[ARTE DA VITRINE]: Thiago Chaves (@chavespapel)

E aí pessoal que curte a MOB! A partir de hoje escreverei toda segunda sobre os jogos das gerações passadas que fizeram a cabeça de todos. Alguns tiveram seqüências e estão por aí até hoje, enquanto outros foram únicos e até obscuros, mas não vamos deixar que sejam esquecidos pelas gerações atuais! Para começar, falaremos sobre a interessante série Assault Suits, que infelizmente teve apenas um título de sucesso fora do Japão.

Assault Suits Leynos foi criado pela desenvolvedora japonesa Masaya e apareceu  no console de 16 bits da sega (Mega Drive em 1990). O jogo também teve sua versão americana, batizada como Target Earth e lançada no mesmo ano. Esta, porém, passou quase despercebida devido à sua alta dificuldade (tiros e mísseis inimigos pra tudo quanto é lado), gráficos simplistas, pois era um dos integrantes da “primeira fornada” de jogos do videogame e estágios bastante longos.

Assault Suits Leynos MD
A ótima arte da capa japonesa do jogo original.

Mas no Japão o jogo vendeu bem e justificou a produção de um  título adicional, que saiu em 1992, chamado Assault Suits Valken para o 16 bits da Nintendo, o super famicom.

Valken é na verdade um prequel (antecessor) que se passa quase uma década antes de Leynos. O jogo, no entanto, é anos-luz superior, com pelo menos 16 direções para se atirar, armas fazendo uso dos recursos do hardware do videogame (como um canhão de laser, que usa transparência) explosões gigantescas, fases com e sem gravidade… Acredito que nenhum outro jogo 2D de mechs lançado anteriormente alcançou  o nível da produção da Masaya.

Outro diferencial de Valken é o próprio sprite do robô/armadura, que passa a impressão dos braços e pernas serem partes distintas, conectadas na estrutura central. Isso cria uma movimentação bastante fluída e com sensação de peso sentida quando a armadura volta ao solo depois de um pulo ou vôo proporcionado pelos verniers (espécie de jato propulsor localizado nas costas). A atenção a detalhes foi tanta, que até as cápsulas de projéteis deflagrados são expelidas da arma acoplada no braço da cyber armadura. Muito legal mesmo…

Arte da capa de Valken, com a lateral.

O som foi deixado a cargo do talentoso Masanao Akahori, da  especializada Opus Corp (de Nosferatu e X-Caliber 2097, vulgo Sword Maniac no Japão), que conseguiu um resultado excelente, com várias músicas memoráveis, utilizando principalmente o efeito de reverberação do chip de som do super famicom (o spc700, ironicamente criado pela hoje concorrente Sony). A empresa permanece na ativa até hoje e às vezes vemos seu nome em alguns créditos finais de jogos atuais.

O jogador é Jake, piloto da federação que faz parte dos marines dos Estados do Pacífico, tendo como missão destruir um mech gigante pertencente ao eixo, chamado Bildvorg (viajaram bastante nos nomes, mas o jogo é japonês, então tudo bem). Na verdade está acontecendo uma guerra entre a federação e o eixo, disputando os recursos naturais escassos da Terra e direitos territoriais sobre a Lua.

Ao longo do jogo, Jake recebe comunicações de amigos pilotos e do pessoal da federação através de mensagem no canto inferior da tela (junto com o rosto do personagem, desenhado em estilo anime). Lembrem-se: estamos na geração 16 bits e os cartuchos ainda possuem capacidade limitada para a implementação de dublagem total como é feito hoje em dia…

Jake e seu contato na federação, Claire (vulgo semi-namorada)

Cybernator foi lançado no ano seguinte nos Eua, distribuído pela Konami, porém foram retirados os desenhos do rosto dos personagens que aparecem a cada comunicação e uma cena onde o presidente inimigo se suicida com um tiro na cabeça, em uma das ultimas fases do jogo, onde você entra detonando tudo no parlamento. Tudo exigência da Nintendo americana, que naquela época tinha um nível de censura forte.

Assault Suits Valken teve também uma seqüência maluca para Playstation 1 em 1999. Simplesmente transformaram o que estava bom (ação 2D) em um jogo de estratégia 3D sem identidade alguma, apesar de Jake aparecer como veterano (com 30 anos, no anterior ele tinha 22). Não é preciso dizer que não fez sucesso algum, decepcionando a todos os fãs conquistados pelos títulos anteriores e por isso não foi lançado nos Eua nem Europa.

Teoricamente, Valken é menos avançada que Leynos (note os ombros e verniers traseiros diferentes no último), mas o jogo do primeiro é muito melhor...

Leynos por outro lado teve uma boa sequência (mas um pouco caótica demais) para o 32 bits sega saturn em 1997, mas essa ficou também exclusiva do mercado nipônico. Realmente uma pena…

Valken é um jogaço de super nes/famicom, e gerou cópias descaradas inclusive da Square Soft (de Final Fantasy) que lançou Front Mission: Gun Hazard e até da Lucas Arts, com Metal Warriors. Também teve um remake feito pela extinta Psykyo/X-Nauts lançado para Playstation 2 somente no Japão e Europa, mas apesar da resolução maior, eu ainda prefiro a versão original, até no som (alguns aspectos da jogabilidade também foram mudados e não me agradaram).

Os dois jogos-cópia mencionados são medianos e, curiosamente, o último é encarado como sequência de Valken/Cybernator pelos americanos, apesar de não pertencer à série Assault Suits. Outros foram lançados para computadores pessoais japoneses, como Night Slave para PC-98 da NEC, feito pela empresa Melody em 1996, que mistura até hentai (pornografia softcore) no meio!

Fiquem com a arte da capa japonesa (uma das mais atrativas e bem feitas da época) em resolução maior para relembrar  e até a próxima semana!

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6 COMENTÁRIOS

  1. Curtia muito este jogo… infelizmente ele ficou sempre às sombras por aqui o que acabou me ajudando para reverter parte da história e ambiente em uma pequena campanha de RPG. Meus amigos curtiram a campanha mas poucos jogaram o game depois que revelei a inspiração. ;)
    Valeu pela lembrança de um game maravilhoso.

  2. Confesso, não entendo nada de games antigos. Vai ser interessante conhecer os precursores da nova geração através da Mob. =)

    • Legal vc se interessar por isso Joelma! Mas nao se preocupe em conhecer previamente o assunto, porque cada um deles vai ser bem explicado nas materias…

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