[VITRINE]: Thiago Chaves (@chavespapel)

Aproveitando que Breaking Bad está em sua última temporada, resolvi finalmente assistir ao seriado. E acho que fiz muito bem em esperar esse tempo todo, eu não iria aguentar esperar uma semana para assistir o episódio seguinte. Principalmente em suas duas primeiras temporadas, Breaking Bad é um soco na cara um atrás do outro. Com temporadas curtas (a 1ª tem apenas sete episódios e as outras 13), a série não dá tempo do espectador respirar, jogando problema atrás de problema em cima dos protagonistas: Walter White e Jesse Pinkman.

A série começa com Walter descobrindo que tem câncer no pulmão em estágio avançado e aí ele tem uma daquelas famosas epifanias. Aos 50 anos de idade, Walter não conquistou grandes coisas na vida. Apesar de muito inteligente, o cara trabalha como professor em uma escola pública pela manhã e em um lava-jato durante a tarde, onde precisa aturar um chefe que provavelmente não tem a metade do estudo dele, mas tem muito mais grana. E agora, com um câncer que pode matá-lo em poucos meses, ele percebe que não tem nada para deixar para sua família: a esposa Skyler que está grávida e o filho que tem paralisia cerebral. É aí que o cara decide utilizar seus conhecimentos em química para deixar alguma grana para a família e começa a produzir metanfetamina.

Toda essa premissa da série é contada apenas no episódio piloto, sem enrolações. Em um único episódio já vemos desde a descoberta do câncer do personagem, a produção da primeira leva de metanfetamina e a primeira encrenca com um dos traficantes locais. E o melhor é que a série não trata o espectador como idiota, com diálogos que entregam tudo mastigado. Toda a situação de Walt é mostrada apenas com a brilhante interpretação de Bryan Cranston (que interpretava o pai do Malcolm), que consegue passar todos esses pequenos pensamentos apenas com mudanças no seu olhar. E é impressionante a mudança que o personagem sofre ao longo das temporadas, passando de um simples professor que precisa de grana urgente, para um traficante que sabe negociar com gente da pior espécie.

Breaking Bad é excelente também em não tentar santificar Walt. Claro que no começo é impossível não se solidarizar com a situação do cara, mas conforme o tempo passa você vê que ele também pode ser um grande filho da puta. Afinal, ele é um ser humano normal. E talvez este seja um dos pontos altos da série, todos os personagens são críveis, você consegue exergá-los existindo na vida real, por mais que passem por situações absurdas. Walter é extremamente arrogante e egoísta, não pensando duas vezes antes de colocar seu parceiro Jesse em alguma roubada. Jesse, por sua vez, é o típico moleque de classe média que entra no mundo das drogas e passa a se achar o fodão, mas que na verdade não passa de um covarde.

Jesse Pinkman, aliás, se tornou meu personagem preferido, sempre se mostrando muito mais preocupado com Walt do que o contrário. Na cena em que o personagem volta a se drogar, é impossível não ficar com o coração na mão torcendo para que ele largue o cachimbo e desista da ideia. Até os coadjuvantes são interessantes, como Skyler, esposa de Walt, que em certo ponto começa a ajudar o marido a lavar dinheiro do tráfico. Temos ainda o cunhado de Walt, Hank, que é agente do DEA (o departamento anti-drogas dos EUA) e está caçando o fabricante da metanfetamina azul, que no caso é o próprio Walt. O único ponto fraco mesmo ficou por conta da personagem Marie, irmã de Skyler, que no começo da série tinha problemas de cleptomania e de uma hora pra outra esse arco foi abandonado. Ela é a personagem mais fraquinha da série.

Sendo uma série sobre tráfico e tudo mais, espere por algumas cenas bem bizarras e de humor negro. Logo nos primeiros episódios, Pinkman dissolve um cadáver com ácido, mas acaba não utilizando o recipiente indicado por Walter. O resultado é que ele dissolve o chão do banheiro e um pedaço de carne (que já foi um humano) simplesmente despenca do segundo andar da casa. Também já virou um clássico a cena em que policiais encontram a cabeça de um traficante colada no casco de uma tartaruga. Impactante também é o primeiro assassinato cometido por Walt (ainda na primeira temporada) e, posteriormente, o cometido por Jesse. São momentos tensos em que você percebe toda a dúvida e o remorso no olhar dos personagens.

Apesar de abordar o tráfico de drogas, Breaking Bad acerta em cheio ao não banalizar a violência. Às vezes passam vários episódios sem que aconteça alguma atitude violenta, mas quando acontece ela é realmente de cair o queixo. Na primeira temporada, a série também é bem sucedida ao mostrar o drama dos pacientes que lutam contra o câncer. A primeira sessão de quimioterapia feita por Walter é apresentada de forma bem lenta, mostrando cada gota do remédio que entra nas veias do personagem. São apenas alguns minutos de cena, mas que parecem uma eternidade. Isso, somado aos excelentes roteiros, à direção e às atuações impecáveis por parte do elenco, fazem com que Breaking Bad seja um dos melhores dramas que surgiram nos últimos anos.

 

Compre as duas primeiras temporadas e corra assistir!!

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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