Fui uma criança que sonhava em ser cientista. Comprava aqueles “kits de ciências” que eram vendidos em lojas de brinquedos. Fazia experiências com os mais diversos insetos colhidos em quintais e nas ruas. E, obviamente, era apaixonado por dinossauros.

Guardo até hoje álbuns de figurinhas, revistas e recortes de jornais sobre o assunto. Sonhava em ser paleontólogo. Portanto, imaginem minha surpresa quando, em 1991, anunciaram um livro sobre um parque onde visitantes poderiam ver dinossauros de verdade recriados por engenharia genética. Era uma edição de capa dura com o título traduzido como Parque dos Dinossauros.

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Acompanhei a jornada de Alan Grant, Ellie Sattler, Ian Malcom e companhia com o coração na mão. Até hoje as sequências do tiranossauro rex atacando os carros e dos velocirraptors caçando todos no prédio principal me deixam, no mínimo, tenso para cacete. E naquela primeira leitura aquele livro tornou-se minha obra favorita do resto da minha vida.

De lá pra cá, li o livro quatro vezes, assisti ao filme sete e, obviamente, comemorei que nem um jogador de futebol fanático quando a Editora Aleph anunciou que iria lançar uma nova edição de Jurassic Park, com nova capa e diversos extras.

Para quem esteve preso em âmbar fossilizado nos últimos 20 anos, um resumo da trama: um milionário excêntrico chamado John Hammond resolve inaugurar em uma ilha isolada na América Central um parque habitado por dinossauros de verdade.

Antes da inauguração oficial, convida uma série de especialistas das mais diversas áreas para uma visita teste, onde vai provar a todos que o parque é seguro e está pronto para receber o grande público. Claro que tudo dá errado e o passeio vira uma luta pela sobrevivência contra feras ancestrais.

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Escrito por Michael Crichton, Jurassic Park é um thriller científico. O início do livro prepara todo um cenário que nos faz crer na veracidade das teorias pseudo-científicas ali apresentadas. Aí, com o leitor já tendo todo aquele cenário como real, a ação começa e não para mais, com direito a perseguições, muitas mortes, escapadas no último segundo, traições e muitos atos inesperados de coragem.

Se fôssemos eleger um protagonista para o livro, este papel caberia ao paleontólogo Alan Grant. Não só pela número de aparições ao longo da história, mas por ser aquele que mais se aproxima da concepção clássica de “herói”. Alan Grant toma decisões difíceis, assume a liderança e se sacrifica por aquilo que acredita. Mas a personificação de Crichton é o matemático pop Ian Malcom.

O interessante de se ler uma obra mais de uma vez é a percepção das mais diversas camadas que ela possui. Nesta leitura, ficou patente que o grande tema de Jurassic Park é a crítica aos cientistas que tentam brincar de Deus, indo contra princípios básicos da natureza por ambição e cobiça, perdendo o controle sobre tudo e causando destruição e morte. E Malcom faz crítica por todo livro.

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O matemático sabe desde o princípio que o parque não irá funcionar como o planejado e fez questão de deixar isso claro o tempo todo, com falas que às vezes ultrapassam uma página. Enquanto alguns querem salvar seus investimentos, outros as pessoas ao redor ou até mesmo suas vidas, Malcom só quer comprovar que todas as suas teorias estão certas. E, para isso, não poupa críticas à empresas que compram cientistas e financiam pesquisas e aos pesquisadores que se deixam comprar por elas.

O fato deste ser o meu livro favorito não significa que esteja livre de problemas. Como apontado acima, algumas das falas de Ian Malcom possuem mais de uma página e, por mais apaixonado que seja seu discurso, às vezes fica cansativo, como se tivéssemos que dizer “Tudo bem, cara, já entendi! Segue o jogo!”. Outra questão é o fato de Lex Murphy, neta de Hammond sempre parecer ter sido criada como um estorvo para Alan Grant e Tim, seu irmão mais novo, atrapalhando a jornada pelo parque o tempo todo. Isto acaba por deixar a personagem rasa, em comparação com a profundidade e o papel dos outros da trama. São pequenas falhas, mas nada que comprometa a apreciação do todo.

A nova edição de Jurassic Park, lançada próxima ao novo filme da franquia, mostra que o livro ainda não perdeu sua força. Sua discussão sobre os limites do financiamento de pesquisas, os limites da Ciência em si e, mais especificamente, dos aspectos éticos da engenharia genética continuam atuais. E, permeando tudo isso, temos dinossauros caçando seres humanos em um parque instalado em uma ilha, durante uma tempestade. Diversão mais do que garantida!  

Livro-Jurassic-Park3Título: Jurassic Park

Autor: Michael Crichton

Páginas:  528

Editora: Aleph (2015)

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