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Cheguei em casa após um dia exaustivo. Após várias entrevistas, consegui bastante material para minha reportagem, tirei fotos e gravei horas de conversa. Nem todas vão servir para meu propósito mas… O importante é que metade do trabalho já foi. Corri São Paulo inteira atrás de personagens interessantes para minha história. Encontrei um humano e quatro animais. Se bem que chamá-los de animais é burrice.

Sempre quis chamar a atenção de meu editor. Queria que ele visse como trabalho duro e bem, não dou espaço para a opinião e sou super crítico. Mas não funcionou. Resolvi pegar essa pauta pra ver se mudo de ares, se procuro um novo estilo ou um novo modo de escrever. Não sei, vamos ver onde isso chega.

A reportagem não será muito grande e nem vai conseguir capa, mas já até imagino a manchete: “Humanimais: os seres vivos por trás da transformação”. A linha fina ficou fraca né? Mas tudo bem, o importante é a primeira parte. Humanimais… É o que eles são. Não perderam os instintos ferais mas aprenderam a se comportar de modo civilizado.

O que me chama a atenção é essa civilização. A maioria deles reclama de discriminação, preconceito. É complicado! Viver anos com um bichinho de estimação e, de repente, virou gente! Eu entendo completamente a indignação do dono do Sabugo Gonçalves. Chegar em casa e ver seu cão sentado no sofá, segurando um revólver e tomando sua cerveja? É chocante, pode apostar. Eles reclamam de exclusão social, aí vem Fofura dos Santos e diz que fugiu com suas seis irmãs no primeiro raio de sol. Sem pensar duas vezes!

Um cão com um revólver, sete gatas tomando o mundo. Uma delas virou stripper. Isso mesmo, uma gata stripper. Não sei onde esse mundo vai parar. Quando me encontrei com a tartaruga lá, aquela de cachecol, toda chique, me surpreendi. Ao invés de querer fugir, ela quis ser incluída na sociedade. O que aconteceu? Preconceito. Discriminação. Augusto Quelônio, professor universitário e super inteligente era visto primeiro como um cágado e depois como um estudioso especialista.

Talvez nós somos o problema. Falamos que somos gente quando somos tão animais quanto eles. Veja aquele ladrão, o P. Furo. Quando se viu precisando de algo, foi lá e pegou. Quando a enrascada chegou, fugiu. Hoje não vê outra opção a não ser viver como um marginal. Demos outra opção? Não. Escutamos seu lado da história? Não. Fazemos a mesma coisa com muitos prisioneiros sem pelagem ou focinho. Essa ilusão da única opção é algo que assombra a humanidade.

Marlon Periquito, por exemplo, resolveu ser músico e só se estrepou. Burocracia, injustiça, prepotência. Humanidade. Prefere a gaiola do que a exploração laboral. Será que é só com eles, com os animais? Acho que não.

Depois dessa jornada de trabalho posso dizer que os animais são parecidos conosco. Desculpe-me, quero dizer os Humanimais. Se eles se diferenciam em fisiologia, são semelhantes em psique. Esse fenômeno, do crescimento dos animais, ainda não teve explicação. E nem terá, se depender dos transformados. Imagine se alguém resolve reverter o processo? Ou talvez utilizá-lo de modo errado!

Aprendi, no fim das contas, que é dos humanos que tenho medo. Os animais cresceram e estão aí, buscando um lugar ao Sol. E os homens, o que fazem? Tapam o Sol com uma gigante peneira.

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