O capeta não começou os seus trabalhos quando fez aquela menininha girar a cabeça e vomitar um treco verde em O Exorcista, de 1974. Não, não, ele já vem aprontando altas confusões há muitos séculos, quando tudo ainda era em preto e branco.

Exorcismo, do jornalista Thomas B. Allen não chega a retroceder tanto assim no tempo, mas volta lá para o final dos anos 1940 com o intuito de contar a história real que inspirou o livro de William Peter Blatty, que por sua vez deu origem ao clássico do cinema, O Exorcista. Se você se borrou de medo vendo o filme, sugiro que dê uma expiada no livro de Blatty, só não se esqueça das fraldas.

Exorcismo

Pois bem, num climão que lembra Invocação do Mal 2, Allen reúne tudo aquilo que pesquisou junto às testemunhas e narra os eventos em forma de historinha, nessa vibe de new jornalism do dianho. Se o jornalista fosse meu aluno de TCC teria que reescrever boa parte do texto, pois para algo que se pretende real, deixa muito a desejar no sentido de comprovação de fatos e citações fidedignas. Ele diz já de cara que Fulano de Tal desmaiou quando viu o filme em sei lá qual cinema, não sei quem passou mal em outro, etc mas não diz quem ou de onde ele tirou essas informações. Isso se repete ao longo de todo o livro, onde há uma riqueza de detalhes que fica bem difícil de supor que não tenham vindo da própria mente do autor. Há algumas referências no final do livro, mas como não há apontamentos das notas de rodapé durante a leitura, não sei ao certo o que o escritor pretendia com elas, pois ficam bem perdidas. É uma forma meio porca de tentar dar credibilidade pra coisa toda.

Outra questão importante, já que estamos na parte do mimimi, é que o livro começa com a narrativa do jornalista e no final temos o que seria a íntegra do diário do padre que é, veja só, praticamente a mesma coisa que acabamos de ler, inclusive com a mesma linguagem e pegada documental. A diferença é que no texto do Allen temos mais informações e mais floreios narrativos, enfim, tem um pouco mais cara de livro de terror. Não sei ao certo se haverá alguém entusiasmado com a ideia de ter que ler a mesma história duas vezes seguidas.

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Mesmo assim o diário do padre Walter Halloran, um sujeito que supostamente esteve presente durante todo o caso de exorcismo e que registrou uma porrada de coisas, é o grande trunfo de Allen. É ele quem dá o encadeamento dos fatos e torna o livro interessante apesar de todos os seus problemas.

Pois bem, em 1949, um garotinho (no filme mudaram para uma menina) comum, que vive numa família humilde de Maryland, EUA, começa a ouvir umas coisas estranhas. Não só ele, a família toda percebe que alguma merda está acontecendo. O fato de o garoto ter um tabuleiro de Ouija debaixo da cama (jovens, sugiro jogar só RPG mesmo) faria Sherlock Holmes franzir o cenho. Pra piorar, uma tia que curtia essas coisas do além morreu recentemente.

É aí que a coisa vira na desgraça de vez, pois não contente em balançar o colchão, o capeta (ou seja lá o que está ali dentro) resolve movimentar objetos pela casa e usar o corpo do guri como lousa mágica, escrevendo umas mensagens bizarras. Entram em cena então os padres pra resolver a treta diabólica.

Tal como Ana Maria Braga explicaria como fazer uma lasanha bolonhesa, Thomas B. Allen conta de forma exaustiva como é feito a porra de um exorcismo. E ele meio que não acaba nunca, são semanas e mais semanas de enfrentamento. Pra quem é aficionado pelo tema, prepara-se para pra vivenciar momentos catárticos envolvendo muito catarro e oração.

A sequência: jovem leva o dia normalmente, vai dormir, barulhos acontecem, padres entram em ação rezando, o diabo manda todo mundo tomar no cu, etc se repete várias vezes, mais de vinte provavelmente, então há de se ter muita paciência tanto para vencer o capeta, quanto pra terminar de ler o livro.

Uma das coisas mais legais, além dessa sensação de que você está lá naquele quarto medonho, são as questões históricas que fizeram parte da pesquisa do autor. Ele as usa com moderação, já que o foco é o garoto endemoniado, mas ficamos sabendo, por exemplo, de um convento que foi assolado por uma espécie de epidemia de possessões, com freiras se tornando encapetadas após um padre ter sido morto na fogueira.

Enfim, Exorcismo não é um livro que chega a tirar o sono, mas que pode fazer você dormir com a luz acesa.

[quote_box_center]Obs: A versão Limited Edition deste livro nos foi enviada pela própria Darkside Books, devido a nossa parceria de longa data com a mesma. O que não afeta o nosso julgamento sobre a obra em si.[/quote_box_center]

exorcismo-darkside-capa-finalExorcismo

Autor: Thomas B. Allen

Tradutor: Eduardo Alves

Editora: DarkSide®

Páginas: 254 (estimadas)

Especificações: Limited Edition (capa dura), 16 x 23 cm.

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