pelas mortes do pai e da irmã da namorada. E por falar na morte do pai dele, a cena é bem impactante e mostra que o seriado provavelmente vai seguir um caminho muito mais sombrio, bem diferente daquele clima estudantil de Smallville. As cenas de ação foram decentes nesse primeiro episódio, com muitos tiros e mostrando todas as habilidades do Arqueiro, não apenas com o arco, mas com qualquer objeto ao alcance de suas mãos. Claro que a série não esqueceu de colocar um interesse romântico para o herói, mas ao que tudo indica, isso deve ficar em segundo plano, priorizando a ação e o mistério. Além disso, são feitas várias referências ao Universo DC, como a máscara do Exterminador logo no começo. Arrow possui ainda sua própria versão de Dinah Lance e de Speedy.  Não é uma série embasbacante como as excelentes Breaking Bad e Sherlock, mas parece que vai conseguir divertir pelo menos por uma temporada.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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