Komatsu Nana. Garota meiga e delicada, sonha em passar o resto da vida ao lado de um grande amor. Quando consegue juntar dinheiro o suficiente, larga tudo e se muda para Tóquio para viver ao lado de Endo Shoji, seu namorado, que estuda e trabalha na capital.

Oosaki Nana. Garota forte e decidida, quer viver de música. Órfã, aprendeu desde cedo a se virar sozinha e não depender de ninguém. Não vendo futuro para si mesma no interior do Japão, muda-se para Tóquio para dar início à sua carreira musical.

Duas garotas com o mesmo nome, mesmo destino e ao mesmo tempo tão diferentes, elas acabam se conhecendo no trem que as leva a Tóquio e resolvem dividir o mesmo apartamento. Eis a trama básica de Nana (ナナ), shoujo manga de Ai Yazawa (também autora de Paradise Kiss) com mais de 50 milhões de cópias vendidas desde a sua estreia.

Uma garota aparentemente comum e frágil e outra aparentemente comum e forte juntam-se sob o mesmo teto. A primeira muda-se para a capital assumidamente por amor, já a segunda disfarça sua viagem com o pretexto de sua carreira musical e a química entre as duas é o que dá o tom da série.

Oosaki Nana é extremamente bonita, dona de uma voz poderosa e se veste de maneira punk-gótica. Para uma garota simples do interior como Komatsu Nana, é fácil se encantar e se envolver com aquilo tudo e logo somos levados a crer que ela não passará de um contraponto do agitado mundo da artista.

Apesar do sonho de Komatsu Nana de viver com o namorado parecer mais simples, vários percalços mudam drasticamente seus planos enquanto Oosaki Nana vê sua carreira artística deslanchar.

Essa é somente uma das várias e surpreendentes viradas na trama que a autora nos faz passar conforme vamos virando as páginas e, quando menos esperamos já estamos completamente envolvidos na trama. Misturando momentos de drama de fazer muito marmanjo quase chorar com aquele humor besta que arranca sorrisos fáceis durante uma leitura de metrô, Nana usa do tema da amizade destas duas garotas para discutir orgulho, responsabilidade, ambição, lealdade, amor, obsessões, drogas, prostituição e trabalho. E com Oosaki Nana conseguindo montar sua banda, temos questões envolvendo carreira musical, gravadoras, fãs e jornalismo.

Sim parece muita coisa, mas Ai Yazawa possui em leque interessante e bem construído de personagens, onde cada um tem seus dramas e conflitos internos e é da interação de tudo isso que a trama se desenvolve, em um novelão muito bem construído onde até aquele personagem que você acha um bobão inútil tem um passado pra lá de complexo, te mostra ter uma força imensa e te faz questionar como olhamos algumas pessoas ao nosso redor.

Aliado a tudo isso, o belo traço da autora ajuda muito a entrar no clima da trama. Até podemos achar os personagens “magros demais” no início, mas os detalhes com cenários, roupas e até mesmo marcas de objetos que aparecem durante a trama tornam tudo mais realista. Certeza que muita gente copiou os “modelitos” usados pelos personagens.

A série teve 21 volumes, mas foi interrompida pela autora por motivos de saúde e ainda não foi retomada. Teve também um anime de 47 episódios e dois filmes. No Brasil, o mangá foi publicado até o seu “fim” pela JBC e o anime foi exibido na MTV Brasil. Nenhum dos três é difícil de achar no submundo otaku brasileiro.

Feita a parte “técnica” e “profissional” do texto, abro aqui um pequeno apêndice…

Nana veio parar em minhas mãos através da Bianca, minha namorada. Eu estava atrás de referências para iniciar minha novela adolescente dentro do Novelasteen e ela achou que ali poderia ser uma boa fonte. E comecei a ler somente por causa disso.

Mas como vocês viram acima, é uma puta história que não fica naquele “mimimi” de mangá para meninas. Trata de temas pelos quais muitos de nós já passamos sem ser meloso. Porém, mais que isso, este é o mangá favorito dela. Cada página virada e cada volume lido era conhecer um pouco mais dos seus gostos e ser tragado para dentro de seu universo. Sei do que estou falando porque ela está passando pela mesma coisa ao ler Hellblazer agora. E claro que tudo isso tornou esta leitura mais especial pra mim.

Portanto, neste exato dia em que completamos 1 ano de namoro, saldo uma dívida com você, Bianca, e está no ar meu texto sobre Nana. Espero estar à altura de seu amor pela obra. Espero que esta singela homenagem esteja à altura do nosso amor.

Te amo, Bianca. Que este seja o primeiro ano do resto de nossas vidas.

PS: Obrigado aos amigos do MOB GROUND pela força!

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É um cara que já trabalhou (e trabalha) em muitas coisas e nas poucas horas que tem dá uma de escritor/poeta/jornalista/roteirista. Quando tem vontade atualiza seu blog, o “O Protagonista 2.0”. Foi colaborador do blog Cultura Nerd e atualmente escreve para os blogs sites Novelas Teen, Contraversão e Revista Entremundos. Pode ser encontrado a noite cambaleando bêbado pelas ruas de São Paulo ou falando seu nome três vezes em frente a espelhos em botecos suspeitos da Augusta e da Mooca. Uma mistura de Spider Jerusalem e John Constantine, ou não.

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8 COMENTÁRIOS

  1. Bom, nem preciso falar que chorei muito lendo esse texto. Posso dizer que essa foi a homenagem mais linda que recebi em toda minha vida, uma vez que é minha história favorita, mesmo não tendo fim.
    Espero que nosso amor seja dessa maneira, “sem fim”…

    Te amo, Amor da Vida. S2. Parabéns pra nós.

  2. Minhas experiências com mangás/animes shoujo não foram muito entusiasmantes, mas Nana foi uma completa exceção. Com equilíbrio entre realidade e ficção – o que é incomum no gênero, que sempre força nas qualidades ingenuidade e pureza -, a série consegue produzir personagens super carismáticos e uma trama profunda e emocionante, e até engraçada.
    Acho meio difícil que Nana volte a ser publicada, visto que foi interrompida desde 2009, mas queria muito que ela tivesse uma finalização devida. Fico na torcida.

  3. Comece a assistir o anime e por opinião de um amigo que dizia que se tornaria muito meloso, parei de assistir. Vou tentar retomar.

    Como contraponto já assistiu BECK Mongolian Chop Squad?

  4. Nana é um mangá incrível – e, principalmente, é daqueles que dá gosto esfregar na cara dos que preconceituosamente dizem que mangá é coisa de criança ou só tem tranqueira.

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