Olá minhas delícias!
Hoje é dia de post novo e dessa vez minha missão é avisá-los sobre o que vocês podem e DEVEM ler/ver hoje! Yay post feliz, só pero no mucho.

Só um aviso, essa é a minha primeira resenha com possíveis spoilers. Então, se você não quiser saber de pontos da trama importantes, sugiro que vá procurar outro texto aqui da MOB para ler. Estejam avisados.

Se você frequenta livrarias ou mesmo acessa a internet (dã) provavelmente já percebeu a enxurrada de livros e filmes que giram em torno de vampiros. O Sobrenatural sempre fascinou os seres humanos e isso não é segredo nenhum. Ficamos curiosos a respeito de fenômenos inexplicáveis, criaturas fantásticas e acontecimentos que nos tiraram o sono por muito tempo, ou vai dizer que você nunca ficou com medo do homem do saco ou do escuro?

Sim, nós temos medo daquilo que não conseguimos entender nem compreender. Temos medo de coisas que são diferentes e que não se aplicam a nossa “realidade”. Temos medo de fantasmas, de assombrações e chegamos até a ter medo de vampiros.

Sim os tão amados e temíveis vampiros foram reduzidos a fadas de cabelo bem penteado e pele que mais parece um globo de discoteca. Stephanie Meyer conseguiu destruir aquilo que Bram Stoker construiu e eternizou com tanto esforço e dedicação. (Leiam Drácula, pra ter uma prévia vão ler a resenha do Murilo sobre a obra porque esse livro é muito amor)

Não vou me delongar muito no assunto mesmo porque pessoas sensatas sabem da heresia que a saga “Crepúsculo” é, no entanto, com essa avalanche de Sininhos com presas eu lhes faço a pergunta:

Os vampiros morreram de vez?

Não! Eta Jesus maravilhoso!

Sempre há luz no fim do túnel e sempre há uma exceção à regra, e esse é o caso de Let Me In (Deixa Ela Entrar), livro sueco de John Ajvide Lindqvist.

Publicado em 2008, a obra de terror-suspense fala de tanta coisa mais assustadora que o fato de ter um vampiro na trama é o de menos. Sim, os elementos do livro são tão bem colocados que o vampiro chega a ser quase um detalhe. Essa é a primeira vez que eu leio algo do gênero que não coloca no pedestal superior a criatura sobrenatural e Lindqvist conseguiu criar um universo e uma narrativa tão sensacionais que você não se importa com isso.

Pra começar logo com um chute na cara, já vou avisando que esse livro não é feliz. Atmosfera suave e alegre é luxo e o clima é tão pesado que chega a ser palpável. Você é jogado pra dentro desse universo cruel e feio em pleno inverno sueco nos anos 80 e não importa o quanto você tente, largar o livro é impossível. Vale o esforço de carregar todas as 480 páginas na bolsa.

LTROI conta a história de Oskar, um garoto de 12 anos que sofre bullying na escola e no conjunto habitacional onde vive e acaba fazendo amizade com Elijusto quando uma série de assassinatos começa a acontecer. Até ai o livro poderia levar aquele rumo “Livro de mãe” onde tudo dá certo, o garoto consegue vencer o bullies e viver feliz para sempre com Eli. Só que como eu havia dito, não é uma obra feliz.

Oskar sofre todo o tipo de abuso sem motivo aparente, sua cabeça é enfiada na privada porque ele respondeu corretamente uma pergunta na aula, o agridem com uma vara fina na cara porque ele não saiu da escola quando bateu o sinal e por aí vai. Só que um dos pontos que me chamou a atenção no personagem é que ele revida. Oskar até tenta procurar ajuda falando com seu professor de Educação Física mas se sabota no meio do caminho e permanece em silêncio. Após confessar o que anda acontecendo a Eli, recebe como resposta “Bata mais forte”. E ele faz isso.

Mas é ai que você se surpreende. Sim, o garoto parte para o ataque mas o resultado não é o que geralmente vemos nos filmes. Os bullies não vão embora, eles contra atacam mostrando que os mais fortes e geralmente os mais filhos da puta sempre vão conseguir tirar vantagem da situação, mas não vou entrar em detalhes. O bullying não é o único motivo pelo qual Oskar é apático, frio e distante. Claro que esse tipo de situação já seria o suficiente para detonar uma criança mas fica pior. Sua família esta destruída e seu pai é alcóolatra, porém mesmo com tudo isso, o garoto consegue manter a sua inocência e achar válvulas de escape. Lembre-se de que Oskar só tem 12 anos, a crueldade da vida já mostra as suas garras aí.

Para tentar fugir dessa realidade dura e sem misericórdia, Oskar recorre à pequenos furtos de doces em lojas, resolver seu cubo mágico, ouvir seu discman e a fantasiar. Todos fomos crianças um dia e todos nós já fingimos que a fumaça condensada da respiração no frio te fazia virar um dragão (Alguns de nós ainda fingem). Oskar faz o mesmo e em sua fantasia ele está por cima na hierarquia, isso é nítido na cena do tronco de árvore.

A vida do garoto dá uma melhorada, ou fica menos pior, com a chegada de novos vizinhos que carregam somente um malão. Oskar conhece Eli, uma figura estranha que mesmo nos graus negativos do inverno sueco, sai de casa sem sapatos ou blusões pesados para se proteger. Não demora muito para descobrirmos, pelo menos através da imaginação de Oskar que Eli é um vampiro. Como um disse antes, esse não é o ponto mais importante da trama, chega as vezes até a ser um detalhe.

E está aí um personagem interessante e que me fez amar mais o modo como Lindqvist elaborou o livro todo. Eli não faz o tipo misterioso e soturno, com aquela atmosfera vampiresca luxuriosa e letal não, Eli é uma criança que aparenta ter 12 anos de idade mas que na verdade tem 200. As únicas vezes em que entrega o fato de ser bem mais velho são em eventuais palavras que usa ou gestuais que remetem ao de adultos. Fora isso, Eli simplesmente não é um livro aberto, no entanto, isso não significa que sua infância foi um mar de rosas.

Lindqvist não se ateve a questões como a natureza vampiresca de Eli ou no relacionamento dele com Oskar e sim nos problemas pessoais do protagonista e como a criatura sobrenatural tem influência nos mesmos. Isso claro, além de criar plots secundários que não deixam de ser pesados e importantes para a trama. Agora, se você já bateu os olhos nos cartazes suecos do filme ou do remake americano (mas olha só que novidade, americanos fazendo remakes!) vai perceber que o garoto emcapotado de agasalhos se encontra do lado de uma menina.

Quotando Carga Pesada: É uma cilada.

Por quê?

Porque Eli é na verdade um menino que teve os genitais removidos quando ainda era vivo pelo seu Rei, sim, o vampiro é bem velho. Só que esse fator do personagem também não ganhou alarde nem nada. Para Oskar isso é irrelevante, ele não liga pro fato de que Eli é um vampiro então porque diabos ele deveria se importar com o fato de que ele é um menino quando os dois realmente se gostam? Aprenda com o Oskar, sociedade.

Os dois desenvolvem uma relação de amizade através do cubo mágico de Oskar, Lindqvist não esclareceu ao certo que tipo de relacionamento os dois tem. Sim, eles se “beijam” mas nada no livro grita que eles estão namorando. Um só aprecia a companhia do outro e eles gostam assim, passam tempo juntos, brincam como as crianças que deveriam ser mas que amadureceram rápido demais e de forma muito bruta e até tem seus desentendimentos, como amigos ou irmãos tem. Não, em Let Me In, o romance não é a principal coisa e também não te diz como é importante ter um namorado(a).

É uma leitura pesada e que aborda não só o bullying e famílias desajustadas, fala também de assassinato, pedofilia e brevemente sobre prostituição infantil. Como eu disse antes, não é uma obra feliz. A atmosfera da narrativa é densa, depressiva em certos pontos, e pode chegar a incomodar os mais sensíveis.

Como eu disse antes Eli é um vampiro, mas não é um Edward da vida. O garoto não pode sair na luz do sol pois pega fogo e morre, isso é explicado melhor na passagem de Virginia quando começa a se transformar em vampira, tem as características vampirescas vistas em “Drácula” e sim, ele precisa de sangue e não, ele não tem essa frescura ou juramento de não se alimentar. Como já diria Selina Kyle: “Uma garota precisa comer

Para isso eli tirou vantagem de sua aparência e da sujeira e imundíce do mundo e conseguiu para si um capanga. Hakan era um professor que teve que largar seu cargo após ser pego com pornografia infantil, sim ele é pedófilo e venera Eli por ele ser lindo e bem, uma criança. O garoto faz um acordo com Hakan, o mais velho consegue o sangue e em troca pode encostar no vampiro. Ao longo do livro o desespero e raiva de Hakan vão se acumulando conforme vai atrás de sangue para seu amado. É nítida a decadência em que o professor se encontra, se não fosse pelo seu impulso sexual distorcido ele não estaria matando pessoas e até cogitando matar seres mais indefesos. Se não fosse pelo seu amor platônico quase obsessivo, não teria atirado ácido na própria cara.

Uma curiosidade sobre o livro que não se aplica a nossa cultura é o título. “Let The Right One In” numa tradução mais livre, significa “Deixe o certo entrar”. No caso, deixe a pessoa certa entrar. Isso se aplica em vários pontos do livro, seja com o relacionamento falido de Virgina e Lacke: “Você deixa uma pessoa entrar e ela te machuca” ou com a relação de Eli e Oskar e a peculiaridade da natureza do imortal. Segundo a cultura antiga, um vampiro só pode adentrar um recinto se for convidado pelo proprietário do mesmo, assim, quando Eli vai visitar a casa de Oskar pela primeira vez o garoto tem que permitir a presença dele lá. Do contrário ele começa a sangrar abundantemente.

A metáfora de deixar a pessoa certa entrar não se aplica somente ao físico, como foi dito antes, Virginia e Lacke tem um relacionamento falido. Se você se apaixona pela pessoa errada e a deixa entrar na sua vida, cedo ou tarde ela vai acabar te machucando. Deixe um ladrão entrar na sua casa e ele vai te roubar, deixe uma pessoa abusiva adentrar o seu espaço e ela vai te prejudicar.

Eu tiro meu chapéu para Lindqvist e aplaudo sua presença de pé. Let Me In (Deixa Ela Entrar) foge completamente do estereótipo de vampiro criado por Meyer e todos os outros bazilhões de escritores que vieram junto dela. Essa obra é o tipo de coisa que você precisa ter, e junto da também sueca e chutadora de bundas Trilogia Millennium do falecido porém não menos incrível Stieg Larsson prova que a pessoa que entitulou Crepúsculo e 50 Tons de Cinza de Best Seller merece no mínimo um tiro na cara.

Let Me In (Deixa Ela Entrar) é um livro cruel, frio, bruto, duro e denso. Explora o pior lado das relações humanas e escancara o seu lado mais depressivo. Trata do lado feio da realidade humana, aquele lado que vemos todos os dias mas ignoramos, Lindqvist não enfia somente um dedo na ferida como um punho todo envolto em sal e o sacode enquanto te vê guinchar de dor e pedir por mais.

Título: Let Me In (Deixa Ela Entrar)

Autor: John Ajvide Lindqvist

Número de Páginas: 480

Nota: 10 elevado a potência Bram Stoker

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Jornalista. Fã de gore, terror e todas as bizarrices da internet. O pessoal daqui diz que eu sou um Shinigami.

4 COMENTÁRIOS

  1. Ahauhauha “elevado à potência Bram Stoker”! Eee finalmente ele bateu aqui \o/, eu adorei o livro e o filme. Ótemo! Estávamos necessitados de (principalmente) filmes bons e novos sobre vampiros. E a menina do filme é uma MONSTRA, diva. Ah, estou querendo comprar a trilogia Millennium, apenas assisti ao filme e queria que alguém dissesse que vale realmente a pena eu arranjar um espaço entre Saramago e Bauman na minha lotada estante, rs. Adorei a resenha como sempre!

    • Ah seu querido/querida! *u*

      Olha, eu sou assumidamente apaixonada pela Trilogia Millennium e esses 3 livros são de longe um dos melhores que eu já na vida. Em termos técnicos tudo é incrível, escrita, roteiro, narrativa, plot twists, construção de personagem, etc.

      Compra que é sucesso.

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