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Já é um fato nossa geração não depender mais de jornais. As notícias estão vivas e flutuam pelas redes e tribos com a velocidade dos dedos alucinados nos iPhones. Milhares de blogs, milhões de tweets, bilhões e bilhões de bytes de dados online e fulltime. Junto a estas notícias, propagam-se também em lógica exponencial os famosos Hoax e versões MUITO distorcidas das notícias. E a verdade? Onde ela está nesse emaranhado de dados e multiplicidade de pontos de vista?

Como diz o provérbio “Quanto mais as coisas mudam, mais elas continuam iguais” e esta questão da multiplicidade de vozes já foi dor de cabeça para os gregos láááá na idade clássica. Contudo o dilema deles envolvia um pouco mais que #Harlemshakes ou se de fato aquele vídeo do meteoro caindo na Rússia ao embalo de meteoro da paixão é real. Nossos ancestrais culturais se perguntavam sobre os fundamentos da verdade e suas implicações políticas e morais. Pasmem! Essa questão ainda está em aberto há mais de 2500 anos.

Então como eu e você podemos nos comportar diante do bombardeio de informações e de “verdades”? Vamos evitar a parte desnecessária dos fundamentos da verdade (pausa para o olhar irônico),  vamos pular para a parte que os gregos se comportam como gregos e chutam o problema para dentro de um poço sem fundo.

Como vocês provavelmente sabem, os coleguinhas da Grécia antiga inventaram a democracia, mas isso não veio do nada, veio depois de anos de um regime centralizado onde só o Rei sabia e podia dizer o que era verdade (Porque Deus quis. Literalmente.). Bem esse sistema falhou (Porque Deus quis?), ai os gregos tiveram que se virar e resolveram que agora não haveria alguém que poderia dizer a verdade para a cidade, mas todos os cidadãos diriam as verdades na praça e de lá sairiam as leis, que seriam a verdade para aquela cidade. Ora, agora os impasses eram resolvidos no combate pelas palavras ou, como os gregos chamavam, no Agon.  Daí o preparo para esse combate passou a ser uma questão de cidadania e em última análise de sobrevivência de uma cidade, já que apenas com os cidadãos bem preparados para essa discussão poderia frutificar boas leis e decisões para a cidade.

Ai é que nós entramos. Hoje com a internet temos a dificuldade de estar no meio de um tiroteio de informações conflitantes, mas saímos com a vantagem de poder escavar por nós mesmos a verdade da notícia. Coisa que antes teríamos que engolir o que nos passavam no jornal, já que não tínhamos acesso a outro ponto de vista.

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Mas como tio Ben Parker já preconizava “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Com o advento cada vez mais grandioso da mídia livre ganhamos o poder da verdade, porém ganhamos a imensa responsabilidade de procurar e proteger esta verdade múltipla. Não podemos perpetuar um comportamento preguiçoso de receber uma notícia de um blog sem procurar ou pelo menos ficar de orelha em pé para ouvir outras versões. Depois de coletar pontos de vista, trave o combate interno e saia com uma opinião forte e formada dessa batalha. É óbvio que essa batalha é um pouco sangrenta, porque agora não temos a quem culpar por estar enganados senão a nós mesmos, contudo uma coisa é certa, nesse campo de batalha da informação livre, quem sempre vai sair ganhando é a verdade. E aí? Concorda?

Créditos imagens: Cartoon Movement

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Mora no Rio de Janeiro, cursa Filosofia e estuda religiões comparadas nas horas vagas. Se dedica ao pensamento em tempo integral. Apaixonado pelas artes e pelos momentos. Navegador dos devires, desbravador de marasmos. Deseja uma filosofia que emancipe o indivíduo e um pouco de cerveja também.

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