#Hipoteticamente Badass

Já é uma informação bem conhecida, de que o ser humano usa apenas 10% de seu cérebro. Parece pouco, mas tudo que temos hoje foi conquistado com esses 10%. Agora pense: o que aconteceria se alguém alcançasse 100%? Responder essa enigmática, e ao mesmo tempo instigante pergunta, é a missão fundamental do filme Lucy.

Bem, aparentemente é impossível teorizar o que aconteceria no caso dos 100%, mas o diretor e roteirista francês Luc Besson arrisca seu palpite. Na história, a protagonista Lucy é forçada a carregar dentro de seu corpo o pacote de uma nova droga sintética, que ainda não foi propriamente testada. Depois de ser espancada brutalmente, o pacote se rompe dentro dela, e uma alta dose pura da droga cai em sua corrente sanguínea. O efeito é imediato, e a substância faz Lucy transcender como ser humano, literalmente subir pelas paredes.

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Gradativamente sua capacidade cerebral aumenta, e com isso seus novos “poderes”. No início ela consegue flutuar, controlar dispositivos eletrônicos, ler a mente das pessoas, consegue até mesmo se lembrar do gosto do leite materno de sua mãe. Tudo sem nem mesmo chegar nos 40%. Depois de sentir e compreender a razão de tudo que existe, Lucy quer apenas completar os 100%, para assim responder a tal pergunta de que falei no começo.

Veja bem, Lucy não é um filme perfeito, mas diverte acima da média. Perder o controle deste tema, e de seu inimaginável escopo, parece algo fácil de acontecer. Por isso, inteligentemente, Luc Besson faz com que toda a história se desenrole em questão de horas, diminuindo assim a probabilidade de incoerências, pelo simples fato de existir pouco tempo pra isso.

Só que mesmo assim as tais incoerências existem, afinal, estamos falando de uma garota que em questão de minutos aprende a falar chinês, diagnosticar doenças ao olhar dentro das pessoas, e que não sente mais dor, medo ou qualquer tipo de sentimento que possa se tornar um impedimento de racionalidade. Ou seja, não forçar a barra é algo fora de cogitação. Sendo assim, os problemas da história acabam sendo minimizados pela pressa, mas não esquecidos.

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Tecnicamente o trabalho é competente. Besson possui uma estética de filmagem diferenciada, que fica impressa em nossas retinas. Felizmente, aqui ele vai um pouco além disso, e oferece para narrativa algumas novas ideias que funcionam perfeitamente, como as montagens documentais que servem de analogia aos argumentos da história. Por exemplo, no início, quando Lucy é sequestrada pelos mafiosos donos da droga, o diretor intercala cenas de uma savana em que um tigre se aproveita da falta de atenção de sua presa. Uma ideia simples, mas que dá um toque de classe na produção.

De resto, vemos a essência de Besson, com lutas coreografadas, imensos tiroteios, perseguições em alta velocidade envolvendo muitos carros, e pesados efeitos especiais. Tudo isso agrada bastante, mas o diretor ainda sofre dos mesmos problemas de seus trabalhos anteriores, que é a valorização excessiva de determinadas cenas. Ele enrola muito. Isso faz com que uma ideia instigante acabe se tornando um tédio, o que é decepcionante. Mas no geral, os acertos superam os erros.

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E estampando o cartaz do filme vemos Scarlett Johansson. A atriz americana vem chamando atenção com suas escolhas de trabalho, e de uma forma bastante positiva (vide Her, Sob a Pele). Sua Lucy começa como um mero estereótipo, e se transforma numa espécie de Dr. Manhattan. É inegavelmente maneiro vê-la em ação, e perceber o quão badass ela se torna. Não é um trabalho complicado, mas Johasson convence, pelo simples fato de apreciar a personagem de maneira autêntica.

Morgan Freeman também realiza uma ótima participação como o Professor Norman, que por ser o maior especialista nos estudos que envolvem os limites de capacidade do cérebro, se torna a única pessoa capaz de compreender a evolução de Lucy, ou pelo menos tentar. Já o ator Min-sik Choi (vulgo Oldboy) é o vilão da fita, mas sua presença infelizmente não é valorizada, e seu mafioso Mr. Jang parece apenas um clichê barato, violento e sem propósito – esse é talvez o maior erro de todo o filme.

Mas Lucy é entretenimento. A produção tenta discutir alguns aspectos filosofais sobre nossa existência, e tem boas ideias sobre assunto, mas em momento algum consegue ser levada a sério neste sentido. No final, os excelentes efeitos especiais e a direção eficiente de Besson são pontos importantes, mas o que faz de Lucy relevante é o fato de Scarlett Johansson chutar bundas e se tornar invencível. 65% Recomendado.

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