Ah os americanos, sempre tão preguiçosos que fazem refilmagem de filmes estrangeiros pra não precisar ler as legendas. A preguiça dos caras é tanta que até os seriados de tv precisam ser adaptados para o formato ao qual eles estão acostumados: dramas devem ter episódios entre 40 e 45 minutos, enquanto comédias não devem ultrapassar os 25 minutos. Daí a necessidade de fazer remake até mesmo de seriados. A vítima mais recente dessa prática foi a excelente série britânica Sherlock, que já foi resenhada aqui mesmo na MOB, ganhou uma versão americana com o nome de Elementary.

Eu já estava falando mal desse seriado desde o dia em que anunciaram sua produção, quando disseram que ele se passaria em Nova York e que Watson seria uma mulher (RISOS). Claro que eu não poderia ficar falando mal de algo sem assistir, então lá fui eu encarar o primeiro episódio da série, afinal, mesmo com todas as mudanças talvez pudesse sair algo bacana (tá, nem eu acreditei nessa). Como eu já suspeitava, o fato de Watson ter mudado de sexo é o menor dos problemas aqui. A julgar pelo episódio piloto, Elementary promete ser apenas mais um seriado sobre investigação padrão, com um caso novo sendo resolvido a cada semana, sem que cada um tenha relação entre si.

A explicação para Sherlock e ~~~Watson~~~ começarem a morar juntos não podia ser mais imbecil. O detetive britânico acabou de fugir de uma clínica de reabilitação (porque nos EUA um “herói” não pode ser dependente químico) e aí o pai do protagonista contrata a doutora Watson para morar com seu filho durante seis semanas, ajudando para que ele não tenha uma recaída. Caso Sherlock não aceite a ajuda, ele será despejado do prédio onde mora, uma vez que seu pai é o dono. Eu posso ter entendido errado, mas parece que transformaram o brilhante Sherlock Holmes em um filhinho de papai que vai ficar desabrigado caso não aceite a ajuda.

Claro que nada é tão ruim que não possa ficar pior. Para gerar uma identificação maior por parte do público, o Sherlock de Elementary (interpretado por Jonny Lee Miller) é um pouco menos arrogante, mais sorridente e mais simpático. Em determinado momento do episódio ele chegou a admitir para a Lucy Liu (desculpem, não dá pra ficar chamando de Watson o tempo todo) que estava errado em uma situação e que ela fez a coisa certa. Ele também é menos excêntrico que o original britânico (interpretado com maestria por Benedict Cumberbatch), o máximo que foi mostrado é que ele possui uma criação de abelhas no terraço do prédio.

E se o Watson britânico (Martin Freeman) era um veterano de guerra que volta pra casa traumatizado por todos os horrores que viu por lá, a versão americana é uma mimizenta. Ela era uma cirurgiã que, após cometer um erro, deixa um paciente morrer. Ao invés de dar a volta por cima e tocar a vida, ela decide largar a medicina e trabalhar como acompanhante de ex-viciados. Mas não deu nem tempo de me concentrar nessa tosquice, pois logo em seguida ficamos sabendo porque diabos Sherlock Holmes se mudou da Inglaterra para os EUA. Ao que tudo indica, o cara teve uma desilusão amorosa. Eu disse DESILUSÃO AMOROSA. Sério, Sherlock americano? Tu mudou de continente por causa de uma mulher?

O roteiro desse primeiro episódio, que envolve o assassinato de uma mulher, também é bobo e fica meio na cara quem é o assassino. Além disso, em apenas dois dias de convivência com Holmes, a doutora Watson já começa a mostrar talento para investigação. A produção da série também é preguiçosa e extremamente padrão. Esqueça todas aquelas pirações da original britânica, com informações pipocando por toda a tela, Elementary não tem NADA disso, em nenhum momento você se sente dentro da mente de Sherlock Holmes. A julgar por este primeiro episódio, a única forma da série ficar divertida é se considerarmos que ela é uma paródia e assistí-la bêbado. É, taí uma boa ideia para acompanhar o segundo episódio.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

13 COMENTÁRIOS

  1. =

    PQP… mais uma vez os americanos querendo embarcar no sucesso das séries britanicas e com isso enfiando os pés.pelas.mãos aiai

    Acho que já deveriam ter aprendido, se não conseguiram com Skins que era “fácil” como poderiam conseguir com Sherlock aff…
    vlw o post man (( ps.: adorei os banners )) hAHAH

  2. Tbm assisti o piloto e sinceramente não senti nenhuma mudança de um episodio de Castle ou CSI(todas as franquias)…
    Um roteiro já trabalhado e mastigado pra dar pronto na boca da audiencia americana com preguiça de pensar.
    Fiquei MUITO frustrada como as criticas americanas falam maravilhas desse seriado!
    Essa formula Holme e Watson já é batida e funciona muito bem ( exemplo mais recente e famoso é o seriado House – Gregory House e John Wilson) e a CBS poderia manter esse formato do programa e simplesmente mudar os nomes dos personagens, mas é elementar que a CBS quer uma carona no sucesso do Sherlock (BBC)!

    • Infelizmente, os americanos nunca conseguem admitir que fizeram alguma coisa melhor do que eles, daí as críticas positivas. Mas é bem como você falou, o título da série poderia muito bem ser CSI: Qualquer Coisa.

  3. preguiça de pensar é o menor dos problemas, pior é preguiça de CRIAR. CRIAR COISAS NOVAS!!! precisa apodrecer uma coisa boa?!

  4. se a série é ruin ou não o que vai decidir o futuro dela é a audiência americana, e se depender disso a série vai viver pelo um bom tempo,eu particulamente não leio reviews antes de assistir um pilot de uma série isso deixa uma má imagem da série quem ler nem chega a assistir só pelos comentários absurdos de uma pessoa que não gosta da série e quer fazer os outros não assistirem de forma não expressiva.Isso é sua opinião sobre a série eu já acho outra coisa cada um tem seu gosto.

    • Sim, você tem razão, essa é a minha opinião sobre a série. É pra isso que serve um texto opinativo. Quanto às pessoas deixarem de assistir por causa do texto, acho até muito bom, assim elas podem assistir coisas melhores.

      E já que você acha a série boa, seria interessante comentar quais os pontos bacanas que você achou nela, não apenas criticar o fato de alguém não ter gostado.

  5. Bom, pelo que eu entendi quando li notícias sobre Elementary antes de ir ao ar, foi que a série não teria como foco as realidades da história original do Sherlock. O Sherlock da série, realmente, não tem praticamente nada do Sherlock verdadeiro. Isso chamou a minha atenção. Eles usaram um nome famoso, em algo que não faz jus ao mesmo. Achei incrível a maneira como colocaram esse personagem: um viciado e um ótimo detetive. Adorei ver também como ele ficou com um estilo único e diferente. Jonny Lee Miller consegue o interpretar divinamente bem. Fica muito divertido!
    Eu achei interessante a maneira como colocaram pequenos fatos do cotidiano, como o uso de drogas, a relação entre pais e filhos, erros médicos, psicopatas, etc. Adorei o fato de colocarem uma mulher para interpretar Watson. Mostra que as mulheres são inteligentes e ótimas parceiras. A história de uma cirurgiã desonrada que vira acompanhante de sobriedade me fez pensar em como um erro pode virar nossa vida de cabeça para baixo, mas que pode nos levar ao lugar que pertencemos. Enfim, gostei da ideia. A série tem um toque único. Isso chamou a minha atenção e deve ter chamado a de muitas pessoas. Sei que o Sherloke Holmes verdadeiro é único! Com toques que somente ele tem! Mas esse fato não foi colocado diretamente no enredo. Só podemos dizer que esse Sherlock “moderno” é um inglês, extremamente observador, com um ego gigante e habilidades incríveis.
    Respeito quem não gostou da série. Suas observações foram boas, mas eu precisava deixar a minha opinião aqui.

  6. Loool vei, ainda bem que eu realmente não assisti essa série XD só pela sua resenha eu percebi o quão absurdo é essa adaptação dos caipiras HUDSSHADUHDUHAUDAUHSUSHUDUH Mas o pior foi “Sherlock fugindo por DESILUSÃO AMOROSA”. PORRA, O SHERLOCK É CASADO COM O TRABALHO DELE (e potencialmente gay haudhuahduahdaudasdhuhud) O___O””””

    Boa sorte se for continuar resenhando isso, pq eu sinceramente teria largado nos primeiros 15 minutos (e quem sabe ido tomar um porre pra esquecer ahusdadhauhdu)

    [ps: “Benedito” forever, ele fica mto bem de Sherlock <3 *principalmente quando desembesta a falar e nem lendo a legenda dá pra entender haudhaudhshd*]

  7. Eu gostei de Elementary. Nunca tinha parado para pensar da perspectiva apresentada, mas hoje fiquei meio desiludida quando ao terminar de assistir o episodio 21 da primeira temporada percebi que estão tentando formar um casal entre o Sherlock e “a” Watson. Sinceramente, não funciona.
    Sou mulher, admito que gosto de ver romance em tudo, ler sinais nas entrelinhas e etc. Mas quando paro para assistir uma série com S. Holmes quero ver o detetive em ação e não um cara romântico que tem dificuldades em expressar seus sentimentos e etc. Tudo bem que os “hermanos” norte-americanos devem estar tentando dar um ar mais “humanizado” ao Sherlock, porém, desse jeito não vai funcionar. Quebrou todo encanto pensar que daqui há alguns episódios o Sherlock vai estar dando uns “pegas” na Watson e discutindo relação enquanto desvendam um caso… =\
    Solução: Assistir o Sherlock britânico e deixar o norte-americano pra mero lazer! =D

      • Comecei a assistir o Sherlock da BBC, e de fato não me arrependi!
        Ele é ótimo, jovem, atual, e totalmente Sherlock, “paixonei”!!!!
        #kkk
        E agora é aguardar os próximos capítulos de Elementary pra saber se minhas suspeitas vão se confirmar… =\
        Te aviso antes caso confirme o fato! ;)

  8. Elementary é uma serie excelente, você por acaso leu algum livro de Sherlock Holmes ou so assistiu o filme e a serie da BBC, por que ela também não é perfeita… Achei seu texto interessante como a falta de informação e pode fazer as pessoas. Se você não sabe Sherlock Holmes não é uma historia policial e sim o poder que uma amizade e transformação e se vc leu os livros vai ser que Watson muda Holmes. Acho elementary fiel ao relacionamento de Holmes e Watson assim como Moriarty de Elementary foi perfeito e pura maldade. Recomendo que leia e assista novamente antes de falar bobagens

  9. Eu já havia assistido a alguns episodios de ‘Elementaty’ (antes de ler este post, que fique bem claro) mas já com as perspectivas de otimismo em apenas 50% porque colocar uma mulher para ser Watson é imperdoável. Sim, eu concordo com alguns dos pontos mencionados em sua crítica, mas em minha opinião, essa foi a pior coisa que há na versão americana.Isso funcionaria se fosse uma série sem pretensão, como por exemplo, Lei e ordem: Criminal Intent, onde a dupla principal foi inspirada ( veja bem, ‘inspirada’) em Sherlock Holmes. Mas eu não acredito que isso iria funcionar em versões ‘oficiais’, como é o caso de ‘Elementary’, uma espécie de ‘resposta’ ao sucesso britânico. Pelo que eu entendo, o relacionamento entre Sherlock e Watson é aquele mostrado na série da BBC, o mais próximo do original de Sir Doyle, pois Sherlock é descrito como uma criatura anti-social, arrogante, fria, comparada a uma máquina calculadora, em que tudo que importa seja o trabalho. É de esperar que ele não tenha nenhum tato para interações pessoais. Então sim, ele muitas vezes maltrata as pessoas ao seu redor, tratando-as como inferiores, mesmo seu bom amigo Watson ( que só teve certeza dos sentimentos de Holmes depois que este pensou que Watson estava morrendo, de acordo com um dos romances do detetive). TODAS as versões Holmes o retratam assim, os filmes com RDJ, A versão da BBC, O dr. House, todos são mesmo muito grosseiros com as pessoas a seu redor. Curiosamente isso não acontece quando suas parceiras são mulheres. Falem sério, já viram alguma série policial da TV americana onde mulheres teriam um tratamento ‘a là Sherlock Holmes’? Quantas mulheres não ficariam horrorizadas de como Holmes trata Watson da versão BBC? ( há uma personagem chamada Molly que não me deixa mentir) Não, a versão de ‘Elementary’ senhora Watson tem que ser quase um igual com Holmes, e é ai que a série mata se não tudo, pelo menos 50% da coisa. Sherlock é a estrela, sem dúvida, mas ele não existiria sem Watson, seu assistente. Isso mesmo, seu ASSISTENTE, e é por isso que eu não aprovo a versão americana, pois ela mata a essência do que é John Watson. Ele não tem a pretensão de ser mais do que Holmes, ele é o que é, o ajudante do detetive e acredito que a versão ‘fêmea’ americana não se contenta em apenas ser uma mera ajudante, ela tem que ser acima da média, não um ‘cérebro comum’, como foi a intenção do criador de Holmes. Mas isso não acontece em ‘Elementary’. A minha impressão é que aqui, a senhora Watson deve no mínimo, estar ao lado, não atrás de Holmes, logicamente para não ofender a audiência americana por inferiorizar uma mulher. Então resolveram que as coisas deviam ser assim mesmo, mas a dinâmica ‘Holmes-Watson’ a meu ver fica comprometida. E se o relacionamento dos dois fica comprometida, eu tenho problemas em aceitar essa versão. Se fosse qualquer outra série de casal de detetives não seria problema, mas não Watson -Holmes. Caramba, ao meu ver isso foi uma heresia, sem falar que quem viu a versão Freeman de Watson não aceita esta versão Lucy Liu ( nada contra a atriz, ela é boa, mas como Watson…dá um tempo) Minha opinião ( já que todos fazem questão de dizer que é só uma opinião), é que a série americana é excelente como uma ´serie comum de investigação, mas como uma série ‘Sherlock Holmes’ deixa bem a desejar. A versão BBC é melhor para quem quer ver uma grande série baseada no personagem de Doyle.

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