“Castañeda, esses são seus filhos!”
Ragged Robin, “Os Invisíveis – Infernos Unidos da América”

coven

Uma das várias teorias sobre como a Mágika funciona diz que existem os caminhos Solar e Lunar. O caminho Solar é racional, masculino, o Yin. Ele primeiro estuda e depois realiza sua prática. Já o Lunar é passional/instintivo, feminino, o Yiang. Primeiro pratica e depois sistematiza o que fez dentro dos resultados obtidos.

Pois bem, minha prática mágika é TOTALMENTE lunar, o que de certa maneira explica meus “fracassos” em práticas Rosacruzes e afins e meus sucessos dentro da Magia do Caos.

Houve uma época longínqua eu era um dos organizadores do Encontro Social Pagão aqui em Sampa City, evento mensal que se destinava à confraternização e troca de experiências entre os diversos ramos do paganismo. Rolavam várias palestras sobre este universo e, em uma delas, ”Mitos Femininos no Paganismo” ministrada por Patrícia Fox, ouvi falar pela primeira vez da Artemísia.

De tudo o que eu ouvi, o que mais me chamou a atenção foram duas informações: ela é uma erva lunar e abre as portas de mente. Como nessa época eu já tinha iniciado minhas experiências xamânicas e há tempos queria ter meu cachimbo, mas ainda não tinha porque ter um, foi questão de unir o útil ao agradável.

Quem “descolou a erva” pra mim foi meu companheiro de experiências xamânicas e jornadas zen-budistas, o Cananéia. A que eu uso é a Vulgaris. É uma erva legalizada e facilmente encontrada em casas de ervas e lojas esotéricas em geral. Já fumei, fiz chá e a masquei, mas na maior parte das vezes a fumo.

Pois bem, bati legal com a Artemísia. Ela tem um efeito relaxante, mas não “chapante”, de modo que passei a usá-la em todo ritual que eu fazia ou quando estivesse a vontade com meus amigos: bares, baladas ou mesmo na casa de colegas (eram tempos pré-Lei Antifumo…). Acabou que virau hábito na minha turma fumá-la quando estávamos juntos.

Artemísia-1

Também havia um coven que eu fazia parte chamado Coven-Flor e realizávamos alguns rituais em conjunto no Pq. do Ibirapuera (ou onde desse na telha). Fizemos trabalhos com Xamanismo, aplicações práticas da Caosfera, Psicogeografia, mas depois de um tempo o grupo se dispersou.

Em um dos nosso rituais, fomos ao Pq. descobrir nossos locais de poder ali, para depois entrar em contato com nossos animais de poder. Começamos o ritual todos juntos, bebemos um vinho, fumamos Artemísia e cada um partiu em sua busca. Após encontrar meu Local de Poder no Pq, me ajeitei ali e masquei um pouco de Artemísia para facilitar minha passagem para os “outros mundos”. Após acessá-lo, falar com meus animais de poder e outros seres que conheço por lá, me veio na cabeça uma música e foi aí que vibrei de alegria.

Segundo as obras de Carlos Casteñeda, cada erva possui um espírito e, quando você a utiliza, entra em contato com ele. Dependendo de como esse espírito se porta e de como ele te tratar, você pode ter experiências maravilhosas ou aterradoras. Nem sempre porque a experiência foi ruim quer dizer que a erva não foi com a sua cara. Poder ser uma espécie de teste. Isso muda de erva para erva e eu não possuo no momento experiência/conhecimento para falar de outras. O Mescalito, descrito à exaustão nas obras de Casteñeda, é bem difícil e caprichoso, mas traz boas recompensas. Já com a Artemísia, os piores relatos que ouvi de gente com quem ela não foi com a cara envolvem tonturas, irritação na garganta e vontade de vomitar (alguns acabam vomitando mesmo). A questão é, que independente da erva, quando ela o aceita como aliado, você ganha uma música. Uma música que NÃO EXISTE, que ela deu SOMENTE A VOCÊ e que até onde eu sei DEVE SER MANTIDA EM SEGREDO.

E, como eu disse acima, ela me deu uma música. E nesse dia ela se tornou minha aliada. Após o ritual anotei a música e a sei até hoje. Continuo usando a Artemísia para os mesmos fins, mas sinto as coisas que sentia antes mais intensamente, sinal que interpreto como sintonia entre nós.

Tempos depois, em um ritual de agradecimento a tudo de bom que estava ocorrendo em minha vida, acessei os mundos xamânicos e pela primeira vez visualizei o espírito da artemísia e dançamos juntos ao som da música que embalava o ritual, nesse ritual específico era  do Jimi Hendrix.

E essa bela relação segue muito bem até hoje…

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É um cara que já trabalhou (e trabalha) em muitas coisas e nas poucas horas que tem dá uma de escritor/poeta/jornalista/roteirista. Quando tem vontade atualiza seu blog, o “O Protagonista 2.0”. Foi colaborador do blog Cultura Nerd e atualmente escreve para os blogs sites Novelas Teen, Contraversão e Revista Entremundos. Pode ser encontrado a noite cambaleando bêbado pelas ruas de São Paulo ou falando seu nome três vezes em frente a espelhos em botecos suspeitos da Augusta e da Mooca. Uma mistura de Spider Jerusalem e John Constantine, ou não.

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