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Graças à bem sucedida trilogia dirigida por Christopher Nolan, o Batman é um dos personagens mais respeitados atualmente. Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo, ele foi conhecido pelo grande público apenas como aquele personagem gordinho com roupa de morcego, que andava com um moleque de roupa mais ridícula ainda. Tudo graças ao seriado dos anos 60 estrelado por Adam West (Batman) e Burt Ward (Robin). As coisas começaram a melhorar no final dos anos 80 quando Tim Burton lançou o seu Batman nos cinemas, mostrando uma versão bem mais sombria do que a vista no seriado. Mas foi apenas em 1992 que o mundo conheceu uma das melhores versões do homem-morcego feitas até hoje: Batman: The Animated Series.

Criada por Bruce Timm, a animação possuía um clima até mais sombrio do que os filmes dirigidos por Tim Burton, trazendo uma Gotham City com um clima de filme noir. Turo era envolto em sombras e fumaça, algo que combinava com os mistérios de cada episódio. Até o visual dos capangas trazia esse clima, todos vestindo ternos e chapéus, como os gângsteres desse tipo de filme. A arquitetura dos prédios e os modelos dos carros também pareciam deslocados no tempo, como se fossem de algum filme antigo. Para ajudar nisso tudo, o desenho possuía uma paleta de cores mais escura, trazendo bastante preto, vermelho escuro e cinza. Até mesmo o azul no uniforme do Batman foi bastante escurecido, ficando quase preto. Além disso, o protagonista geralmente estava escondido nas sombras e quando estava parado a capa sempre cobria o uniforme inteiro.

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A direção de arte da animação era genial desde a sua abertura, que mostra um bando de assaltantes de banco sendo perseguidos pelo Batman. Enquanto eles fogem, a música vai crescendo até finalmente eles terem que encarar o herói. Durante as lutas vemos apenas a silhueta dos personagens enquanto o homem-morcego vai derrotando seus oponentes um a um. Apenas no final da abertura o visual completo do personagem é revelado, numa belíssima cena que o mostra no alto de um prédio enquanto raios caem dos céus e o iluminam, mostrando todo seu uniforme. Por falar em visual, todos os personagens estão bem fiéis às suas versões originais, sem contar que foi nesta série que surgiu a Arlequina, comparsa do Coringa que depois também apareceu nos quadrinhos. E não podemos esquecer que a série possui uma das versões mais legais do Batmóvel.

Batman: The Animated Series surpreendia também nos roteiros. As histórias não se resumiam a Batman espancando vilões, como é comum vermos nas animações mais recentes do personagem. As características de cada inimigo do homem-morcego eram respeitadas, sendo difícil, por exemplo, que personagens como Coringa e Duas-Caras saíssem na porrada direta com Batman. Claro que os episódios ainda eram repletos de ação, mas os roteiros não ignoravam as habilidades de detetive do morcego, trazendo um equilíbrio entre boas histórias e aventura. Sem contar que a dublagem era sensacional, sendo que até hoje os fãs consideram Kevin Conroy e Mark Hamill (sim, o Luke Skywalker) como as vozes definitivas de Batman e Coringa, respectivamente. Não é à toa que eles também dublaram os excelentes games Batman: Arkham Asylum e Arkham City.

A versão original do desenho teve apenas três temporadas, mas dois anos depois do seu encerramento, foi lançada a série The New Batman Adventures, que na prática era uma quarta temporada. A principal diferença é que essa série é muito mais sombria que anterior, com Batman substituindo o azul do uniforme pelo preto, além de deixar apenas o morcego no peito, sem a elipse amarela. Alguns vilões também aparecem com novo visual, como o Coringa que deixou de usar batom vermelho, ficando também mais sombrio. Outra mudança significativa é que Dick Grayson assumiu a identidade de Asa Noturna, deixando o uniforme de Robin para Tim Drake. Apesar das histórias mais sombrias, essa série mantinha o clima noir da anterior.

Foi graças à sensacional Batman: The Animated Series que começaram a surgir todas as outras animações excelentes da DC/Warner, como Superman e Liga da Justiça. Todas elas mantendo o mesmo nível de equilíbrio entre bons roteiros e ação, que foi o padrão durante toda a série do Batman.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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