Depois de Motoqueiro Fantasma 2, eu achei que nada seria tão ruim (ou pior) do que este filme. Mas acabei cometendo a burrada de ir assistir Fúria de Titãs 2 e agora estou com sérias dúvidas sobre qual foi a pior continuação até agora. O primeiro Fúria de Titãs já não era grande coisa, mas pelo menos apresentava algumas cenas de ação maneiras, enquanto neste segundo filme nem elas se salvam.

A história não podia ser mais babaca: Hades e Ares estão muito chateados com Zeus após os acontecimentos do primeiro filme e resolvem se vingar. Para fazer isso, eles planejam libertar o titã Cronos para que ele mate Zeus e destrua a humanidade. Neste momento, o público pensa “caramba, Zeus é tão poderoso que só um titã pode derrotar ele”. Porém, para conseguir libertar Cronos, é necessário que ele sugue toda a energia de Zeus e, para isso, Hades e Ares capturam o senhor dos deuses e quase o matam. Neste ponto, me lembrei do seriado do Batman dos anos 60, quando os vilões nunca matavam os heróis, apenas deixando-os presos para que pudessem escapar mais tarde. Afinal, se um dos objetivos era matar Zeus, pra que perder tempo libertando Cronos quando eles já estavam com a mão na massa?

Neste momento, eu já deixei todas as esperanças de lado e vi que a única diversão do filme seria considerá-lo como uma paródia de filmes de ação. As situações vão acontecendo sem muita explicação e sem fazer nenhum sentido. Poseidon, por exemplo, estava junto com Zeus e foi derrotado com poucos golpes, mas de repente ele já estava na Terra pedindo ajuda para o herói Perseu. Como assim Hades e Ares deixaram esse cara escapar? Enfim, é óbvio que Perseu abandona sua vida pacata (e seu filho) e parte em busca de ajuda para derrotar os deuses malignos, destruir Cronos, salvar Zeus, a Terra e quiçá o universo.

O mínimo que se espera de um filme com esse nível de história é que as cenas de ação sejam boas, mas nenhuma delas empolga de verdade e todas deixam bem claro o uso de computação gráfica. Uma das primeiras dessas cenas mostra Perseu enfrentando uma espécie de cão de duas cabeças e, em nenhum momento, é possível acreditar que o herói realmente está ali. Quando ele é agarrado pela criatura, por exemplo, é mostrado apenas o personagem em close dando socos em alguma coisa que é impossível identificar o que seja. A luta final contra Cronos então é uma decepção sem tamanho, principalmente para quem enfrentou essa criatura no game God of War 3. Na verdade, teria sido mais proveitoso ficar em casa jogando do que assistindo a esse filme.

Já que a ação do filme é tosca, vamos para os personagens, não é possível que personagens da mitologia sejam chatos. Mas eles são. Uma poça d’água provavelmente tem mais profundidade do que os personagens apresentados no filme. Perseu é o herói genérico que vai salvar o pai (e, se sobrar um tempo, o mundo). Andrômeda é uma rainha que não pensa duas vezes em largar seus comandados pra ir atrás de Perseu, por quem obviamente ela está apaixonada. Porém, o pior caso é o de Agenor, filho de Poseidon, que passa rapidamente de um bêbado para um grande herói como em um passe de mágica. Até dá pra entender que Perseu e Andrômeda sejam altruístas e simplesmente sigam em frente para salvar a humanidade, mas até agora não entendi a motivação de Agenor.

É triste também ver atores como Ralph Fiennes e Liam Neeson sendo tão mal aproveitados. Na verdade, os dois ainda protagonizam alguns dos momentos de mais vergonha alheia do filme, quando as cenas e os diálogos ficam idênticos a um episódio de Dragon Ball Z. E, apesar de ser fã de Goku e companhia, eu não disse isso como um elogio. Em determinado momento eu achei até que eles fossem fazer uma fusão para enfrentar Cronos.

Vegeta e Goku da Grécia Antiga

Chego ao final desse texto ainda sem saber qual das duas continuações é a pior: Fúria de Titãs ou Motoqueiro Fantasma. Só espero que estas duas bombas tenham servido apenas para preparar o caminho para Vingadores e Cavaleiro das Trevas Ressurge, dois filmes que prometem ser os melhores do ano.

 

Wrath of the Titans (EUA, 2012)

Diretor: Jonathan Liebesman

Duração: 99 min.

Nota: 3

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

5 COMENTÁRIOS

  1. Concordo quanto aos filmes serem ruins. Mas não concordo com qual filme vai ser o melhor do ano… Esse com certeza vai ser O Hobbit!

  2. Esse filme e o anterior nunca deveriam ter sido feitos. Quando penso em Fúria de Titãs lembro daquele filme antigo que assisti quando criança com monstros em stop motion que dava de 10 a 0 nesses em todos os quesitos nos filmes atuais.

  3. =

    Bom…nem perdi tempo com a continuação de Motoqueiro e ainda não assisti o Fúria de Titãs II, mas bem, se for na mesma linha do primeiro. Num deve ser lá grande coisa mesmo rsrs.
    E concordo com o “Grismak”, o Hobbit provavelmente vai ser dos melhores do ano.

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