Cá estamos novamente com o nosso post especial de fim de ano do Paraíso dos Insanos, onde procuramos indicar as melhores coisas que consumidos ao longo do ano. Cada um com o seu gosto peculiar.

E dessa vez, reunimos a nossa equipe e convidados para indicarmos FILMES, SÉRIES e QUADRINHOS.

As indicações serão por ordem alfabética de nossos nomes (em cada categoria):

  • Adriana Cecchi (Redatora de Merda)
  • Alessio Esteves
  • Beatriz Paz
  • Diego Penha
  • Eder Alex
  • Felipe Felix
  • Felipe Storino
  • Filipe Siqueira
  • Giancarlo Silva
  • Raphael Fernandes (Editora Draco)
  • Thiago Chaves
  • Thiago Ferreira (Comix Zone)
  • Tiago Souza (Conexão Comix)

 

Mãe! (Mother!) – por Adriana Cecchi

Direção: Darren Aronofsky

Duração: 2h 1min

Um filme que marcou a (minha) história, não só considero o melhor filme do ano, como um dos melhores que já vi – e verei – na vida. Mais do que interpretar símbolos ao longo do filme, o diretor Darren Aronofsky nos proporciona uma verdadeira experiência sensorial com Mãe!. O longa, que apresenta personagens sem nomes (pelo menos até os créditos finais subirem), demora um pouco para revelar seu enredo. A cada cena de Javier Bardem (um escritor em crise de inspiração) e sua esposa Jennifer Lawrence (que passa os dias restaurando o casarão onde moram), vamos criando teorias sobre o que pode ou não ser a trama e tomamos um grande tapa na cara em seguida. Mãe! não é um filme literal, é um filme com imensas cargas de reflexão e diversas interpretações, é um filme para ser sentido, absorvido e discutido.

Quanto mais você fala sobre Mãe!, melhor ele fica. Um muito obrigada ao Aronofsky!


Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures) – por Alessio Esteves

Direção: Theodore Melfi

Duração: 2h 7min 

Este filme é daqueles que muda totalmente sua percepção sobre certos acontecimentos históricos. Estamos tão acostumados a imaginar a corrida especial como algo feito pelos astronautas em seus foguetes que esquecemos daquele monte de gente que fica na sala de controle dando uma força para os “heróis”. O que muita gente não sabia (eu incluso) é que existe outro batalhão de pessoas que auxiliam o monte de gente daquela sala. E o filme mostra quem são algumas destas pessoas, com destaque para três mulheres negras que, em plena época de segregação racial nos EUA, tiveram que passar por cima dos mais diversos preconceitos para poder ajudar seu país a ganhar a corrida espacial.


Jogo Perigoso (Gerald’s Game) – por Beatriz Paz

Direção: Mike Flanagan

Duração: 1h 43min 

Um dos filmes que mais me angustiou esse ano, por inúmeros motivos, Jogo Perigoso (uma adaptação do livro homônimo do Stephen King) mistura thriller com um pouco de gore e mostra que nem todos os monstros são desconhecidos.

Clica AQUI que eu explico melhor em um vídeo no meu canal no YouTube.

Obs: O filme está disponível na Netflix.

 


Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: Episode VIII – The Last Jedi) – por Diego Penha

Direção: Rian Johnson

Duração: 2h 32min

Passadas algumas semanas e após ter re-assistido o novo filme da franquia algumas vezes, as ressonâncias do roteiro de Rian Johnson merecem algum destaque. Se tem um efeito que as películas da franquia Star Wars sempre tiveram sobre mim era o de me manter pensando sobre os filmes, até o ponto de desejar reassisti-los incontáveis vezes – até mesmo os episódios I, II e III. Já O Despertar da Força e Rogue One apesar de serem filmes que não me desagradaram, faltaram em me intrigar. Os Últimos Jedi é primeira vez desde a chegada de Kathleen Kennedy à presidência da Lucasfilm Ltd. que me sinto como me sentia durante os anos noventa, quando olhei pela primeira vez para Luke Skywalker adentrando ao palácio do Jabba. Meu primeiro Star Wars foi o Retorno de Jedi. Consequentemente não entendi nada do que acontecia, principalmente por ter apenas sete anos e não fazer ideia do que se tratava o filme que via. Mesmo assim, algo me intrigou. Mais do que apenas uma película com cenas bonitas e grandes ações, a história me convocava a dedicar tempo para compreendê-la. O filme Os Últimos Jedi é lindo e muito divertido. Possui tantas falhas de roteiro e cenas pastiche quanto qualquer episódio da franquia, mas para mim seu grande trunfo foi despertar novamente meu interesse na história que está sendo narrada.


Manchester à Beira-Mar (Manchester by the Sea) – por Eder Alex

Direção: Kenneth Lonergan

Duração: 2h 17min

O longa dirigido por Kenneth Lonergan é um daqueles filmes cuja carga dramática é tão intensa que te deixa meio sem chão. Trata-se de uma história sobre perda e arrependimento que segue por um caminho bem pesado, sem abrir margens para qualquer possibilidade de esperança ou superação. Casey Affleck (que levou o Oscar de melhor ator por esse papel) vive um zelador depressivo que recebe a notícia da morte de seu irmão e precisa retornar para a cidade onde vivia. Lá, ele se vê às voltas com alguns traumas do passado. “Manchester à beira-mar” prima pelo silêncio, o sofrimento dos personagens é quase todo internalizado, o que pouco transparece está no olhar e na postura dos personagens, então é somente aos poucos que o expectador começa a entender o porquê de toda aquela dor. Michelle Williams faz o papel da esposa do zelador e pouco aparece no filme, porém, quando ela surge em cena num diálogo curto com Affleck, temos umas das cenas mais impressionantes do cinema recente.


OKJA – por Fil Felix

Direção: Joon-Ho Bong

Duração: 2h

Okja, dirigido pelo aclamado Joon-Ho Bong, mostra uma história de amor entre a garotinha Mija e seu animal de estimação, a superporca Okja, ao mesmo tempo em que denuncia e critica a Indústria da Carne, os métodos de abate e o marketing de “Fazenda Feliz” que engana seus consumidores.

Bong segue sua jornada de levantar questões de cunho ambiental, como fez em O Hospedeiro (um monstro surgindo do lixo tóxico depositado num lago) e em O Expresso do Amanhã (uma experiência climática pra contornar o aquecimento global gera uma nova Era do Gelo). Isso aproxima Okja da ficção científica, mas não tanto, ocorrendo num 2017 mais caricato, mas também nem tão longe da realidade.

Leia também: OKJA | Precisamos falar sobre a indústria da carne!


Sete Minutos Depois da Meia-Noite (A Monster Calls)– por Felipe Storino

Direção: J.A. Bayona

Duração: 1h 48min

O filme conta a história de Conor, um garoto que, com apenas 13 anos, já precisa lidar com a iminente perda da sua mãe que sofre de um câncer terminal. Para conviver com a dura realidade, Conor recebe a visita de um monstro gigante que conta algumas histórias que sempre servem de metáfora para algo que o garoto está passando na vida real. É um filme lindo e que consegue passar com maestria o quanto deve ser difícil esse tipo de situação para uma criança. Além disso, ele também aborda muito bem os sentimentos de outros personagens, como a avó de Conor. Tem uma conversa entre Conor e a mãe que é de chorar litros. Filme pra assistir com umas três caixas de lenço do lado.


A Feiticeira do Amor (The Love Witch) – Filipe Siqueira

Direção: Anna Biller

Duração: 2h

Muita gente gostou do filme pelo visual pastiche das antigas irretocável e pela performance sensual da lindíssima Samantha Robinson, mas Love Witch tem muito mais. É como uma versão pés no chão de Sob a Pele, um conto de terror sobre sexualidade e perversão.

O âmago do filme está escondido em atuações propositalmente ridículas, embalados por diálogos idem, cores berrantes. Por isso, às vezes, a tarefa de sacar o que tá rolando de fato diante dos nossos olhos parece complicada. Mas não tanto: o filme consegue, sem muito esforço, se mostrar uma fábula feminista sobre relacionamentos, especialmente namoros.

A natureza mística é um combustível para mostrar como os feitiços colocam a protagonista no estado mental para destruir o que ainda nem existe e aí está a mensagem do filme: a confusão que destrói os relacionamentos ainda em seu início. A entropia, o segredo, as obrigações do jogo amoroso. Veja mais de uma vez, se necessário.


Blade Runner 2049 – por Giancarlo Silva

Direção: Denis Villeneuve

Duração: 2h 44min 

Novamente aquele mesmo universo cyberpunk altamente sujão e decadente que nos foi apresentado em 1982, com uma história que mistura noir com thriller: uma grande jornada de busca de origem e identidade que até enganou a mim e aos meus amigos enquanto assistíamos, quebrando nossas expectativas ao longo de cerca de 2 horas e 40 minutos… e tudo regado por uma das mais fantásticas e impactantes trilhas sonoras que Hans Zimmer já foi capaz de criar.

Blade Runner 2049 me proporcionou uma experiência que eu não sentia há anos em uma produção cinematográfica, sendo extremamente respeitoso com a obra original e expandindo o fascinante universo dos Replicantes.

E eu fiquei muito feliz por ver Edward James Olmos – o meu querido e eterno Almirante Adama – atuando novamente!


Corra! (Get Out!) – por Raphael Fernandes

Direção: Jordan Peele

Duração:1h 44min 

Esse dá agonia do começo ao fim!

Um rapaz negro vai conhecer a família rica (e branca) de sua namorada em uma cidade afastada. O problema é que por trás daqueles sorrisos amarelos e perguntas absurdamente racistas e estranhas, existe um plano realmente macabro. O diretor Jordan Peele é um grande fã do filme “Esposas em Conflito” (1975) e faz uma verdadeira revisitação ao clássico com direito a referências de “O Iluminado” e “Os Invasores de Corpos“.


IT: A Coisa – por Thiago Chaves

Direção: Andy Muschietti

Duração: 2h 15min

You’ll float too” 

Nada mais, nada menos que, o melhor filme de terror dos últimos 27 anos!

O filme não só é uma excelente viagem nostálgica aos anos 80, como consegue te fazer rir como poucos filmes de comédia atuais conseguem (graças ao melhor personagem do filme: Richie Tozier), além de te espremer na cadeira do cinema com seus momentos de terror e tensão. E QUE MOMENTOS!

O Stephen King (autor do livro homônimo) deu uma entrevista dizendo “Eu não estava preparado para o quão bom o filme realmente era“. E eu digo o mesmo. NEM EU!  E já quero flutuar novamente!


DARK (Netflix) – por Adriana Cecchi

Episódios: 10

Primeira série original alemã da Netflix, e esse já é um ponto de partida incrível para assistir DARK: cargas culturais são fundamentais na maneira que se conta uma história. Na trama, acompanhamos quatro famílias que vivem em uma cidade no interior da Alemanha, a princípio, tudo está tranquilo até que duas crianças desaparecem misteriosamente e um homem comete suicídio repentinamente. Aos poucos, vamos descobrindo outros casos, causos e mistérios da cidade e seus habitantes. DARK pontua todos os aspectos técnicos com maestria: direção mais lenta que explora o mistério; roteiro muito bem construído; fotografia mais escura que ajuda a ressaltar a ideia de vazio sombrio; e trilha sonora original tensa e triste que enfatiza todo o clima construído. A temática é abordada de uma forma muito madura, cheia de reviravoltas (e bota volta nisso!). DARK é uma série pra criar teorias, quebrar a cabeça para entender e te fazer perder completamente a noção do tempo.

Obs: Assiste aqui os vídeos da Adriana falando sobre a série: COM SPOILERS e SEM SPOILERS.


 

 

Narcos – Terceira Temporada (Netflix) – por Alessio Esteves

Episódios: 10

“A carreira tem que continuar”

Achou que com a morte Pablo Escobar a série perderia sua força? Achou errado, otário!

A 3° Temporada de Narcos não é só cresceu muito em termos de trama em relação às anteriores, como é uma das melhores coisas que a Netflix lançou este ano. E com a vantagem de que não tem fãs dando spoilers o tempo todo. 

 


Kevin (Probably) Saves The World (ABC) – por Beatriz Paz

Episódios: 9

2017 foi um ano cheio de desgraça e motivos pra jogar a toalha. Mas KPSTW foi um respiro de alívio em meio a tantas coisas ruins. A série da ABC explora duas coisas que estão em falta no mundo de hoje: Altruísmo e empatia.

A série conta a história de Kevin, um cara egoísta e ganancioso, que após passar por um período muito difícil em sua vida, é incumbido de uma missão: Salvar a Terra. E para isso, terá que ajudar estranhos e colocar (pela primeira vez na sua vida) a necessidade dos outros na frente das próprias.

Misturando comédia e fantasia com um pouco de drama, Kevin (Probably) Saves The World te fará rir, chorar, e acreditar que ainda existe bondade no mundo.


Stranger Things – Segunda Temporada (Netflix) – por Diego Penha

Episódios: 9

Estive um pouco atrasado em relação à Stranger Things e comecei a assistir a primeira temporada enquanto a segunda já estreava na plataforma Netflix. O espírito de “sequel” implantado por Matt e Ross Duffer foi bem agradável, pois possibilita com que a série possa desenvolver-se em novos rumos, flertando com mais de um tipo de “gênero”, não estancando-se apenas dentro do sci-fi/terror. A segunda temporada não contava com o benefício da “surpresa” que a primeira temporada obteve. Para complicar mais, o “hype” ao redor da nova temporada era compreensivelmente maior. Um ano após os eventos da primeira temporada, a série coloca seus protagonistas para combater juntos uma força insidiosa do mal. Aqui destaca-se os ecos da literatura lovecraftiana que ganha uma importante homenagem em uma série de TV mainstream. Mantém a profusão de homenagens diretas e indiretas aos filmes populares contemporâneos à trama, como ET, Poltergeist, Alien, A hora do pesadelo, Caça Fantasmas e principalmente os filmes de John Hughes e, talvez, mais explicitamente, Gremlins e Goonies.

Apesar de alguns pequenos momentos de dissonantes, Stranger Things 2 esteve em conformidade com as expectativas, até mesmo ultrapassando-as em determinados pontos. Fato é que a série precisa de dois ou três episódios para que as múltiplas linhas da narrativas esquentem seus motores, o que não impede que a segunda temporada consiga manter o suspense, ao mesmo tempo em que vai para lugares emocionalmente mais profundos do que na primeira temporada.


The Deuce (HBO)– por Eder Alex

Episódios: 8

A série da HBO criada por George Pelecanos e David Simon (The Wire), sobre o início da indústria pornô nos EUA foi o que de melhor aconteceu na TV em 2017. Contando com uma produção grandiosa (a reconstituição dos anos 70 é um troço inacreditável), um elenco enorme, encabeçado por James Franco (que está ok) e Maggie Gyllenhaal (que está maravilhosa), vamos acompanhando lentamente o dia a dia de prostitutas e cafetões no submundo de NY. Gosto muito de como a série acompanha todos os personagens, sem pressa e sem focar num conflito específico, de modo a criar uma espécie de microcosmo que funciona por conta própria, apenas com pequenos flashs de interação entre aquelas pessoas, explorando seus dramas, seus medos, seus sonhos, enfim, a câmera vai passeando de uma pessoa pra outra e parece que estamos observando a vida real, com toda a sua poesia e brutalidade.


Twin Peaks: The Return (Showtime) – por Filipe Siqueira

Episódios: 18

Esperei essa continuação por muito tempo. Antes mesmo de saber que existiria. Quem assistiu ao final da segunda temporada da série, com aquela cena depressiva de nos fazer perder o fôlego sabe do que estou falando.

Twin Peaks: The Return superou as expectativas de quase todos. A série foi David Lynch em seu máximo: personagens estranhos, mitologias únicas, quebra-cabeças sem respostas, uma direção de som impecável e um final com direito a episódio duplo que novamente nos mergulhou na depressão, porque não existe felicidade absoluta no universo da série.

E ainda teve o episódio 8, o ápice da TV em 2017. Não que os outros episódios tenham sido medianos (ao menos quatro outros episódios de Return foram antológicos), mas é que o 8 (Got a light?) está em outro nível. É uma experiência que transcende a TV.


Voice / Boiseu – por Giancarlo Silva

Episódios: 16

Kang Kwon-Joo é uma policial mega inteligente que, após sofrer um acidente que afeta parcialmente sua visão, tem sua audição aguçada e passa a ouvir sons inaudíveis por pessoas normais. Moo Jin-Hyuk é um valente oficial, cuja atitude de nunca largar um caso até ser completamente resolvido lhe rendera o apelido de “cachorro louco”. Ambos são vítimas de tragédias pessoais provocadas pelo mesmo assassino serial e resolvem unir forças para capturá-lo e prendê-lo, enquanto paralelamente precisam lidar com diversos outros crimes sinistros que ocorrem ao longo dos 16 episódios da trama.

Essa é a premissa de Voice (Boiseu/보이스), meu primeiro contato com o fascinante mundo das séries de TV coreanas (popularmente conhecidas como K-Dramas ou Korean Dramas) e uma série policial realmente visceral e surpreendente. Uma experiência televisiva totalmente nova pra mim, que se provou ser excelente e que eu recomendo a todos!


The Handmaid’s Tale (Hulu) – por Raphael Fernandes

Episódios: 10

Confesso que senti ânsia de vômito em alguns episódios dessa série! Afinal, como ficar indiferente ao assistir uma verdadeira distopia revelando o que existe de pior no machismo e na opressão religiosa das mulheres.

A série mostra o que aconteceria se um grupo fundamentalista desse um golpe nos EUA para implementar um sistema de castas onde apenas os homens poderosos teriam acesso às últimas mulheres férteis do mundo. O problema é que elas são tratadas como gado e participam de um desagradável ritual de reprodução com os maridos e suas esposas.

 


Ozark (Netflix) – por Thiago Chaves

Episódios: 10

Uma das melhores séries originais da Netflix. Talvez, a melhor série do ano. É uma mistura de Breaking Bad com Fargo, eu diria.

Na história, Marty Byrde (Jason Bateman) trabalha lavando dinheiro para o cartel mexicano com sua firma de investimentos, até que seu sócio teve a brilhante ideia de desviar dinheiro nesse processo.

Pra salvar sua vida (e de sua família), Byrde se muda para Ozark, onde promete lavar uma grande quantidade de dinheiro ainda maior por lá e em pouco tempo. Só que o dinheiro vivo que ele leva consigo, claro, chama atenção dos habitantes do lugar, além de ele fazer inimigos por outros motivos.


Legião (FX) – por Thiago Chaves

Episódios: 8

Sem sombra de dúvida, estará na minha lista de melhores séries do ano de 2017.

Eu não conheço a história do David Haller (aqui interpretado por Dan Stevens) nos quadrinhos, então não sei dizer se foi uma boa adaptação, mas creio que foi, sim. Eu nunca vi um roteiro tão sensacional assim em uma série de herói.

A série de Noah Hawley (Fargo) é uma verdadeira viagem. Inclusive, musical. Não à toa que a trilha sonora conta muitas vezes com Pink Floyd.

E que pôster maravilhoso é esse que fizeram pra série! Só assistam!


The Sinner (USA), por Thiago Chaves

Episódios: 8

Uma minissérie formidável!

Na história, Cora Tannetti (Jessica Biel), casada e mãe, um belo dia enquanto estava na praia com a sua família, esfaqueia e mata brutalmente um rapaz sem nenhum motivo que ela se dê conta.

Então o detetive Harry Ambrose (Bill Pullman) não contente com a resolução do caso, pois ela confessou, mas não apontou nenhum motivo para o crime, investiga o que de fato causou esse ataque dela.

São apenas 8 episódios. E a resolução é formidável, assim como a minissérie.

Obs: No meu álbum no Facebook você encontra outras dicas de séries que vi esse ano!


Moby Dick (Pipoca & Nanquim) – por Adriana Cecchi

Autores: Chabouté e Herman Melville

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A dualidade do mar é algo que sempre me encantou, a imensidão dele faz com que a gente se sinta muito pequeno e, ao mesmo tempo que traz ideia de liberdade, o mar também pode ser uma grande prisão. A obra original foi escrita em 1851 e é um ponto importantíssimo na literatura mundial. Neste quadrinho, publicado pela editora Pipoca & Nanquim, Chabouté conserva o texto original de Herman Melville com momentos-chaves da obra e os representa com sua arte primorosa, cheia de detalhes, toda trabalhada em preto. Prepara-se para cargas de pensamentos filosóficos! Moby Dick é uma história com várias análises, várias possibilidades e várias interpretações. Muito rica, existencialista, que vai abranger diversos aspectos da experiência humana. “Chamai-me Ismael!


HellDang (Independente), por Alessio Esteves

Autores: Airton Marinho e Samuel Sajo

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Se Airton Marinho realmente é o nosso Garth Ennis, parece ter encontrado em Samuel Sajo seu Steve Dilon. Misturando uma banda de rock, um youtuber, um caminhoneiro bruxo e um monte de demônios sinistros, HellDang é uma ótima amostra de como seria uma versão brasileira daquelas HQs que aprendemos a amar no selo Vertigo.

 


Labirinto (MINO) – por Diego Penha

Autor: Thiago Souto

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Labirinto de Thiago Souto era o lançamento nacional em quadrinhos que eu aguardava ansiosamente. Como se não bastassem as excelentes publicações anteriores do autor – Mikrokosmos e Supernova -, como garantia de qualidade, aumentando nossas expectativas, há mais ou menos dois anos atrás o próprio Thiago havia me enviado um release com algumas páginas pré-prontas de Labirinto: foi amor à primeira vista. Thiago Souto é um monstro no desenho e suas escolhas narrativas me agradam muito. O traço nesta obra está bem especial, já se difere do que o autor vinha fazendo até então. Seus imensos cenários e monstros de “chiclete” estão agraciados por texturas que envolvem o olhar. Apesar de se afastar consideravelmente dos desenhos soturnos presentes em Mikrokosmos, o artista repete o uso intenso da mistura do Rosa (Vermelho) com o Preto, deixando o lápis correr por uma extensão de cores que inundam as páginas. Souto sabe trabalhar muito bem os flashbacks e é um especialista nos enodamentos afetivos entre personagens. O uso frequente de temas psíquicos já faziam suas aparições nos trabalhos anteriores, mas em Labirinto mesclam o gênero sci-fi/psicanalítico/filosófico com a fantasia ao estilo Michael Ende.


Wytches (DarkSide Books) – por Eder Alex

Autores: Scott Snyder e Jock

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Eis uma boa HQ para quem gosta histórias de terror. O trecho de abertura é tão incrível que me fiz já de cara torcer para que um dia façam uma adaptação para o cinema. O enredo fala sobre uma família que se muda para uma nova casa, perto de uma floresta, deixando um passado meio nebuloso para trás. O problema é que esse passado não curtiu muito esse negócio de ser deixado pra trás e resolveu voltar para atormentá-los.

O roteiro de Scott Snyder é bem bom, mas o que se destaca mesmo são os desenhos incríveis do Jock.


Black Hole (DarkSide Books) – por Filipe Siqueira

Autor: Charles Burns

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Já escrevi (leia aqui) um texto longo sobre essa série que é uma das maiores obras-primas dos quadrinhos de todos os tempos — mainstream ou underground.

Nos 10 anos que levou para escrever esse gibi, o autor Charles Burns traçou um panorama único da juventude americana saída da ressaca do Paz e Amor dos anos 60.

Afligidos por uma doença sexualmente transmissível que deforma seus portadores, eles se isolam, amam, odeiam, praticam atrocidades e entendem (ou não) seu local no mundo.

Burns vai ainda mais longe em sua obra, e descortina o conteúdo psíquico de toda uma geração, com medo de seus próprios corpos, de seus semelhantes e encarando o sexo como um escapismo prazeroso. Ainda tem ocultismo (quase sempre meu tema preferido), o Inconsciente e uma série de referências mitológicas nem sempre explícitas.

O gibi ganhou nada menos que nove prêmios Harvey e depois um Eisner de melhor graphic novel e agora ganha uma edição imperdível (IMPERDÍVEL, repetindo) pela Darkside Books, com direito a capa dura, edição única e preço que chega a ser camarada de tão justo.


Cinco Centímetros por Segundo (NewPop) – por Giancarlo Silva

Autor: Makoto Shinkai

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Ganhei esta pérola no amigo secreto e não poderia ter ficado mais feliz com este presente! Trata-se da adaptação em mangá do filme Cinco Centímetros por Segundo (Byōsoku 5 Senchimētoru/秒速5センチメートル), uma das minhas obras favoritas do talentoso diretor Makoto Shinkai.

Roteirizada pelo próprio Shinkai, ricamente ilustrada por Yukiko Seike e publicada no Brasil em 2 volumes pela editora NewPOP, esta adaptação se aprofunda ainda mais na rotina dos protagonistas Takaki Toono e Akari Shinohara, cuja trajetória de crescente solidão se prolonga ao longo dos minicontos que compõem a obra, sobre relacionamentos a distância e sobre como o amor pode ser agridoce quando impedido pela força das circunstâncias.

Leitura obrigatória para quem busca boas e tocantes histórias.


Úlcera Vórtex (Escória Comix), por Raphael Fernandes

Autor: Victor Bello

COMPRE AQUI: http://escoriacomix.iluria.com

Victor Bello é um cara muito doente! Se você gosta de Rick & Morty, essa é a versão drogado e punk do negócio. Para você ter uma ideia do ritmo alucinado dessa HQ, eu vou descrever a primeira página: Um cientista inventou a cura para o câncer, encolher uma pessoa, injetar essa pessoa no paciente e torcer para que ela consiga vencer a doença na porrada!

Se você gosta de humor podre, escatologia, violência exagerada, desenhos feios e ideias tortas, vai comer mortadela e arrotar peito de peru ao ler esse gibi.


Beasts of Burden: Rituais Animais (Pipoca & Nanquim) – por Thiago Chaves

Autores: Evan Dorkin e Jill Thompson

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De todos os lançamentos da Pipoca & Nanquim, esse é disparado o meu preferido. A trama se passa na cidade de Burden, onde uma turminha da pesada formada por alguns cães e um gato, se metem em altas confusões para proteger o mundo contra bruxas, lobisomens e diversas assombrações.

O clima é bastante nostálgico e humor é altíssimo. Fazia tempo que eu não ria tanto lendo um quadrinho. Além disso tudo, a arte aquarelada da Jill Thompson é maravilhosa de linda.

Esse só foi o primeiro volume da série que ainda está em andamento e que terá uma segunda edição por aqui ainda.


Elric – O Trono de Rubi (Mythos), por Thiago Ferreira

Autor: Julien Blondel

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Elric – O Trono de Rubi é definitivamente o maior lançamento de 2017, magistralmente desenhado e reconhecido pelo Michael Moorcock como sendo a maior adaptação de sua obra original.

Em meio a traições, feitiços, espadas mágicas, acontece uma luta acirrada pelo poder. Elric, o imperador albino criado por Michael Moorcock deve enfrentar seu primo Yyrkoon pelo controle do reino de Melniboné. E além de todos os perigos e armadilhas, os dois vão ter que lidar com as manipulações de Arioch, Senhor do Caos e Duque dos Infernos Abissais!

E como se não bastasse a qualidade intrínseca desse material, a Mythos se superou no que diz respeito a qualidade gráfica dessa edição (esse é o primeiro título do selo Gold Edition, em formato diferenciado da editora). PALMAS!

Obs: Tem vídeo no Comix Zone sobre a obra. Assiste AQUI!


Ghost World (Nemo), por Thiago Ferreira

Autor: Daniel Clowes

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Se você viveu a década de 90 como eu vivi, então Ghost World é para você.

Essa série do quadrinista underground Daniel Clowes é o retrato mais fiel da adolescência nos anos 90. Ghost World é um quadrinho sobre o nada. Duas garotas adolescentes entediadas que passam o dia vagando sem destino pelas ruas falando mal dos outros.

Telefones residenciais, disco de vinil, fanzines, classificados de jornais… todos esses elementos esquecidos são resgatados nessa bela edição especial de 20 anos oferecida pela Editora Nemo.

Obs: Também tem vídeo no Comix Zone sobre a obra. Assiste AQUI!


Rugas (Devir), por Tiago Souza

Autor: Paco Roca

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Vivemos em tempos difíceis no país e no mundo, mas os quadrinhos – talvez como um grande contraponto a isso, junto com os universos oriundos de filmes, séries e livros – parecem não sentir. A diversidade e a qualidade estão tão em alta que indicar apenas uma HQ de destaque em 2017 é algo extremamente injusto.

Mas se é para gastar meu poder de persuasão para convencê-lo a ler apenas um, que seja Rugas, do espanhol Paco Roca (Devir, 2017).

O tema é indigesto, trata do Mal de Alzheimer. Mas o autor o faz com uma sensibilidade ímpar, mesclando humor e seriedade em movimentos sutis e com personagens pra lá de interessantes. Uma história sobre amizade, sobre viver a vida ao máximo, envelhecer e… esquecer. E não esquecer no bom sentido, infelizmente.

Obs.: Procure também pela coleção Graphic Book da Editora Criativo, com uma seleção de ótimas histórias clássicas nacionais (recomendo especialmente Ágata e O Primeiro Samurai).

 

OBRIGADO!

Se você chegou até aqui, obrigado! Esperamos que nossas indicações sejam úteis para o seu 2018. FELIZ ANO NOVO!

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