O final de Mass Effect 2 já deixa bem claro que as coisas não seriam fáceis na continuação, mostrando uma frota Reaper chegando em nossa galáxia pronta para a aniquilação total. O terceiro jogo da série começa alguns meses depois do anterior, com o comandante Shepard vivendo na Terra em uma espécie de liberdade condicional. Ele perdeu seu posto na Aliança e vive constantemente vigiado após ter atuado ao lado da organização Cerberus em Mass Effect 2. Pra variar, ninguém acredita que a ameaça é real até que as coisas começam a dar muito errado, com os Reapers começando a invasão pela Terra, dizimando milhares de humanos no processo.

Não demora para que, mais uma vez, estejamos no controle de Shepard, que tenta sobreviver junto com o Almirante Anderson. O game já começa frenético, com vários inimigos atacando os dois. Como são inimigos que não utilizam armas de fogo, logo neste começo já é possível perceber uma melhora no combate corporal do jogo, muito mais útil do que no anterior. E se nos jogos anteriores a ameaça da destruição era sempre algo distante, em Mass Effect 3 ela bate à nossa porta e torna a coisa toda pessoal. Ainda nesta introdução do game, Shepard acaba falhando em salvar a vida de uma criança e isso passa a consumí-lo por toda a história, através de estranhos sonhos. Mas enfim o Comandante consegue recuperar a nave Normandy e parte em busca de reforços na guerra contra os Reapers, numa corrida contra o tempo para salvar a Terra da aniquilação total.

O problema dessa urgência toda no roteiro de Mass Effect 3 é que, depois das duas primeiras missões, isso fica meio de lado. A Terra está lá indo pra casa do caramba, mas são tantas as missões paralelas disponíveis para o jogador que é impossível não pensar “caramba, por que eu estou correndo atrás dessa peça insignificante enquanto pessoas morrem na Terra?”. A missão principal de Shepard é finalmente conseguir unir todas as raças da galáxia numa única força-tarefa para finalmente derrotar os Reapers. E é com esse objetivo final em mente que a produtora BioWare tenta amarrar todas as pontas deixadas pelos outros dois jogos, como a desavença entre Turians, Salarians e Krogans, ou a guerra entre os Quarians e os Geth.

E aqui, mais do que nos outros jogos, as decisões do jogador são importantíssimas para o futuro da galáxia, podendo significar até mesmo a extinção de uma ou mais raças (não que isso influencie no final do jogo em si). O conflito com os Geth inclusive traz discussões interessantes a respeito do que significa estar vivo. Será que, por serem uma raça de seres sintéticos, os Geth têm menos direito de viver do que os outros? Afinal, eles estão conscientes de sua existência e o único motivo de lutarem contra os Quarians é porque não querem ser exterminados. As missões envolvendo as duas raças são algumas das mais interessantes, trazendo diversas revelações e contendo um dos momentos mais épicos protagonizados pelo comandante Shepard.

Não há dúvidas de que os que mais vão se divertir com o jogo são aqueles que jogaram os outros dois, até pela possibilidade de carregar todas as suas decisões para este capítulo final. No meu caso, uma das minhas personagens preferidas (Miranda Lawson) morreu no game anterior e foi decepcionante passar por determinadas partes sem a presença dela. Infelizmente, são esses fãs também que mais vão se decepcionar com o final, que até seria satisfatório, se não ignorasse praticamente TUDO que o jogador fez até aquele momento. É claro que o final ainda é decidido por uma escolha do jogador, porém a sensação geral que fica é que muitas deciões tomadas ao longo da trilogia não serviram de muita coisa. Tudo se decide ali, naqueles momentos finais, com poucas opções de escolha no diálogo, sem levar em conta outras escolhas que foram feitas ao longo da saga.

Se no quesito enredo Mass Effect 3 se perde apenas no final, o mesmo não pode ser dito sobre a produção do jogo. Apesar de possuir bons gráficos, eles não estão no nível de God of War 3 ou Metal Gear Solid 4, que são jogos mais antigos. E é visível que apenas os protagonistas possuem rostos mais detalhados, enquanto os coadjuvantes tem menos rugas e expressões faciais. Mas isso nem de longe é o mais irritante, o pior de tudo é que o jogo é MUITO bugado. É comum no meio de um diálogo o comandante Shepard começar a olha para um lado, enquanto o outro personagem olha para o outro. E se você quiser ver todas as opções de diálogos disponíveis, os dois ficam ali cada um olhando para um lado até o final da conversa. Isso, somado à movimentação mecânica dos modelos, faz com que os personagens pareçam dois robôs com defeito.

Em compensação, o combate melhorou bastante, ficando mais desafiador. Acabou aquela moleza de se esconder atrás de uma barreira, atirar, avançar um pouco e assim até o final do cenário. Em Mass Effect 3 a maioria dos combates acontecem em ambientes amplos e os inimigos estão mais inteligentes, procurando maneiras de flanquear o seu grupo. Fique parado muito tempo em algum lugar e é possível que um ou mais adversários o cerquem e aí já era. Felizmente, o jogador conta com novos equipamentos, como um rifle sniper capaz de enxergar seres invisíveis. E como a galáxia está indo pro inferno, acabaram aquelas missões de procura de itens em algum planeta desolado, em ME3 todas elas possuem combates frenéticos. No quesito sonoro, o jogo continua brilhando como no anterior, com barulhos de tiro e naves voando que nos fazem acreditar que estamos em uma verdadeira guerra.

Mass Effect 3 ainda é um grande jogo, sem dúvidas, mas, assim como Uncharted 3, a fórmula dele já está desgastada, além de contar com muito mais bugs do que o antecessor. O que realmente poderia fazer com que este jogo fosse inesquecível é se ele tivesse um final épico para a história que se desenrolou durante três longos games. Infelizmente, não foi isso que aconteceu. Ainda assim, é um game que vale a pena ser jogado (principalmente por quem jogou os outros três) e que possui diversos momentos que vão emocionar os fãs da saga do comandante Shepard em sua luta para salvar a galáxia, cheio de questões filosóficas sobre vida e morte.

PS: Pena que nas decisões que tomei durante o jogo nenhuma delas mostrou o rosto da Tali. Se alguém viu, comente aí.

 

Mass Effect 3

Produtora: BioWare

Plataformas: PlayStation 3, Xbox 360 e PC

Nota: 8

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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