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“Hoje em dia, paro e penso: ‘cadê uma banda de rock?'” Tá aqui

25 de janeiro foi aniversário de São Paulo e, pra comemorar, houve muitos eventos pelo centro da cidade. Um deles foi um mini-festival promovido pelo Lollapalooza na famosíssima Galeria do Rock, com bandas de alto nível, tocando na faixa pra quem quisesse chegar.

Aproveitei o ensejo para fazer minha primeira entrevista relevante da vida com os caras do Tokyo Savannah.

A banda começou a fazer um som em 2009 e lançou seu primeiro disco em 2011. O som dos caras é excelente, uma verdadeira porrada nos tímpanos pra quem gosta de um rock’n’roll lascivo, agressivo e selvagem. Eles fazem parte do elenco de bandas que tocarão na edição deste ano do Lolla, junto com bandas consagradíssimas como Cake, The Killers, Pearl Jam e Queens Of The Stone Age.

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O power-trio conta com Chico no Vocal, Snoopy na bateria e Johnny no baixo, e só, porque como eles mesmos dizem: “Essência é essência“. Super humildes, cederam numa boa a exclusiva para a MOB, falando sobre a cena underground, as expectativas para o futuro, o estilo do som e muita atitude rock’n’roll.

Apresento abaixo, orgulhoso, a íntegra da entrevista com os caras. Confira!

Pra começar, eu não vou perguntar como vocês se conheceram. Acho isso meio clichê. O que importa é que vocês fazem um som foda juntos. Mas e esse nome ? De onde vocês tiraram ?

Chico: Tokyo Savannah foi uma viagem do Johnny, nosso baixista. Quando a banda chamava Dead Rats ainda, nós escrevemos uma música com esse nome. Aí, a gente achou super sonoro, por ser um nome forte. E tem aquele paradoxo né? A selvageria da savana com a modernidade de Tóquio.

Tóquio que não deixa de ser uma savana moderna…

Chico: Isso! Mas aí a gente resolveu mudar o nome, porque Dead Rats era muito punk, e a gente não era mais tão punk assim. No começo o intuito era tocar punk mesmo, mas a identidade da banda não era mais essa e resolvemos trocar pro nome de uma música que gostamos muito.

E essa coisa de tocar punk ? Vocês acham que ‘’Não vingava mais’’ em 2009 ?

Chico: Meu, se você pegar pela definição, nosso som é punk, quero dizer, pra quem conhece é punk. Pra quem não conhece, é rock’n’roll.
Snoopy: Cara, eu acho que o punk rock sempre vai vingar…

Exato. Eu percebi que vocês tem uma influência bem clara de punk rock, um rock’n’roll de garagem, aquele bem rasgado, bem enérgico. Até me soou relativamente parecido com Queens Of The Stone Age. Vocês curtem? Tem uma influência ?

Chico: Cara, a gente gosta. Uns mais, outros menos, mas a gente gosta.
Snoopy: Acho que pelo fato de termos escutado muitos tipos de som – a gente não é novinho né? – as influências acabam sendo menos diretas, sabe? Acaba vindo meio que por osmose. Não é nada planejado, tipo : ‘’vamos fazer um som parecido com tal banda’’. A gente gosta de um monte de coisa, e nosso som acaba sendo resultado disso.
Chico: E acontece que quando a música começa a tomar forma, ela meio que vira dona dela, naquela característica própria.

E ela se forma sozinha ou vocês trabalham muito pra criar ?

Chico: Não, a gente é bem cuidadoso. Claro que ela tem essa forma dela, porque toda música tem uma forma…
Snoopy: Umas saem mais fácil, outras demoram um pouco mais, precisam de mais lapidação e tal. Tem música que a gente desiste de fazer, mas depois retomamos e trabalhamos mais um pouco pra terminar.

Porque o som de vocês tem uma qualidade bem diferente de outras bandas undergound. É muito bem produzido.

Chico: Legal, legal ! A gente ensaia bastante, somos exigentes. Tem sempre uma cobrança. Esperamos chegar um momento certo, em que tá todo mundo satisfeito, pra poder gravar. Se tem alguma coisa que algum dos três não acha que tá legal, a gente pára e tenta melhorar de qualquer forma.

Agora, espero que vocês não entendam mal, porque eu sei que o tema é polêmico. Mas por vocês serem uma banda brasileira, compor em inglês é realmente necessário?

Snoopy: Cara, depende do que é coerente pro trabalho da banda. Se uma banda quer muito tocar na rádio e fazer sucesso aqui no Brasil, e ela canta em inglês, eu acho que ela tá equivocada. E nosso intuito não é esse, fazer sucesso e tocar na rádio aqui no Brasil. A gente pensa mais no aspecto da música em si, e achamos que a estética do rock em inglês é mais legal pro nosso estilo. Todas as bandas que a gente escuta cantam em inglês, então, pra nós isso é natural. É claro que a gente não vai mudar a idéia da letra pra se adequar no idioma…
Chico: É, a gente não fala ‘’tava andando na rua em Nova York…’’ (risos) E é referência mesmo. Crescemos ouvindo Ramones, Sex Pistols…
Snoopy: A banda brasileira que eu mais gosto canta em inglês, que é o Sepultura.

Porque o que eu reparo é que as bandas underground que almejam ser mais comerciais e atingir o mainstream acabam fazendo um som mais esteriotipado e cantando em português, até porque é mais fácil. Acho que essa não é a intenção de vocês, né ?

Chico: A gente acredita que vamos atingir o público com nossa atitude e com o rock’n’roll que tá em falta pra eles. Hoje em dia eu paro e penso “porra, cadê uma banda de rock ?”’. É nesse pensamento que eles vão se identificar com a gente.
Snoopy: E tem um preconceito nisso que é assim : você liga o rádio e tá cheio de banda gringa, cantando em inglês e a galera pirando, e aí a banda que é do Brasil não pode? Por que você pode curtir os gringos, mesmo sem entender o que eles falam, e não curte os brasileiros cantando em inglês ?
Chico: No mais, não tem discussão, a gente vai cantar em inglês e acabou !

Porra! Isso sim é uma atitude coerente de uma banda de rock, é o que tá faltando hoje mesmo! Vocês concordam ?

Chico: Então, não é que tá faltando no mundo. Isso tem bastante. Tá faltando espaço pra isso. Antigamente, o rock’n’roll era motivo de vergonha pra sociedade. Hoje em dia os pais estão tendo orgulho dos filhos curtirem rock, porque tá todo mundo tão comportado…
Snoopy: Mas tem que tomar cuidado, porque são duas coisas diferentes: o que tá tocando na mídia e o que tá acontecendo na rua. Na rua tá cheio de banda de rock, de metal, de punk, atuando de verdade. O que você vê na TV, no rádio e nos principais sites é outra história. Quando se trata de mídia, aí sim, tá faltando muita atitude e muito rock’n’roll de verdade.

Bom, mudando um pouco de assunto, vocês são uma banda relativamente nova, começaram em 2009, lançaram esse CD foda em 2011. Qual é a sensação de estar tocando num evento de um porte tão grande como o Lollapalooza ?

Snoopy: Ótimo, né cara ?
Chico: É, ótimo…

(Risos) Ótimo eu imagino que seja mesmo. Se eu tivesse uma banda, seria fantástico tocar num evento assim.

Snoopy: (risos) Cara, tudo que aumenta nossa visibilidade e possibilita a gente de tocar mais é sempre bem vindo. A gente não levanta nenhuma bandeira. Não é porque a gente defende um rock com atitude, que canta em inglês que a gente levanta a bandeira de ser underground, ter poucos fãs e quase ninguém conhecer. Nós não queremos isso, saca?

Então, tocar com bandas consagradas do mainstream como Cake e The Killers, pra vocês é lucro, né ?

Chico: Ah, com certeza é !
Snoopy: Exatamente, cada um fazendo o seu trabalho. Não tem preconceito.

Bom, e vocês acabaram de falar da ‘’bandeira do underground’’. Então, se rolasse uma proposta de gravadoras, vocês topariam ?

Snoopy: É aquela velha resposta né ? Se fosse pra alterar nosso som e transformar numa coisa que a gente não é, provavelmente a gente não ia querer. Mas se fosse um interesse real, tipo, alguém ouviu, gostou e quer abraçar a causa, aí beleza !
Chico : E não é que a gente não aceita opinião de ninguém. Nós chamamos um produtor pro nosso primeiro disco. Ele deu umas opiniões, cortou umas partes de músicas que não estavam bacanas, a gente concordou porque a música estava realmente mais legal, sabe ? A gente aceita pitaco, o que a gente não aceita é amolecer, por exemplo.
Snoopy: Essência é essência !

E o produto final ficou show de bola mesmo. Agora, pra finalizar e, aproveitando que o Johnny apareceu, me expliquem aquela arte de capa fantástica.

Johnny: A capa do disco é demais né ? O ilustrador (http://www.behance.net/lambuja) é um roqueiro brother nosso , gente fina mesmo. E a gente passou uma idéia mais ou menos pra ele, envolvendo briga de galo e umas garotas seminuas e quando eu vi estava aquela maravilha. E meu sonho é forrar a parede do meu quarto com aquela capa (risos).
Chico: Pois é, nossa capa ficou conhecida como ‘’A obra Tokyo Savannah’’. Deixou de ser uma capa. Virou um conceito de arte. Vi um mention no twitter falando ‘’Tokyo Savannah’’, quando eu abri era um site de design (risos).

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Encontre-os nas redes sociais, escute e baixe o CD dos caras nos links abaixo:

http://www.tokyosavannah.com/

http://tokyosavannah.bandcamp.com/

https://www.facebook.com/TokyoSavannah

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