Olá seus delícias e maravilindos!

O medo é um dos sentimentos humanos mais primitivos. Foi um dos fatores chave que permitiu nossa sobrevivência ao longo de todo esse tempo e até hoje é uma ferramenta fundamental para o nosso funcionamento. Mas por quê estou falando sobre ter medo? Simples, porque todo mundo tem medo de alguma coisa. Principalmente quando somos crianças.

Quando somos apenas uma porção de gente, qualquer coisa nos assusta. O escuro, uma careta, um barulho um pouco mais alto. Mas acho que o número um na lista de pavores infantis são eles, os palhaços. Não sei quanto a vocês, mas no auge dos meus 23 anos eu ainda fico extremamente desconfortável com palhaços por perto.

E meus pais podem confirmar isso. Até hoje me lembro de quando tinha 4 anos e meus pais me obrigaram a ver o Professor Tibúrcio na tv. No primeiro “Olá Classe” teve choro, teve grito, teve chilique e até rolou um xixi na calça.

Se você tem um pouco de conhecimento sobre o gênero terror então sabe muito bem que os palhaços são figurinhas carimbadas nesse álbum. Um excelente exemplo disso é Pennywise, de Stephen King (<3). Você pode não ter lido o livro, visto o filme, ou saber o nome dessa criatura sobrenatural, mas com certeza já o viu pela internet. Ou também aquele maldito palhaço de Poltergheist.

Agora você me pergunta, “Mas Pazuzu, por que está falando de palhaços?” simples meu chuchu laranja, a resenha de hoje é sobre um filme cujo vilão é um deles. Agradeço ao amiguinho Chaves por me mandar o link desse filme <3

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Clown conta a história de um pai de família que tem a vida transformada em um inferno depois de vestir uma fantasia de palhaço. No entanto, comecemos do começo. É o aniversário do filho do protagonista e, por alguma razão misteriosa e lúdica e absurda, esse moleque é apaixonado por palhaços. A mãe, querendo agradar, contrata um desses palhaços animadores de festa. Porém, o cara não pode aparecer e sobra pro pai consertar tudo.

Por algum milagre, ele encontra uma fantasia de palhaço no porão de uma das casas que ele está reformando para alugar. Problema resolvido, o pai se veste de palhaço, o filho fica feliz e ninguém tem um surto nervoso no aniversário. Tudo lindo. Só que não.

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Depois da festa, o pai, exausto (e não o culpo porque já trabalhei como recreadora infantil e é um inferno na Terra), dorme no sofá da sala de fantasia e tudo. E é aí que as coisas começam a ficar estranhas. Pra início de conversa, ele não consegue remover a fantasia.

Ai você pensa, “Ah, ele deve estar suado por causa da agitação e da transpiração, é normal a roupa grudar desse jeito”. Contudo, não é isso. A fantasia literalmente fica grudada no corpo dele ao ponto do pai quase se matar no processo de tentativa de remoção. A esposa, que também é médica, vai ao auxílio do pobre palhaço desacreditando na história do marido.

Depois de conseguir remover o nariz de palhaço, levando um teco do próprio nariz junto no processo, o pai vai atrás do dono da fantasia com a finalidade de: Não sei, ele simplesmente faz isso. Após encontrar o proprietário, ele então descobre que o único modo de remover a roupa é através da decapitação de quem a estiver usando e que na verdade a roupa não é feita de tecido e sim de pele.

Em outras palavras, a pele da roupa e pele do pai estão se fundindo em uma coisa só. Um take que mostra bem esse processo é quando o palhaço está escrevendo um endereço e a câmera dá um close em sua mão. Logo abaixo do pulso é possível ver que não há limite entre tecido e pele.

Após escapar do velho maluco ele corre pra casa onde nem sua esposa nem seus parentes e amigos acreditam na história dele, como sempre acontece nos filmes. Além da roupa não sair, o comportamento do pai começa a mudar e uma fome absurda toma conta dele. E é a partir daí que a coisa degringola e a parte mais interessante do filme é jogada fora.

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Querendo proteger a família, o pai foge para o isolamento enquanto tenta lutar contra a fantasia tomando posse dele. Até aí, assumo que o filme estava interessante. O processo de transformação física e psicológica do pai era intrigante, no entanto, assim que o pai é jogado pra escanteio e o foco fica na família, prestar atenção até o fim foi bem difícil.

Como vocês bem sabem, não dou spoilers só quando necessário para a resenha e hoje não será diferente. Só posso dizer que a mãe, preocupada com o marido, começa a investigar o que está acontecendo e o argumento para justificar tudo é absurdo.

O filme muda para uma tentativa de Supernatural com sangue colorido onde o clima de suspense e tensão é tão forçado que fica insuportável. E o desfecho é simplesmente ridículo. Assumo que mais uma vez me deixei enganar pela edição do trailer porque a mensagem que o mesmo passava era de uma trama mais puxada para o psicológico onde o foco era o pai passando por toda essa transformação e como isso refletia em sua relação com esposa e filho.

Mas não. Nada disso acontece e o que você ganha é uma batalha do bem contra o mal, um ritmo de desenvolvimento monótono e uma tentativa de dilema moral frustrada. Quero acreditar que as intenções desse filme eram a de assustar e reforçar mais ainda o medo e desconforto que sentimos a respeito de palhaços, mas essa película não serve nem pra isso.

 

Título: Clown (EUA/Canadá, 2014)

Duração: 100 minutos

Diretor: Jon Watts

Elenco: Andy Powers, Peter Stormare, Eli Roth, Laura Allen, Elizabeth Whitmere e Christian Distefano

Nota: 3,5

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