Publicado originalmente em 28/05/2010 no NSN.

Não sei dizer se são todos, mas acredito que todo nerd tenha uma ligação forte com os livros. Eu mesmo lia muito mais romances do que quadrinhos em si na infância, sendo exceções os da Turma da Mônica. Li os da série Vaga-Lume, infantis, contos macabros (era uma criança precoce), mitologia grega, entre outros, que o tempo e a memória não me deixam lembrar.

Na adolescência, passei a ler literatura clássica por influência da escola e da família. Conheci algumas das melhores obras literárias que já tive o prazer de ler, como Matadouro 5, Apanhador no Campo de Centeio, livros de Stephen King e alguns dos livros nerds que falarei neste post. Na época eu só conseguia ler os livros que encontrava em bibliotecas ou emprestado por amigos, já que me faltava verba para comprá-los, e eu nunca gostei muito de ler livros inteiros na internet.

Li sem nem saber que se tratava de livros célebres entre os nerds, até porque naquela época nerd ainda era sinônimo de usar óculos, tirar nota boa e apanhar dos valentões na escola, quase como eu era (excluindo a parte de apanhar, óbvio). Próximo da vida adulta, li uma das obras mais referenciadas pelos nerds, O Senhor dos Anéis, e consegui comprar ouros livros que li quando mais jovem. Mas ainda falta muito para mim, creio. Ainda não leio várias obras de Tolkien, não li tudo de Neil Gaiman e não vi todo o movimento cyberpunk. Mas dentre os que eu li, separo os que considero essenciais para todos os que batem no peito para dizer que são nerds. Só espero não haver me esquecido de nenhum.

O Senhor dos Anéis

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O Senhor dos Anéis escreveu seu nome na história como uma das obras mais cultuadas do mundo, sendo uma seqüência do livro O Hobbit. Pensado para ser em volume único, ganhou fama dividido em três para manter o baixo custo dos livros. O autor, J. R. R. Tolkien, fez com sua trilogia o que James Cameron tentou sem sucesso fazer com Avatar. Criou um mundo vasto, com geografia e línguas próprias, que são estudadas com afinco por seus fãs. A obra marcou profundamente outras obras de fantasia lançadas com o decorrer das décadas e inspira peças de teatro, filmes, fotografias, pinturas e games até os dias atuais.

O Senhor dos Anéis gerou ainda mais interesse e criou novos fãs graças aos filmes feitos por Peter Jackson; e não escondo que foi por ali que eu conheci a obra do escritor britânico. Não quero me deter aqui sobre a história, porque vocês já devem conhecê-la, mas os livros têm algumas diferenças importantes. A leitura não agrada a todos, já vi muita gente reclamar dela. A escrita de Tolkien me lembrou um pouco a de Machado de Assis, embora a comparação possa parecer não fazer sentido à primeira vista. A forma como apresenta seu mundo e as criaturas que o habitam, num crescente de qualidade narrativa a cada página, cria um clima de fascinação, principalmente nos fãs de fantasia medieval.

As pessoas que não leram O Hobbit conseguem compreender o enredo de O Senhor dos Anéis, mas aconselho ler a história do Bilbo Bolseiro antes. E depois procurar Silmarillion, que é mais ou menos como uma Bíblia do mundo que Tolkien criou.

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O Guia do Mochileiro das Galáxias

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Douglas Adams escreveu inicialmente O Guia do Mochileiro das Galáxias como uma sitcom, mas nenhum canal topou produzir a sua série. Os roteiros acabaram indo para uma rádio local de Londres, sendo transmitido como as antigas rádionovelas e fez tanto sucesso que se tornou uma coleção de fitas cassete. Só depois se tornou a coleção de livros que conhecemos hoje.

Arthur Dent é um sujeito normal, que descobre que seu amigo Ford Prefect é um mochileiro alienígena, que sabe de um plano sobre a demolição da Terra para a construção de uma rodovia interestelar.

As tiradas inteligentes conseguem agradar até mesmo ao público não-nerd, mas é claramente voltado aos nerds, tantas são as referências à ele que vemos por aí. O dia da toalha, a frase “NÃO ENTRE EM PÂNICO!”, entre outros.

Como surgiu como uma sitcom, o Guia satiriza a política, a burocracia e a forma de vida inglesa, tendo como pano de fundo diferentes planetas. Também faz reflexões sobre os motivos de nossa existência. O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams, faz muito mais que um simples livro de ficção científica. Ele conseguiu nos fazer rir e, principalmente, valorizar o que realmente importa na vida.

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Neuromancer

Neuromancer é o melhor livro do cyberpunk, movimento que já falei sobre AQUI. Nenhum escritor conseguiu lançar um livro que o superasse, nem mesmo seu autor William Gibson. Tornou-se um divisor de águas. A ficção científica era criticada pelos cyberpunks, que afirmavam que ela estava presa a regras do passado. Neuromancer tentava romper isso, romper barreiras, transpor os limites de gênero. Sua influência se faz sentir até hoje, como por exemplo na trilogia Matrix.

Vou escrever brevemente sobre o enredo. O protagonista Case, é criminoso cyberespacial. Mas, quando tenta roubar seus patrões, é punido de uma forma que o impede de entrar na Matrix de novo… até ser contratado para o roubo da inteligência artificial Neuromancer e poder entrar na rede novamente. Para isso, se une a um grupo de pessoas com habilidades únicas para realizar o serviço. O clima de mistério noir garante que nada seja o que pensamos no princípio com a adição da tecnologia, que a qualquer momento pode tomar o controle sobre as nossas vidas.

Eu poderia falar mais sobre Neuromancer, mas eu já escrevi um texto mais completo AQUI.

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Deuses Americanos

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Eu nem precisava falar muito sobre esse livro aqui. Afinal, Neil Gaiman é Neil Gaiman e esse livro já foi até indicado pelos caras do Pipoca e Nanquim. Também porque chega a ser chato só falar de um quando ele tem vários livros fodas por aí, como Lugar Nenhum e Coisas Frágeis. Mas é quase obrigação citar uma obra do cara aqui.

No livro vemos a batalha dos antigos deuses contra as encarnações dos deuses modernos, nada mais que os ídolos das gerações atuais e influenciadores do comportamento, como a mídia, cartões de crédito e a internet. Em vez de mostrar os deuses em toda a sua glória, Gaiman demonstra como eles forma caindo no esquecimento e perdendo seus poderes, morrendo de formas tolas para uma divindade.

Neil Gaiman demonstra o mesmo estilo narrativo que o deixou célebre com Sandman, até hoje sua obra mais famosa e obrigatória para fãs de quadrinhos. Ele não se limita a uma só mitologia. Explora a nórdica, egípcia, duendes, entre outras. Uma das vantagens de Gaiman, que pra você pode ser um defeito, é que ele não se preocupa em explicar todas as questões, algumas coisas ficam subentendidas e outras para a imaginação do leitor. Mas diferente dos autores de Lost, ele sabe muito bem o que quer da sua história desde que começa a escrevê-la. A linguagem cheia de referências faz você querer pesquisar mais sobre os temas, o que é ótimo pois faz com que o livro vá muito além da leitura.

Deuses Americanos deve ser só o seu primeiro dos romances do Gaiman caso goste de um bom livro. Vale muito a pena. Só que o livro atualmente se encontra esgotado no Brasil, só sendo encontrado em sebos.

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Discworld

Discworld é uma série de livros do escritor britânico Terry Pratchett, que parodia todos os clichês dos livros de fantasia, com uma grande dose de humor negro. A associação com a obra de J. R. R. Tolkien se faz óbvia, mas isso dá porque a obra do criador da Terra-Média influencia a fantasia até hoje. A série é enorme e sucesso absoluto na Inglaterra, estando há anos na lista dos mais vendidos. Com o sucesso, a obra migrou para os quadrinhos, games, animações, RPGs, entre outras formas de mídia e o faz ganhar vários prêmios literários, ser traduzido para mais de trinta línguas e vender mais de 40 milhões de exemplares. Embora seu sucesso seja grande, ele é um pouco obscuro no Brasil. Poucas pessoas conhecem a obra dele por aqui.

O mundo da série de Discworld se passa num mundo em forma de disco sustentado por quatro elefantes apoiados no casco de uma tartaruga que vaga pelo espaço. Ricewind é um mago que foi expulso da escola de magos só tendo aprendido um único feitiço e que parte em uma jornada por toda a Discworld, junto com DuasFlor, que decide se juntar com ele. Durante o caminho eles encontrarão os tipos de personagens que sempre marcam presença nos livros de fantasia, como anões, trolls e elfos.

Para os fãs de fantasia medieval que não se incomodam de vê-la satirizada, Discworld é uma boa dica.

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A Batalha do Apocalipse

Não podia terminar este post sem falar de pelo menos um livro brasileiro. A Batalha do Apocalipse foi lançado pelo selo Nerd Books, pertencente ao site Jovem Nerd, que acredito que seja conhecido de todos aqui. Houve todo um hype em volta deste lançamento. Que o livro era foda, que era muito bom, mas o livro me pareceu caro demais e o fato da maioria das tentativas de se escrever um épico brasileiro não terem conseguido êxito pesou um pouco. Conforme fui lendo elogios e mais elogios sobre a obra de Eduardo Spohr decidi comprar. E pra minha surpresa gostei bastante do livro.

Eduardo Spohr tem uma narrativa cinematográfica, chegando a dar um pouco de pena saber que o livro não deve ter muitas chances de ganhar as telonas dos cinemas um dia. Os personagens são extremamente bem construídos e pelos seus diálogos e atitudes dá pra sentir realmente a situação que eles estão passando.

A história é sobre um dos temas que mais fascinam. O levante dos anjos rebeldes contra os anjos das castas mais elevadas e a futura batalha do Apocalipse. É por isso também que curto tanto da série Supernatural. Acompanhamos a história do anjo renegado Ablon, preso a uma forma humana e o acompanhamos passar por diversas eras da humanidade. Aí vemos a riqueza de detalhes do livro e o quanto o autor deve ter pesquisado para escrever este livro, o que não é um um elogio, mas obrigação de qualquer escritor caso se queira escrever um livro de fantasia com um tema como este, e períodos históricos tão largos.

A Batalha do Apocalipse prova que é possível fazer bons livros de fantasia brasileiros. Tomara que surjam mais e mais livros deste gênero por aqui com a mesma qualidade dele.

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A Batalha do Apocalipse: Da Queda dos Anjos ao Crepúsculo do Mundo

 


 

Alguém aí tem outra dica?!

 

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Atrapalhado, paranóico, assíduo falante, leitor e cinéfilo voraz, teve desde muito novo os livros e os filmes como grandes companheiros da sua vida. Graças a eles desbravou novos mundos e universos, venceu batalhas e guerras e conheceu pessoas e povos de diferentes tempos. Tem como seus maiores ídolos Louis Ferdinand Céline, Machado de Assis, Jack Kerouac, Charles Bukowski, Um dia pretende concluir seu próprio livro. Enquanto isso não acontece, escreve críticas literárias na Mob Ground. @MuriloAndrade Facebook

13 COMENTÁRIOS

  1. “Alguém aí tem outra dica?” Essa pergunta poderia me fazer escrever por anos, mas vou citar um clássico que não vejo muitas pessoas comentando, e é praticamente meu livro preferido, Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel García Marquéz. Não que ele tenha temática nerd, mas é aquele livro que quando você acaba de ler quer contar pra todo mundo que o livro é muuuito bom. Ele é único, diferente de tudo que eu já li, e se não me engano já teve resenha no NSN…
    Da lista li O Senhor dos Anéis e o Guia, tenho ABdA, mas ainda não li. Nunca tinho ouvido falar dessa série Discworld, e como sou aloka das séries, já foi pra minha lista.

    *Não estou conseguindo abrir alguns links…
    **Já pensou no Marvin fazendo a jornada para destruição do Um Anel? Deusulivre, Marvin é chato demais!

  2. =

    Da lista que foi feita, só li os livros do Tolkien, tenho ( mas não li ) os livros do Gaiman. Tenho uma extrema vontade de ler mochileiro, mas sério, tudo que pego pra ler é série… dai fica difícil.

    E quanto a DiscoWorld, já conhecia, conheci porque o autor fez um livro em parceria com o Gaiman ( o livro “Belas Maldições” ) e tbm descobri que nem metade da série foi lançada aqui =\

    Bom, pra recomendação:
    * Isaac Asimov : Eu, robô ( e todos os outros dele )
    * Robert A. Heinlein: A ameaça da Terra ( simplesmente a melhor ficção que já li )
    * Edgar Allan Poe
    * H.P. Lovecraft

  3. Ahhh, já li quase todos, com exceção da Batalha do Apocalipse.

    Discworld eu sou viciado, assim como em toda a obra do Terry Pratchett! O “Belas Maldições”, que ele escreveu com o Neil Gaiman, é uma obra de arte! Infelizmente quase nada foi traduzido pro português, mas eu importei praticamente todos. A série Discworld é boa demais, com mais de 30 livros já publicados!

    A série Dragões de Éter, de Raphael Draccon, é nacional e bem bacana também.

  4. Considerar o aBdA livro OBRIGATÓRIO, soa um pouco exagerado, se motivado por algo parecido com patriotismo (valorizar a prata da casa, bleh bleh) piora tudo. O livro é bom pra razoável e só, há uns arcos de história que são bens chatos.

    Agora de livros que seriam legais pra todo nerd ler são os do Bernard Cornwell, do Isaac Asimov, do Phillip K. Dick, do Carl Sagan, do H. G. Wells, do George Orwell, C. S. Lewis, do Jorge Luis Borges, do Ray Bradbury, do Willian S. Burroughs, do Julio Verne, do Stephen Hawking (pros que desejam cagar uma regra mais forte).

    Obras diversas: As brumas de Avalon, Perry Rhodan, Poderoso Chefão, O Senhor das Moscas, Ritos de Passagem, Odisséia, Ilíada, Divina Comédia.

    Mas afinal o que é literatura nerd? Sci-fy e fantasia?

    • A Batalha do Apocalipse é certamente um livro OBRIGATÓRIO, e a massa nerd brasileira concorda. Porém cada um decide o que gosta e o que considera obrigatório.
      Assim, não há nada de errado com patriotismo. Se todas as pessoas tivessem, a literatura brasileira seria muito melhor.

    • Independente de sermos brasileiros, somos humanos e todos nós temos capacidade de fazer algo tão bom e criativo quanto pessoas de outras nações.
      Você não citou nenhum livro brasileiro, Paulo.
      Literatura nerd não pode ser brasileira?

  5. um livro, uma trilogia , na verdade, que foi divisor de aguas pra mim foram “as cronicas de artur”, de Bernard cornwell, como aficionado por historia medieval (e hoje, historiador), admito que este foi o melhor romance histórico que já o tive o gosto de ler. em outras palavras: mundo medieval sem firula.

    Gaiman: eu li um romance dele somente “Filhos de anansi”, sinceramente me esforcei pra chegar até o final.
    dai eu gostaria de saber se “deuses americanos” é parecido, principalmente na forma de escrita ao “filhos de anansi”, pergunto isso porque gostei da sinopse, mas se seguir a mesma estrutura narrativa eu nem vou atras…

    e autor brasileiro tem tambem o Andre Vianco e seus livros sobre vampiros e anjos e tudo o mais. li somente o senhor da chuva e gostei, não é uma arrasa quarteirão, mas é interessante.

    ah sim, e os livros do lourenço mutarelli. (ponto).

  6. Não ter Encontro com Rama nessa lista chega a ser blasfêmia! Só não li (nem conhecia) Neuromancer, que me pareceu interessante e vou procurá-lo para poder ler. De resto, boa lista, mas falta muita coisa boa aí. Além do Encontro, Bernard Cornwell, Michael Crichton, Isaac Azimov, Robert Jordan e mais alguns mereciam mais estar nessa lista do que A Batalha do Apocalipse, que eu adoro mas não é tão obrigatório assim.

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