Olá suas delícias!

Hoje é mais um dia de texto novo e como vocês bem conhecem na MOB GROUND nós falamos sobre TUDO, de ocultismo até arte digital passando por idas épicas à Campus Party e resenhas de Clube da Luta. Se vocês acompanharam nossa trajetória e meus textos no Nerds Somos Nozes então bem sabem que assuntos eu gosto de escrever a respeito. Hoje não vai ser diferente.

Você, pessoa que cozinha, esta cansado das mesmas receitas? Já tá de saco cheio daquele bife ao molho madeira, da costela de porco ou de frango à passarinho? Não aguenta mais comer aquele mesmo peixe frito com limão ou aquelas rodelas de calabresa com cebola? Ora, meu querido, chegou a sua vez de mudar o cardápio alimentício!

Por que não tentar uma coisa diferente e que provavelmente vai te colocar na cadeia se você não for malandro o suficiente? Por que não tentar algo mais desafiador e que exija mais força física e habilidade na hora do preparo? Algo mais emocionante e que seja uma experiência totalmente nova para o seu paladar e possivelmente para a sua vida?

Por que não tentar carne humana?

Nossos antepassados já faziam isso há muito tempo.

A antropofagia era um costume antigo de tribos como no Haiti, Ilha de Páscoa e Ilhas Fiji. Para eles, se alimentar do corpo de outro ser humano significava absorver as características dessa pessoa. Se no menu do almoço continha um cara valente e cheio de honra, ao comê-lo, você absorveria essas qualidades. É um “dois em um” maravilhoso minha gente! Melhor que liquidação!

O grupo mais famoso que praticava esse costume eram os astecas, que comiam seus prisioneiros de guerra praticando então a Exofagia. A Antropofagia com membros de tribos diferentes. Mas não pensem que os homens e mulheres astecas se livravam dessa não, às vezes rolava o Endocanibalismo, que é pra quem tem um estômago mais valente e realmente quer variar no cardápio, uma vez que essa prática só era realizada com pessoas mortas.

Literalmente, a palavra “Antropofagia” é uma junção dos termos gregos “Anthropos” (Homem) com “Phagein” (Comer). Mas com o passar do tempo, as pessoas começaram a usar a definição “Canibalismo”. No entanto, usar essa segunda palavra é errado, uma vez que o canibalismo é uma relação ecológica entre indivíduos da mesma espécie, cuja finalidade é simplesmente aplicar de um jeito mais hardcore a Lei da Seleção Natural de Darwin.

Em grupos de insetos, é normal o mais fraco ou deficiente ser devorado pelos amiguinhos para que todos os membros sejam favorecidos e não precisem ficar tomando conta do bichinho. Esse comportamento é bem presente em espécies de aranhas como a “Viúva Negra” ou no Louva Deus, que comem a cabeça dos machos depois da cópula.

Acredita-se que ingerindo o corpo do parceiro, as crias terão uma alimentação cheia de proteína e crescerão mais fortes. Desculpe destruir seus sonhos nerds de saírem com a Scarlett Johasson, mas foi necessário para a sobrevivência de vocês!

“Mas Bia, o que é que os sais de banho e essa palavra Segawa estão fazendo no título? Não entendi…”. A parte do Segawa eu até perdoo vocês, afinal nem todo mundo precisa ter noção do significado. Agora, sais de banho não. Vocês já devem ter visto o vídeo e provavelmente as fotos, do morador de rua que foi atacado por um cara pelado em Miami em plena luz do dia. O que aquele cara estava fazendo era puro canibalismo.

Aí não né gente, era hora do lanchinho!

A prática do canibalismo desapareceu com os anos, ficando escondida no submundo dos seres humanos. Alguns são descuidados e são pegos, outros continuam com sua dieta rica em proteína e sais minerais até hoje.

Descrição de como aconteceu essa barbárie.

Um desses atrapalhados foi Issei Segawa, que foi conhecido por matar, estuprar e comer o corpo de uma colega de faculdade na França. Detalhe, ele tinha MEDO DE SANGUE. Devia estar cansado de comer sushi ou croissant.

Segawa, numa entrevista que eu postarei o link no fim do texto, conta com detalhes como preparou a refeição. Que tipo de facas usou e qual foi o melhor jeito de conservar a comida já que ele não conseguiu achar um tupperware bom o suficiente.

Só um adiantamento, se você não tem prática, não comece pela carne das nádegas, você pode ficar com as mandíbulas doendo.

Issei, mesmo após seu lanchinho francês , não foi preso ou condenado. (Nota do Editor: na verdade o lanchinho foi uma holandesa, branquinha e bem carnuda, mas como foi na França podemos chamar de lanche à francesa. Que isso não nos gere um processo!)

Com o diagnóstico de problemas mentais dado pelos psiquiatras franceses, foi condenado a ficar na Arkham Asylum francesa, mas como o povo não queria bancá-lo, resolveram deportá-lo para o Japão. Lá recebeu o diagnóstico de bipolaridade e disfunção de personalidade e o estudante ficou em liberdade e se tornando uma celebridade na terra do sol nascente. As pessoas pediam seu autógrafo, editoras publicaram seus livros e mangás contando sobre a sua natureza canibal e ele até gravou filmes pornôs com direito a golden shower e outras coisas que só assistindo pra saber.

Segawa manifestava seus desejos sexuais através do canibalismo, quando ele comia alguma mulher, era no sentido literal da coisa mesmo. Muitos associam o ato com algum distúrbio mental ou tara das bem estranhas. Um sadismo extremo que inclusive tem sua vertente de arte oriental chamada de Eroguro.

Eroguro é a abreviação de “Erotic Gurotesque”, ou “Grotesco Erótico” numa tradução Herbert Richards. Esse tipo de arte pode ser encontrado nas obras de Suehiro Maruo, autor de “O vampiro que Ri”. É bizarro mas eu recomendo altamente para quem curte mangás de terror.

E aproveitando o gancho literário, temos grandes e famosos personagens adeptos de um cardápio diferenciado nos livros, filmes, séries e HQ’s. De novo, o ser humano é um bicho extremamente complexo e sua curiosidade não tem limites. Alguns gostam de cutucar a ferida, já outros preferem enfiar o punho e jogar sal grosso por cima.

O canibalismo é uma prática bizarra e quase banida da sociedade, calma amiguinhos, se vocês quiserem saborear uma coxinha ou asinha eu lhes digo como e onde. No entanto ela é explorada em ícones que marcaram gerações de livros e que perduram até hoje como referências pop ou influências na Genesis de outros seres fictícios. Eu mesma sou fã assumida de um deles, como vocês podem ler na minha descrição de perfil lá embaixo.

Ele é elegante, culto, refinado, charmoso e tem um conhecimento que humilha muito intelectualoide por ai. Ele conhece as artes sacras, admira personalidades das artes, é silecioso e aprecia, acima de tudo, a culinária. Hannibal Lecter é um homem misterioso e seu carisma soturno cativa você. Somos todos Starlings e meros mortais perto dele, para não dizer refeições. Somente duas pessoas conseguiram sobreviver.

Ele é jovem e um servo de deus, é quieto e somente uma pessoa ouviu sua voz, a designando como “Voz de anjo”. Seu hobby é colecionar e ele é muito amigo dos lobos. Sem falar que as despesas com a manicure deviam ser enormes. Kevin é um garoto mudo, míope, de olhos frios, e que cometeu um terrível erro ao adicionar a sua coleção de cabeças de prostitutas a doce e sensual Goldie. Seu azar foi o de Marvin ser extremamente duro na queda.

Frank Miller criou Kevin e sua aparição nas hq’s de Sin City é breve porém não menos impressionante. Kevin é um serial killer que, ao ver do Cardeal Roark, estava apenas fazendo o “Trabalho de Deus” ao eliminar o “mal” personificado nas prostitutas da Cidade Velha.

E se você ficou empolgado com a ideia de adicionar ingredientes mais ilegais à sua dieta, fique você sabendo que dá para apreciar uma coxa ou um tronco sem ser preso! Tudo o que você precisa fazer é estar entre a vida e a morte, como foi o caso dos Sobreviventes do Andes.

Só pra quem não sabe, em 1972 o Voo Força Aérea Uruguaia 571 caiu na Cordilheira dos Andes. Dos 46 passageiros, entre eles a seleção de Rúgbi do Uruguai, somente 16 sobreviveram. O estoque de comida acabou e entre morrerem de fome/virarem picolés, os tripulantes decidiram então que a única alternativa para permanecerem vivos, seria comer os corpos dos falecidos. Carne de esportista é bem fibrosa.

Segundo Issei Segawa, a carne humana é dura e meio esponjosa, mas não se espante, é só a nossa capa de gordura. Faça um corte fundo com uma faca para desossar que você chega na parte boa da coisa.

Essa é a única situação em que o canibalismo é aceito pela sociedade, do contrário, seus lanchinhos terão que ser na madrugada. Mas espere! Se você não é um notívago, você pode comprar uma coxinha ou empadinha em Pernambuco em plena luz do dia, ou simplesmente usar sais de banho e praticar o nudismo.

Corra para aproveitar antes que alguém chame a polícia!

Confira a entrevista do Issei Segawa lá na Vice, em dua partes:

Parte 01: http://www.vice.com/pt_br/vice-meets/issei-sagawa-parte-1

Parte 2: http://www.vice.com/pt_br/vice-meets/issei-sagawa-parte-2

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3 COMENTÁRIOS

  1. Beatriz, seus textos são sempre fora do comum. E são ótimos! Quando eu era pequena me perguntava: pq a gente não come carne de cavalo? (Onde eu morava tinha um monte de cavalos) Ainda bem que não me fazia essa pergunta sobre carne humana, pq acho que eu seria meio bizarra se o fizesse… Hoje vejo que é mais uma questão cultural do que nutricional/fisiológica.
    Mas que gosto será que tem? Espero não ter que descobrir.

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