E aí pessoal dos retrogames! Fiquei um período sem escrever matérias, mas a partir de hoje voltarei à regularidade, agora às quintas-feiras! Nesta semana veremos um caso bastante intrigante que envolveu a disputa de direitos sobre um dos filmes mais famosos de Schwarzenegger, e teve um desfecho bem inusitado…

A capa de Superman ficou bem legal para a época. Porém, o jogo em si era meio tosco e não vendeu muito. Não se podia fazer milagre no Atari 2600, é compreensível…

Os jogos baseados em sucessos de Hollywood começaram a sair para videogames da segunda geração (Atari 2600 e similares), tendo como primeiro exemplar, Superman (no longínquo ano de 1978) e tornaram-se uma constante na indústria do entretenimento.

A década de 80 chegou e os heróis de ação “estouraram” mundialmente… Nada melhor então do que lançar um game sobre um dos sucessos de Arnold Schwarzenegger: The Terminator (O Exterminador do Futuro, de 1984), personagem pelo qual Arnie ficaria conhecido mundialmente até os dias atuais.

A desenvolvedora japonesa Sunsoft e sua parceira Tokai Engineering começaram então a produzir o jogo do primeiro filme do Exterminador (de 1984), mas sem o processo de licenciamento ter sido completamente finalizado (porque burocracia é lenta em qualquer parte do mundo) e apresentou algumas telas de seu produto em revistas japonesas e americanas. Os jogadores ficaram exaltados esperando o lançamento, pois sabiam que as empresas envolvidas eram bastante competentes devido a seus lançamentos anteriores (Blaster Master/Meta Fight, por exemplo).

O jogo do Arnie já estava praticamente pronto, e não estava ruim não. Essa foto é de uma matéria publicada na Nintendo Power número 7 (julho/agosto de 89)

O que se seguiu foi uma maracutaia/sacanagem sem tamanho: a Sunsoft já havia terminado a produção do jogo, mas os detentores que estavam negociando os direitos (acredito que a produtora Hemdale ou o próprio diretor, James Cameron) simplesmente não quiseram que uma empresa japonesa tocasse na franquia deles, optando por uma produtora medíocre (a Mindscape) mas americana, ficasse com os mesmos.

E a história não acaba aí… A Mindscape sabia que não ia dar conta do recado e contratou a Radical Entertainment para produzir o bendito jogo. Ele finalmente foi lançado em 1992, publicado pela própria Mindscape e pasmem, Bethesda Softworks (a mesma da série Elder Scrolls e Fallout) e eu nem precisaria comentar, mas o produto ficou, digamos… lamentável.

The Terminator de NES feito pela Mindscape/Radical foi uma desgraceira completa, alvo até do Angry Video Game Nerd em um de seus episódios (onde ele mete o pau no jogo sem dó) o qual vocês podem conferir aqui.

A Sunsoft/Tokai precisou então alterar o sprite do personagem principal e algumas outras coisas para não perder o trabalho que tiveram. Surgiu então RAF World (1990) no Japão, e Journey to Silius nos Eua. Até hoje eu não entendo o que quer dizer RAF, pois a sigla é a mesma da aeronáutica inglesa (Royal Air Force), mas não tem nada a ver com a mesma. RAF em japonês se lê como RA-FU (está escrito embaixo do titulo em caracteres katakana), ficando parecido com a pronuncia de “rough” (duro/bruto) em inglês. Essa é a única conclusão que consigo chegar, pois desta forma até faz algum sentido se levarmos em conta a historia do jogo…

Falando nisso, na minha opinião, criaram uma historia até bem decente como tapa buraco: no ano 0373 do novo calendário, as colônias espaciais estavam sendo bastante utilizadas devido à super população da Terra. Jay McCray, que vive na Terra e é filho de um cientista responsável pela colônia 428 (que esta incompleta) do sistema Silius, prepara-se para ir morar com seu pai, mas a colônia explode e mata todos de lá, inclusive seu pai.

Jay ensaiou sua fala por várias semanas… Pelo menos ele não errou.

Jay então encontra um disco de dados com informações importantes da colônia e uma mensagem de seu pai, pedindo para que ele mesmo complete seu projeto caso os terroristas consigam explodir tudo. Jay sai atrás dos caras para vingar seu pai, atirando primeiro e fazendo perguntas depois (beeem depois, porque ele só pronuncia uma frase durante a abertura e depois mais nada).

O jogo em si é estilo ação lateral com (poucas) plataformas. Alguns podem dizer que é parecido com

As armas do jogo no manual da versão japonesa, Raf World. A primeira arma é a handgun (a pistola Zapper do Nes).

Megaman, pois ao explodir chefes, ganha-se uma arma que pode ser selecionada depois. Mas são armamentos mesmo, diferenciando-se do clássico da Capcom: shotgun, automática, mísseis teleguiados, laser e lançador de granadas… tem até a pistola do nintendo, a Zapper, selecionável (com o nome de handgun, a mais fraca). Todas as armas mais fortes do que ela tem munição limitada, sendo usadas normalmente em chefes (quase obrigatório, na verdade).

Composta por Naoki Kodaka e mais 4 compositores, a trilha sonora é uma das melhores da história do NES, usando a mesma tecnologia de digitalização de instrumentos da Tokai Engineering, iniciada em Blaster Master/Meta Fight, mas aprimorada (pode ser conferida aqui). Incrível o que conseguiram produzir com apenas 2 mega e sem chip adicional algum (ao contrário do que costumam dizer por aí). A técnica usada consistia-se em substituir os sons de bateria e baixo comumente gerados por ondas quadradas e triangulares do chip de som do nes, por samples (amostras) de instrumentos reais.

Aqui vemos o Jay da versão japonesa usando armadura completa, contra um dos chefes do jogo.

Os gráficos não são nada de outro planeta, porém existem chefes realmente bem feitos, de tela inteira e bem difíceis, principalmente se o jogador não souber o que está fazendo. Existem diferenças na aparência

E agora, Jay da versão americana (vulgo cabeção) contra o último chefe (altamente semelhante ao T-800). Mesmo com todo o peso da cabeça, a jogabilidade felizmente não muda…

do jogador entre as versões: na japonesa ele está com uma armadura espacial parecida com aqueles heróis japoneses, enquanto na americana, Jay veste um traje mais simples e sem capacete. O chefe final também mudou devido à perda de licenciamento: era pra ser o exterminador T-800, mas foi alterado para um robô mais bombado e mais genérico.

RAF World/Journey to Silius é um jogão de NES, conhecido amplamente nos EUA mas pouco por aqui, onde um ou outro conhece a versão japonesa (lançada na coleção de cartuchos para o clone de nintendo japonês, Super Charger) e o resto, somente os que alugaram o original americano. No meu caso, tive a sorte de ter emprestado de um colega (daqueles que sempre conseguiam todos os jogos que saíam) e pude jogar muito na época… Fiquem com a capa da versão japonesa e até a próxima semana!

Essa veio até com o preço junto!
Capa da versão americana

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3 COMENTÁRIOS

  1. Essa história da trilha sonora me deixou feliz. Batman, Silver Surfer entre outros são os grande exemplos de trilhas sonoras de qualidade que não eram da Nintendo.
    Vou procurar jogar.

  2. Elton, Silver Surfer do NES, apesar de ser de qualidade discutivel como jogo, teve teve a trilha sonora feita por Tim Follin, que é um compositor muito famoso em se tratando de chiptunes (o irmao dele Geoff tmb eh compositor e ajudou na trilha). Os trabalhos dele para o computador commodore 64 (q tinha um chip de som chamado SID) são lendários, vc pode ter uma amostra deles aki: http://www.youtube.com/watch?v=sG1HqbC8e08

    Apesar do SID ser bastante diferente do gerador de sons do NES, as musicas do Silver Surfer soam muito parecidas com composicoes antigas dele, aparentemente ele usava as mesmas tecnicas independente do hardware.

  3. clássico!!!!esse jogo marcou muito nos bons tempos da nintendo 8 bits!!!!ainda jogo e tem bons gráficos e músicas!!!!!valeu

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