Sempre que uma franquia de cinema passa muito tempo sem uma continuação e, de repente, resolvem produzir um novo filme sobre ela fica aquela sensação de que estão apenas fazendo mais caça-níqueis para arrancar dinheiro dos fãs. Por outro lado, é impossível resistir à vontade de ir ao cinema conferir como estão aqueles velhos conhecidos. Felizmente, Homens de Preto 3 não decepciona e serve para matar as saudades dos agentes J e K.

A história começa com a fuga do perigoso alienígena Boris, o Animal, de uma prisão que fica localizada na lua. Com um profundo ódio pelo agente K (que arrancou seu braço e o prendeu há cerca de 40 anos), o alien resolve voltar no tempo e assassinar seu desafeto antes que tudo aconteça. Quando o plano finalmente é colocado em prática, K é apagado dá história e nunca teve a oportunidade de criar um escudo que salvaria a Terra da invasão da raça de Boris. Por algum motivo, nesta nova realidade os aliens só decidiram invadir a Terra no nosso presente e apenas o agente J pode resolver a confusão, já que ele é o único que se lembra da história como ela era.

Embora seja um filme de ação e comédia, felizmente o filme não trata o espectador como um idiota que precisa de tudo mastigadinho. Já existem muitos filmes e séries sobre viagem no tempo por aí, talvez por isso o roteiro de MIB 3 não perca tempo explicando detalhadamente o motivo de J ser o único a se lembrar de como as coisas eram antes. Com uma simples frase de um personagem totalmente secundário, isso já fica claro para os amantes de ficção científica. Dessa maneira, o filme consegue agradar tanto os mais fanáticos pela ciência da viagem no tempo, quanto os que estão ali apenas pela ação, já que não precisam assistir a uma explicação chata sobre paradoxos e tudo mais.

 

Outra boa sacada envolvendo o tema principal do filme foi quanto à maneira de se viajar no tempo. Já que normalmente ela também é chamada de salto temporal, em Homens de Preto 3 é necessário que o personagem salte de um lugar alto e ative o aparelho de viagem na hora exata. Provavelmente, isso foi criado para fazer cenas em 3d durante a queda que causassem vertigem no espectador, mas não deixou de ser uma ideia muito bem bolada e que acabou auxiliando a história do filme mais pra frente.

Um dos pontos que se destacava na série era o visual dos aliens, sempre com formas originais e totalmente esquisitas. Neste capítulo temos um pouco menos de alienígenas aparecendo, mas o interessante é o visual deles quando J viaja para 1969. A grande maioria possui forma humanoide e um capacete em forma de aquário na cabeça, já que era assim que os alienígenas eram retratados nos filmes daquela década. Também é interessante ver as primeiras versões do neuralizador, incluindo uma que precisava fazer uma espécie de conexão, tendo até aquele barulho dos antigos modens de internet discada.

Porém, o grande destaque de Homens de Preto 3 fica por conta de Josh Brolin, que interpreta o jovem agente K. É impressionante como ele conseguiu ficar idêntico a Tommy Lee Jones. A maneira de andar e de falar, os trejeitos, tudo, absolutamente tudo, está igualzinho ao ator que interpreta K no presente. E mesmo tendo que “imitar” outro ator, Brolin ainda consegue adicionar algo próprio ao personagem, interpretando um agente K mais descontraído, que gosta de conversar e, vejam só, é até capaz de sorrir em determinadas situações. Me arrisco a dizer que só a interpretação dele já valeria o ingresso do filme. Outro personagem bem divertido e carismático é Griffin, um alienígena capaz de enxergar os vários futuros possíveis de exisitr e que ajuda os personagens em sua missão.

Não é um filme que vai fazer você querer voltar correndo ao cinema para assistir de novo, mas é divertido ver J e K em ação mais uma vez. O único porém fica por conta de uma cena perto do fim que é muito sentimental, destoando de todo o resto do filme. Mas nada que estrague o restante da produção. Agora fica a pergunta: se um quarto filme for produzido, será que eles vão dar um jeito de trazer Josh Brolin de volta?

Men in Black 3 (EUA, 2012)

Diretor: Barry Sonnenfeld

Duração: 106 min.

Nota: 8

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

2 COMENTÁRIOS

  1. Gostei bastante desse filme, pra mim a melhor parte são as pessoas reais que os Homens de Preto monitoram e que ficam passando naquelas TVs, tipo Lady Gaga e aquele jogador de basquete enorme!
    Aquela cena final distoa um pouco da ação do filme mesmo, mas é tããão fofinha, até chorei, rs; mas se parar pra pensar as aparições do Griffin também traziam algo meio sentimental, então acho que ficou bom. Já imaginava aquele fim depois daquela frase que você citou, dita lá no meio do filme + aquele militar negro… (suspeitei desde o princípio, rs)

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