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A Ascensão de Thanos é cheia de clichês e não faz jus ao personagem

Thanos, o Titã louco, sempre foi um personagem fascinante. Começou como um mero coadjuvante nos gibis do Homem de Ferro até evoluir para um dos maiores vilões da história da Marvel Comics.

Tudo isso se deve principalmente ao roteirista e desenhista Jim Starlin. O artista moldou o personagem como bem quis ao longo de vários anos, passando por gibis como Warlock e Capitão Marvel, além das sagas cósmicas como a famosa Trilogia do Infinito (que depois virou quadrilogia, mas ninguém se importa com essa última parte). Contudo,  Starlin nunca se preocupou em contar a origem de Thanos de forma detalhada, apenas dando algumas informações aqui e acolá.

Um belo dia a Marvel resolveu contar a origem do personagem para aproveitar o hype que surgiu graças ao segundos que Thanos apareceu nas cenas pós-créditos de Vingadores. Starlin até então estava brigado com a Casa das Ideias e alguém teria que fazer a famosa origem.

Jason Aaron
Jason Aaron

Jason Aaron foi chamado.

Aaron é um roteirista talentoso que surgiu para os quadrinhos com o gibi de guerra The Other Side (inédito aqui no Brasil) do selo Vertigo. Percebendo o talento do roteirista, a DC Comics (dona do selo) deu trabalho para ele: Scalped (Escalpo no Brasil), que é possivelmente a sua obra-prima. A trágica história dos índios norte-americanos chamou ainda mais a atenção da Marvel Comics (,) que logo lhe deu o mutante canadense Wolverine para tomar conta.

Desde então o cara assumiu outros personagens na editora, como o Motoqueiro Fantasma, Pantera Negra, Hulk, JusticeiroMAX, Ultimate Capitão América, dentre outros. Todos eles têm em comum serem, em sua grande maioria, personagens mais street level, nada muito cósmico ou algo parecido.

E na primeira incursão do roteirista no mundo cósmico o resultado não poderia ter sido mais desastroso. Essa é a história que veremos em A Ascensão de Thanos, (encadernado que reúne as 5 edições originais de Thanos Rising em suas 122 páginas) mais um lançamento da Panini Comics.


Descobrimos que Thanos nasceu com o mal dentro de si e que sua mãe quis mata-lo logo de cara. Rejeitado pelos amigos por conta de uma mutação genética que o fez ficar diferente dos demais, o pequeno Titã se isola nos estudos e é um gênio desde criança.

Aaron já começa a falhar aqui já no início, com o clichê do mal dentro de si, além de dar uma personalidade para o Thanos EXTREMAMENTE parecida com a de Broo, o jovem aluno da Ninhada que o próprio escritor desenvolveu em Wolverine e os X-Men, podem comparar e reparar.

O cumulo da cabacice de Thanos acontece quando o personagem conhece a morte pela primeira vez e depois resolve descontar em uns lagartos. A partir desse momento ele fica viciado em matar a fim de tentar preencher um vazio que sente dentro de si.

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Incentivado por uma amiga imaginária (que está na cara que se trata da famosa Morte), Thanos resolve matar sua mãe. Depois desse episódio ele resolve sair pela galáxia fazendo filhos a torto e direito. É tão clichê e sem graça que você quase desiste de ler, mas a curiosidade para saber como vai terminar essa porcaria não te deixa largar o encadernado.

Aos poucos Thanos vai virando o personagem que conhecemos: destruindo e matando tudo o que vê pela frente para conquistar o amor da Morte. E aí o gibi acaba se tornando uma eterna repetição de que Jim Starlin já fez anos atrás, sendo que a origem deveria ser algo exatamente oposto a isso.

Aaron falha miseravelmente ao tentar contar a origem do Titã louco apelando para clichês modorrentos e previsíveis. Essa mini serviu como o primeiro passo para provar que o escritor não entende nada de tramas cósmicas, sacramentando tal certeza com a sofrível Original Sin (ainda inédita no Brasil).

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Se há algo que dá pra elogiar na história é a arte de Simone Bianchi e as cores de Simone Peruzzi e Ive Svorcina. Bianchi tem uma arte peculiar que dificilmente casa com alguns personagens e situações, mas para o lado cósmico cheio de ETs e cenários diferentes ele cai perfeitamente.

A Ascensão de Thanos possui um acabamento de luxo que não faz jus ao nível da trama, podendo perfeitamente ter saído em um formato mais comum para baratear o custo ao leitor. O preço de capa é de R$ 24,90, porém não recomendo a compra.

Thanos não merecia uma origem tão chata. E nem você merece gastar seu dinheiro nisso.

capaThanosTítulo: A Ascensão de Thanos

Editora: Panini
Licenciador: Marvel Comics
Categoria: Edição Especial
Gênero: Super-heróis
Status: Edição única
Número de páginas: 124
Formato: Americano (17 x 26 cm)
Colorido/Capa dura

Preço de capa: R$ 24,90

HQ gentilmente cedida pela nossa loja parceira Comix Book Shop.

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