Quando Scott Snyder assumiu o principal título do Batman nos EUA (há pouco mais de um ano), ele já chegou chutando bundas com a saga A Noite das Corujas. Snyder não apenas trouxe de volta o lado detetive do personagem, como também aquele homem-morcego que está sempre inventando novas tecnologias de combate ao crime, além de ser hábil em combate quando a situação exige. A história mostra a Corte das Corujas, uma antiga sociedade secreta, voltando para tomar o controle de Gotham e conta com um roteiro instigante, que me fazia ficar ansioso pela próxima edição.

Com esse pano de fundo da tal Corte das Corujas, Scott Snyder soube trabalhar com maestria um personagem da importância do Batman, alternando momentos de investigação com momentos de combate. Além, é claro, de mostrar a relação de Bruce Wayne com seus mais fiéis companheiros de combate: Alfred e Dick Grayson. Essa saga marcou também o retorno daquele Batman obcecado, que abandona tudo em nome da missão, inclusive afastando seus aliados com a desculpa de que os está protegendo. Ao lado de Snyder, temos o excelente desenhista Greg Capullo. O artista traz cenas de combate interessantes, que mostram um Batman que derrota os inimigos não apenas com a força bruta, mas também utilizando o ambiente ao redor com inteligência.

Conforme a história avança, a Corte das Corujas consegue exaurir o herói, deixando-o bem perto da loucura. Se uma sociedade de assassinos conseguiu deixar o Batman perto da insanidade, o que Scott Snyder poderia aprontar escrevendo algo com o Coringa? É essa a questão que começou a ser respondida com a saga Death of The Family, que teve início na edição 13 da revista Batman. Para os que não sabem, o personagem ficou um ano sumido dos quadrinhos após pedir que o vilão Dollmaker arrancasse seu rosto (não pergunte porque, é o Coringa, ele não precisa de motivos). Depois disso ele fugiu do Arkham e nunca mais foi visto. Até agora.

“Você já dançou com o diabo sob a luz do luar?”

Quando Death of The Family foi anunciada, Scott Snyder fez questão de avisar que estava escrevendo algo no nível de A Piada Mortal, do Alan Moore, nada menos que uma das melhores histórias envolvendo o Palhaço do Crime. Pode parecer arrogância o cara falar assim da própria história, mas após ler a primeira edição da saga, acho que realmente ela tem tudo para ficar marcada na memória dos fãs por muitos anos. A decisão de deixar o Coringa desaparecido por um ano e criar novos vilões a serem enfrentados foi excelente. Dessa forma, agora já sabemos como funciona o Batman de Snyder e o roteirista pode se dedicar a mostrar toda a loucura do Coringa. E ele já chega chutando a porta.

Logo nas primeiras páginas, fica claro que a saga não será apenas mais uma história do herói contra o vilão, mas também tem potencial para ser uma excelente história de terror. O Coringa invade o departamento de polícia de Gotham City e simplesmente mata TODOS os policiais que estão de plantão. Com as luzes da delegacia apagadas, a cena é bastante tensa, com o Coringa contando piadas e quebrando os pescoços dos oficiais. Em nenhum momento é mostrado o rosto do vilão, tudo que vemos são os balões de diálogos com os gritos e alguns poucos vultos iluminados pela lanterna do Comissário Gordon. Aliás, o Coringa faz questão de falar que vai deixar Gordon vivo porque gosta de se divertir com ele e com o Batman e que já poderia tê-lo matado há muito tempo, insinuando que já esteve na casa dele diversas vezes. Em um dos trechos ele cita até mesmo A Piada Mortal, ao falar de um palhaço vestindo camisa havaiana.

Ainda é possível dar algumas risadas com as falas do Coringa. A diferença é que, dessa vez, as risadas são de nervoso. Ele colocou na cabeça que a Batfamília enfraqueceu o Batman e por isso ele quase foi derrotado pela Corte das Corujas. Agora, o Coringa se considera como a única pessoa que pode trazer o verdadeiro homem-morcego de volta, tudo com um plano bem simples: sumindo com TODOS os ajudantes que ele possui. E se a cronologia do Batman pré-reboot continuar valendo, é bom lembrar que o Coringa conhece a identidade de todos eles, incluindo a de Bruce Wayne. Então, a porra vai ficar bem séria.

 

Depois dessa primeira aparição na delegacia, o Coringa só é visto perto do final da história, afinal, ele não precisa aparecer o tempo todo para causar o efeito desejado, que é o medo. E ele está muito mais aterrorizante, o próprio Batman comenta que alguma coisa mudou nele. Mas é quando a Arlequina surge em cena que percebemos que ele realmente está pior do que nunca. A própria sidekick do Coringa, que sempre foi apaixonada por ele, admite que está com medo. Dessa vez ela o ajuda não por diversão, mas por temer pela própria vida. O final da história é surpreendente e deixa um gancho muito tenso sobre o que vai acontecer no futuro, mas claro que não vou contar aqui. A edição conta ainda com uma história secundária que mostra todo o terror que o Coringa é capaz de causar.

Felizmente, Greg Capullo continua como o responsável pelos desenhos da história principal. O cara passou anos desenhando o Spawn e a arte dele cai como uma luva nesse tipo de história sombria. O modo como ele desenha o Coringa nas sombras, mostrando apenas os olhos e um pouco dos dentes, deixa o leitor curioso e ao mesmo tempo com medo daquela figura sinistra e misteriosa. A história secundária é desenhada por Jock, que exibe uma arte ainda mais sombria e angustiante, combinando perfeitamente com o clima da história.

Esta foi apenas a primeira edição de Death of The Family (que ainda vai tomar todos os títulos do morcego), mas a impressão que ela deixa é muito boa. A julgar pelo arco A Noite das Corujas, esta nova história tem tudo para ser épica e entrar para o hall das grandes histórias do Batman versus o Coringa. Vamos torcer para que a dupla Snyder/Capullo permaneça no título principal do morcego ainda por muito tempo.

Aqui vão duas edições legais pra quem curte colecionar:

compraLivro – Batman: Death of The Family (Book + Joker Mask Set)

Livro – Batman: The Court of Owls (Mask and Book Set)

The Court of OwlsDeath of The Family

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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