Quando a Maurício de Souza Produções anunciou o lançamento de Turma da Mônica Jovem, eu logo torci o nariz. Embora ache a ideia válida para atrair novos leitores e tal, a essência dos personagens sempre foi aquela coisa de mostrar a infância, as pequenas grandes aventuras que as crianças vivem. Aí li a primeira edição e realmente não gostei. Mas a ideia de dar uma nova roupagem para os personagens criados por Maurício de Souza não é ruim, longe disso. Na verdade, alguns deles ficariam bem melhor longe desse universo infantil. É o caso do Astronauta, que mesmo sendo publicado nas revistas da Turma da Mônica, sempre alternou histórias de aventura com histórias mais filosóficas, que mostravam a solidão do personagem. Felizmente, o Astronauta foi o escolhido para iniciar a nova linha de Graphic MSP, que vai trazer visões diferenciadas de algumas criações do Maurício.

Em Astronauta – Magnetar, o desenhista e roteirista Danilo Beyruth apresenta uma história que mistura tudo que já fez sucesso com o personagem, além de colocar várias coisas típicas de filmes ou séries de ficção científica. Tudo começa quando o Astronauta vai investigar um raro fenômeno conhecido como Magnetar (e se quiser saber que fenômeno é esse, leia a HQ), mas algo acaba saindo terrivelmente errado e nosso herói fica completamente isolado no espaço. Com a nave sem funcionar e sem comunicação com o resto do universo, o personagem precisa achar um meio de escapar antes que fique completamente maluco devido à solidão. Mas se engana quem pensa que é apenas uma história contemplativa sobre o significado da vida. Ela possui bastante ação, com o Astronauta escapando da morte certa logo no começo.

O modo como a história é contada, faz com que o leitor fique aflito com a situação do personagem. É praticamente uma edição inteira sem diálogos, apenas com os pensamentos do Astronauta sobre o que ele está passando. As poucas conversas acontecem no começo, quando é mostrado um flashback dele passando férias em uma fazenda e questionando o avô se ele não se arrependia de nunca ter deixado a fazenda. O avô demonstra uma pontinha de arrependimento de não ter saído para conhecer o mundo, o que certamente influenciou o Astronauta a largar tudo e todos para viajar pelo espaço. Os outros poucos diálogos acontecem com o computador da nave, mas não demora para que o herói esteja completamente sozinho com seus pensamentos.

A arte da revista é excelente, trazendo belas paisagens de fenômenos espaciais e conseguindo transmitir toda a solidão que o protagonista está sentindo. Até a nave do Astronauta, que possui aquele simples aspecto redondo, ficou muito bonita nos traços de Beyruth. O interior dela também é bem bacana, com uma poltrona de comando que faz ser possível acreditar que um homem sozinho conseguiria operar uma nave daquele tamanho. Além disso, a história é repleta de imagens gigantes, que ocupam duas páginas inteiras, e mostram toda a grandiosidade do momento. E é impossível não ficar angustiado com as duas páginas que mostram há quanto tempo o pobre Astronauta está naquela situação.

Astronauta – Magnetar conta ainda com momentos típicos de filmes de terror, como o herói caçando um intruso em sua nave, ficando sem ar, água e comida, ou ainda encarando uma versão morta dele mesmo. Sem contar que ele é uma pessoa que carrega muita culpa pelo fato de ter abandonado tudo e todos em busca de aventura. Se nos gibis da Turma da Mônica víamos um Astronauta com sua eterna dor de cotovelo pela namorada Ritinha, aqui vemos que ele também nunca conheceu o sobrinho e nem pôde se despedir do avô que ele tanto amava. A arte dessas cenas é belíssima, evocando os melhores momentos de algumas grandes obras da ficção científica, como Contato. As últimas páginas, que mostram o destino do personagem, são de tirar o fôlego de qualquer um. Chegando ao final da história, a primeira coisa que vem à mente é “eu gostaria de ler mais histórias deste Astronauta”.

Astronauta – Magnetar

Autor: Danilo Beyruth

Editora: Panini Comics (2012)

Páginas: 80

Preço de capa: R$ 19,90 (cartonada) / R$ 29,90 (capa dura)

 

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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