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Ao longo da vida habituou-se a guardar dentro de um compartimento bem trancado e deixado em um local extremamente seguro: todos os traumas, decepções e fobias que o ato de viver lhe proporcionou.

Erro: o local era seu corpo, mais precisamente em sua mente, infectando sua alma.

Fazia isso automaticamente, pois acreditava superficialmente que dessa maneira conseguiria viver plenamente protegido de si.  Mas, no fundo sentia latejar a certeza de que aquele amontoado de tranqueiras velhas e inúteis não estava tão bem guardado assim.

Pior, sabia que vira e mexe esse amontoado tomava vida própria. Na verdade ele tomava o comando de sua preciosa vida. E nesses momentos, Pedro vivia plenamente o papel de uma marionete: tentava retomar o controle, mas via essa atitude como algo muito complicado, praticamente impossível.  Preferia manter-se acomodado – encolhido em um cantinho escuro de seu Ego.

Nesse cantinho conseguia observar aquelas coisas sofridas – antes guardadas, com forças suficientes para destruírem seus sonhos, suas relações de amizade, seu convívio familiar, a relação com a moça que sempre pediu aos Deuses para encontrar…

Enfim, via aquela porção obscura dentro de si angariar mais traumas, decepções e fobias.

Uma verdadeira e horrenda bola de lama!

A força destrutiva dessa tal bola poderia ser neutralizada, desde que Pedro abrisse o compartimento tão bem guardado e jogasse para fora de sua alma: cada trauma, decepção e fobia armazenadas há tanto tempo.

Além de travar uma luta diária com ele mesmo para não acumular mais o que não tinha serventia e fazia tão mal.

Mas o receio de não ser capaz de desmanchar a bola de lama e vencer essa luta foi maior, e o medo não permitiu que Pedro enxergasse o óbvio: é leve e saudável manter nas gavetinhas da alma apenas boas lembranças e bons sentimentos, e assim poder reviver acontecimentos que são capazes de colorir o cotidiano.

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