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Na última segunda-feira, enquanto visitava o Catraca Livre, achei uma notícia muito interessante que divulgava um evento que aconteceria no Cine Livraria Cultura. Tratava-se da exibição gratuita do tão esperado filme Faroeste Caboclo, com direito a debate com o diretor René Sampaio, juntamente com os atores.

Tudo que eu tinha de fazer era aparecer por lá uma hora antes da sessão, que estava marcada para começar às 21 horas dessa terça (22/05), para retirar os ingressos.

Problema é que, como todos sabem, Legião Urbana tem esse nome não por acaso, existe uma verdadeira legião de fãs por ai. E obviamente, esses fãs haveriam de comparecer ao evento. Pois bem, uma fila gigantesca estava formada quando cheguei por lá, por volta das 18:30 horas. Acabando com as minhas esperanças de conseguir entrar para ver a linda da Isis Valverde, digo, para ver o filme.

Contudo, quando estava indo embora, encontrei um amigo lá para o final da fila e fiquei por ali, conversando com ele, já que o metrô estava ainda mais cheio. O tempo foi passando, as pessoas foram desistindo, a fila foi andando e eis que, conseguimos entrar na sala. Sala que, cabia cerca de 300 pessoas pelo que me informei, mas que, estava absurdamente abarrotada, com umas 600 possivelmente. E é ai que o problema começou – estourou -.

Quando eu disse que todos sabiam que era uma legião de fãs, me esqueci de excluir da citação os organizadores desse evento. Esses, não imaginaram que muitas pessoas apareceriam por lá e não se preparam para tal público. Pode isso, Arnaldo?!

A retirada dos ingressos foi péssima. Os ingressos foram dados aleatoriamente, não respeitando as pessoas que estavam na fila. Pessoas furaram a fila. Não tinha gente para dar informações sobre a entrada, deixando todos perdidos sobre a lotação da sala. Enfim, em consequência dessa péssima logística, uma confusão se alarmou adentro da sala. Pois, os organizadores ameaçaram cancelar o evento, alegando que as pessoas haviam invadido o lugar, quando na verdade não foi nada disso. A situação só se estabilizou quando o diretor do filme René Sampaio prometeu e deu para os que estavam em pé, ingressos do filme, para serem usados a partir da estreia do mesmo.

E finalmente, com mais de uma hora e meia de atraso, as cortinas e abriram e a sessão começou.

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Faroeste Caboclo – O Filme

Finalmente fizeram um filme da tão famosa música do mesmo nome. Uma música que tem cerca de 9 minutos, com uma história fascinante que muitos aprenderam a cantar, e que dispensa apresentações.

De cara, já digo a você que pensa que o filme se trata apenas de uma encenação fiel, palavra por palavra da letra da música; que você está enganado.

O diretor iniciante René Sampaio e os roteiristas Marcos Bernstein (Central do Brasil) e Victor Atherino, fizeram muito mais do que isso, eles conseguiram captar a essência da música e contaram uma linda história. A saga do tal João do Santo Cristo.

Faroeste Caboclo: João de Santo Cristo
João de Santo Cristo

Aqui, João (Fabrício Boliveira) não é o mesmo bandido destemido da música, nem o mesmo moleque que roubara o dinheiro das velhinhas no altar da igreja. João é o menino do interior da Bahia que viu seu pai sendo assassinado por um policial, após tê-lo defendido de uma agressão em um bar. Uma pessoa normal que buscou vingança anos mais tarde, e acabou sendo preso por isso, em sua tentativa de fuga.

Pagada a sua dívida com a sociedade, João foi para Brasília em busca de uma vida nova e melhor. Lá, encontrou o neto bastardo do seu bisavô, Pablo (César Troncoso), um peruano traficante que trazia drogas da Bolívia. João começou então  a trabalhar no ramo do seu primo, vendendo a melhor droga da cidade pela região.

Faroeste Caboclo:Maria Lúcia e João
Maria Lúcia e João

Já em sua primeira saída, a casa quase caiu. Cercado pela polícia, o agora João do Santo Cristo se refugiou em uma casa e acabou por conhecer Maria Lúcia (Ísis Valverde), filha de um senador (Marcos Paulo). E como não poderia deixar de ser, eles se apaixonaram – eu continuo apaixonado pela Ísis Valverde, por sinal -.

Faroeste Caboclo: Jeremias, o playboy traficante.
Jeremias, o playboy traficante.

Pela sua amada, João prometera não mais traficar e voltar a ser carpinteiro. Mas como a vida não é como nos sonhos, outro personagem importante deu as caras no filme, o playboy e traficante Jeremias (Felipe Abib). Jeremias sempre foi apaixonado por Maria Lúcia, mas ela nunca deu bola para ele. Isso, aliado ao fato de João do Santo Cristo vender uma droga de melhor qualidade que a dele, prejudicando o seu negócio com os riquinhos da cidade; provocou uma guerra entre eles.

Guerra que se encaminhou para o embate final contido na letra da música. Um embate muito bem adaptado e coerente  para com o contexto do filme.

“Cada um de vocês monta um filme diferente e inigualável da música em sua mente. Essa é uma das versões que podem ser montadas.” René Sampaio

Nessa versão, o foco da história é o amor entre João e Maria Lúcia, em uma versão Romeu e Julieta faroeste cabocla, com um homem negro e uma mulher rica.

O filme é perfeito? Não. Difícil de acreditar que Maria Lúcia se interessaria por João da maneira que eles se conheceram, e da maneira que João estava ainda por cima. A fuga da cadeia foi meio acelerada também. Mas nada que comprometa o filme, já que, como eu disse, a essência da música foi bastante respeitada.

Maria Lúcia e João, com um Winchester-22.
Maria Lúcia e João, com um Winchester-22.

Foi muito legal cantarolar a música para si durante a sessão para reconhecer as cenas da música, e no final, cantar com todos nos créditos. Legal também, foi pegar algumas referências da qual o diretor se inspirou, como uma cena do Scarface (1983), Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças (2004), O bom, o mau e o feio (1966) e também, algumas referências ligadas ao Quentin Tarantino.

Sobre a parte técnica do filme (fotografia, trilha sonora e etc) o filme ficou excelente, não deve em nada para produções hollywoodianas da mesma temática. E olha que orçamento do filme foi de apenas R$ 6 milhões, para minha surpresa, pois é de se estranhar que um filme com um potencial desse tenha tido inúmeras dificuldades na arrecadação de verbas e patrocínios.

Para finalizar, destaco a escolha do elenco. Fabrício Boliveira fez uma ótima atuação como o tal João do Santo Cristo, assim como Felipe Abib, que deu cara ao traficante playboy. Antonio Calloni também esteve muito bem em seu papel, interpretando o Marco Aurélio, um policial corrupto que dava cobertura ao traficante. Também o  César Troncoso, como o primo peruano. O ator Marcos Paulo, que fez seu último papel, interpretando o pai de Maria Lúcia. E por fim, a Isís Valverde, que deu um show como Maria Lúcia. Acabando com qualquer preconceito pela atriz ser da televisão, tendo feito seu primeiro filme agora.

É isso, espero que Faroeste Caboclo lote as sessões de cinema pelo Brasil, dando um grande retorno a todos que participaram da produção, com muito amor e com pouco dinheiro, mas com muito talento.

Faroeste Caboclo (Brasil, 2013)

Diretor: René Sampaio

Duração: 100 min

Nota: 8

 


 

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Designer (gráfico e web), viciado em séries e em filmes, colecionador, rockeiro, torcedor do Tricolor Paulista...

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2 COMENTÁRIOS

  1. Espero por esse filme desde que eu tinha uns 13 anos… Rsrs Me lembro que durante anos cantar Faroeste Caboclo foi meu mantra, pq eu sabia que quando eu acabasse já teria passado muito tempo, eu estaria mais calma ou dormindo. E essa música também me fez gostar de qualquer outra que conte uma história suficientemente longa e coerente… Enfim, ansiosa pelo filme!

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