Blood: Old MS-DOS Games

NOTA: Este texto seria publicado na semana passada, mas o autor do mesmo, Felipe Storino, faleceu em pleno dia dos finados. Tivemos então que, esperá-lo voltar do mortos para que finalmente o moribundo escrevesse o texto.

Continuando com nosso especial de Halloween aqui na MOB, hoje falarei um pouco sobre o terror no mundo dos games. Apesar do que os mais jovens podem imaginar, os games de terror não começaram com Resident Evil, muito menos com Dead Space. Já na década de 1980, os Belmont caçavam o pobre Drácula em Castlevania, do Nintendinho 8 bits. Muitos podem argumentar que o jogo não é de terror e sim aventura em plataforma, mas era o que dava pra fazer na época. O design de algumas fases era realmente sinistro,  com cenários destruídos, trovões e cabeças de medusa atacando o jogador.

O Nintendinho possuía ainda outro clássico dos jogos com criaturas assustadoras: Ghost’n’Goblins, da Capcom. No game o jogador assume o papel de Sir Arthur, que deve resgatar sua amada princesa das garras de ninguém menos que Satan, rei do Mundo dos Demônios. O jogo mistura praticamente todos os monstros e clichês do terror, colocando inimigos como zumbis, fantasmas, a morte (com foice e tudo) e, claro, Satan. Além disso, Ghost’n’Goblins assustava o jogador com sua dificuldade insana. Pra começar, o personagem só podia ser atingido no máximo duas vezes pelos inimigos. Na primeira vez, Arthur perdia a armadura e corria só de cueca pelo cenário, enquanto na segunda o destino era a morte.

Além disso, ao derrotar o último chefe, o jogador era informado de que tudo não passou de uma armadilha de Satan e que é necessário jogar tudo de novo, em uma dificuldade mais alta ainda, para ver o verdadeiro final. Claro que tudo pode ficar pior. Para conseguir derrotar Satan, era necessário uma arma específica, que só podia ser encontrada em uma determinada fase. O problema é que essa arma não ficava à vista, o jogador tinha que procurá-la. Sem saber disso, era comum chegar no último chefe e ser enviado de volta à fases anteriores para procurar a tal arma. No Super Nintendo tivemos versões de Castlevania e do próprio Ghost’n’Goblins, que levou o nome de Ghouls’n’Ghosts.

A popularização desse gênero veio mesmo na época do primeiro PlayStation, quando foi lançado o clássico Resident Evil, que fazia uma salada de vários clichês do cinema de terror: mansão abandonada, zumbis, criaturas mutantes, laboratórios secretos e até mesmo cientistas loucos. Essa mistura toda acabou dando certo e a franquia tá aí até hoje, embora com jogos de qualidade duvidosa. Outro clássico surgido nessa época foi Silent Hill, que trouxe para os videogames o clássico terror japonês, com personagens que vivem numa linha tênue entre a sanidade e a loucura, enfrentando criaturas extremamente bizarras. Silent Hill se destaca ainda por transformar lugares comuns, como escolas e hotéis, em lugares muito assustadores.

No PlayStation 3, a franquia Dead Space trouxe para o mundo poligonal outra vertente comum nos cinemas: o horror espacial. Já dizia o cartaz de Alien, “no espaço ninguém vai ouvir você gritar”. A série é uma das mais assustadoras que existem hoje em dia principalmente pela sua capacidade de distorcer tudo que já conhecemos sobre o gênero. Os ambientes são repletos de locais onde tradicionalmente você levaria um susto e…nada acontece. Tudo isso para, um minuto depois, uma criatura pular de um lugar onde você nunca imaginaria que ela poderia estar.

Existem ainda os jogos que não são exatamente de terror, mas são muito perturbadores. Um dos melhore exemplos é Manhunt, no qual o jogador controla um personagem que foi condenado à morte, mas acaba sendo “salvo”. Em vez de ser morto, ele é colocado para trabalhar em um filme do tipo snuff, no qual ele deve matar várias pessoas para obter a liberdade. O jogo é muito tenso, com várias mortes violentas e até abordando temas como a pedofilia. Por conta disso, ele foi proibido na Nova Zelândia, Austrália e Alemanha.

Claro que isso foi apenas uma passada rápida, relembrando alguns games de terror que me vieram à mente. Sei que faltaram nomes como Fatal Frame, Amnesia ou Eternal Darkness, mas se fôssemos falar detalhadamente sobre TODOS os games de terror isso aqui seria um livro. Então, façam a sua parte, usem o espaço de comentários e nos contem quais os seus jogos preferidos que fazem o sangue gelar.

PS: Como hoje é dia de finados, fiquem aí com um vídeo contendo várias mortes do Leon em Resident Evil 4.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

2 COMENTÁRIOS

  1. Faltou vc fazer uma menção honrosa ao primeiro grande jogo de terror de todos os tempos: Halloween – Atari 2600, jogo de 1983.
    Esse jogo da medo até hoje.

  2. Eu nunca joguei nenhum jogo da franquia Resident Evil, tirando o 4 e o em primeira pessoa que não me lembro o nome do jogo agora. Aliás, este RE em primeira pessoa era muito bom e foi, depois de Dead Space e Alan Wake, um dos jogos que me deu mais medo.
    Eu acho que os melhores de terror, em ordem de preferência minha, são:

    1 – Dead Space
    2 – Alan Wake
    3 – O Resident Evil em primeira pessoa
    4 – Amnesia: The Dark Descent
    5 – Slender

    Bom, acho que é isso. Comentário tardio, mas ótimo post.

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