Superman Returns é um filme injustiçado. Bryan Singer fez o que todo fã dos filmes de Richard Donner queria, uma espécie de continuação do clássico Superman II. Até a trilha sonora de John Willians foi mantida na produção. O problema é que o estilo do filme funcionava bem na década de 70, quando um dos maiores atrativos eram os efeitos especiais do voo do herói, mas hoje em dia qualquer filme faz isso. O filme foi um fracasso de bilheteria, mas pelo menos serviu pra Warner radicalizar e resolver mudar tudo no sensacional O Homem de Aço, que chega aos cinemas brasileiros no dia 12 de julho. Para esta missão chamaram o Zack Snyder, que dirigiu Watchmen, apenas uma das melhores adaptações de quadrinhos para o cinema.

Contando com produção de Christopher Nolan e roteiro de David Goyer (responsáveis pelos recentes Batman), o novo filme do Homem de Aço ignora tudo o que foi feito anteriormente e reapresenta a origem do personagem para uma nova geração. O começo de O Homem de Aço apresenta bastante a sociedade kryptoniana, algo que muitos fãs sempre quiseram ver nos cinemas. Além do nascimento de Kal-El, vemos Jor-El tentando convencer o conselho de que Krypton está prestes a morrer e que ele tem um plano para preservar a memória do planeta. E para os que reclamavam da falta de ação no Returns, este novo filme já apresenta boas sequências de ação desde o início, quando o general Zod tenta um golpe militar em Krypton. Até mesmo o Jor-El de Russel Crowe é porradeiro e possui seus momentos de combate.

HENRY CAVILL (center) as Superman and CHRISTOPHER MELONI (far right) as Colonel Hardy in Warner Bros. Pictures’ and Legendary Pictures’ action adventure “MAN OF STEEL,” a Warner Bros. Pictures release.
HENRY CAVILL (center) as Superman and CHRISTOPHER MELONI (far right) as Colonel Hardy in Warner Bros. Pictures’ and Legendary Pictures’ action adventure “MAN OF STEEL,” a Warner Bros. Pictures release.

O visual de Krypton é interessante e também deixa totalmente de lado os filmes anteriores. Enquanto nos primeiros filmes o planeta tinha aquele visual limpo, com tudo branco e cristais pra todo lado, Zack Snyder investe mais em mostrar uma sociedade altamente tecnológica. As máquinas e alguns membros do conselho de Krypton possuem seu visual inspirado nas histórias do John Byrne nos anos 1980. Aliás, a inspiração em Byrne fica clara também na escolha dos vilões Zod e Faora, ao invés de Ursa que é a companheira mais recente de Zod nos quadrinhos. Além da tecnologia, Snyder também apresenta um pouco da fauna de Krypton, com um bicho voador que deve ter sido inspirado em Avatar.

Talvez com medo de que o filme acabasse ficando com um início muito chato, Zack Snyder prefere mostrar flashbacks da infância e da adolescência de Clark Kent, ao invés de contar a história de forma linear. Desta forma, assim que o bebê é lançado ao espaço, já somos apresentados a um Clark adulto, tentando encontrar seu lugar no mundo e ajudando as pessoas da forma mais anônima possível. Neste ponto a história lembra bastante O Legado das Estrelas, que também mostra um Superman ainda indeciso sobre o que deve fazer da vida. O roteiro toma ainda algumas liberdades corajosas quanto ao que estamos acostumados a ver nos quadrinhos, principalmente no que diz respeito aos personagens Jonathan Kent e Lois Lane e no destino do General Zod. Além disso, Martha Kent tem muito mais participação nesse filme do que nos anteriores.

Falando nos personagens, todos os atores principais, sem exceção, estão excelentes. Henry Cavill consegue convencer como Superman e transmitir certas emoções apenas com um olhar certo. Quando é exigido um certo esforço do herói, nós acreditamos que Cavill realmente está passando por algum esforço físico. E mesmo com 30 anos de idade, é impressionante como o ator convence quando precisa interpretar Clark ainda adolescente. Russell Crowe transita bem entre o passional Jor-El e a fria inteligência artificial de uma nave kryptoniana. E mesmo com pouquíssimo tempo de tela, Kevin Costner consegue emocionar como o sempre amoroso pai adotivo de Clark, assim como Diane Lane, que interpreta a mãe do herói. Já o excelente Michael Shannon interpreta um General Zod muito mais furioso e obstinado do que o vilão de Superman II, além de buscar muito mais do que vingança contra a linhagem de El.

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O Homem de Aço traz também (ainda que de forma superficial) a discussão sobre as implicações trazidas pela chegada de alguém como o Superman à Terra, sobre como todas as religiões e filosofias deveriam ser repensadas. E se os filmes anteriores traziam uma comparação sutil entre Superman e Jesus Cristo, neste novo filme isso fica bem explícito. Reparem na cena em que o herói sai de uma nave com os braços abertos ou quando ele diz que possui exatos 33 anos. Sem contar com Jor-El deixando bem claro que ele pode trazer a iluminação para os humanos. Resta saber se essas discussões serão aprofundadas em possíveis continuações ou se vai ficar por isso mesmo.

No quesito ação, que foi a grande reclamação de Returns, Zack Snyder mostra como realmente seria se dois seres poderosos brigassem na Terra. Assistir o combate entre Superman e Zod é como assistir dois deuses brigando. O nível de destruição talvez até supere o da invasão alienígena em Vingadores. E eles usam todos os poderes que tem à disposição, seja o voo, a superforça ou a visão de calor, sem contar objetos que aparecem ao redor, como postes ou caminhões. A visão de calor é particularmente interessante porque só vemos um raio sair dos olhos dos personagens quando ela é disparada em carga máxima, em níveis baixos apenas os olhos ficam vermelhos. Ainda sobre os poderes, o filme tenta mostrá-los de forma científica, assim como John Byrne fez quando assumiu o personagem nos quadrinhos nos anos 1980. O voo, por exemplo, é explicado devido à baixa gravidade da Terra. E no lugar da kryptonita temos a nave de Zod que emula a atmosfera de Krypton.

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É interessante notar que, enquanto a Marvel investe em filmes bem fiéis aos quadrinhos, a DC obtém sucesso justamente fazendo o contrário. O Homem de Aço segue a linha iniciada com o Batman, pegando a essência dos personagens e mudando tudo que puder mudar para o personagem se encaixar melhor para o grande público. Apesar disso, as mudanças feitas com o Superman são muito menores do que as feitas com o morcego e a maioria podia ser até adotada nos quadrinhos. E embora a Warner/DC ainda não tenha decidido como vai encaminhar seu universo nos cinemas, Zack Snyder já plantou algumas sementes em seu filme, como os logos da Waynetech e da Lexcorp.

O Homem de Aço // Man of Steel (EUA,2013)

Direção: Zack Snyder

Duração: 143 min

Elenco: Henry Cavill, Amy Adams, Michael Shannon, Russell Crowe, Diane Lane, Antje Traue.

 

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

5 COMENTÁRIOS

  1. Até agora não parceu outro ator que encarnasse o homem de aço como Christopher Reeve.
    Este novo ator não tem cara de superman nem aqui nem na China.
    O ator errado no papel errado.
    Nunca coloque o DAnny de Vitto para atuar como superman.
    Tenho cá minhas dúvidas quanto ao sucesso da película.

  2. Henry Cavill me convenceu MUITO com SuperMan, pode apostar!! kkk
    Só não achei que você, Felipe, fosse gostar tanto, paraceu tão blockbuster… rsrs
    Imagino católicos fervorosos se comichando até agora com as comparações com Jesus… Todas muito plausíveis.

    ^^

    • Mas eu gosto de blockbuster, desde que seja bom. Vibrei com Vingadores e O Homem de Aço, mas não dá pra aturar mais um Transformers do Michael Bay ou Piratas do Caribe. ;)

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