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Quem já assistiu a pelo menos uma série de mistério padrão da tv norte-americana, sabe que elas seguem certas regras. A maioria possui entre 22 e 24 episódios, dos quais apenas uns quatro ou cinco realmente importam para fazer a trama principal andar. O resto são os chamados monstros da semana, que não fariam diferença nenhuma se estivessem ali ou não. Felizmente, o mercado britânico de séries não segue esse padrão e acaba criando coisas fantásticas, como Sherlock, uma das melhores séries que surgiram nos últimos anos e que é o assunto deste texto.

Definitivamente, Sherlock não segue nenhum dos padrões estabelecidos pela tv americana. A primeira e segunda temporadas possuem apenas três episódios cada uma, com duração de uma hora e meia, ao contrário dos seriados de 40 minutos americanos. São praticamente três telefilmes que juntos formam uma história maior. O maior atrativo da série, porém, é trazer a grande criação de Arthur Conan Doyle para os dias atuais. E os criadores e roteiristas da atração fazem isso com uma competência incrível, mostrando como um detetive do nível de Sherlock Holmes usaria toda a tecnologia que temos disponível atualmente, como a internet e os smartphones. A série ainda apresenta sacadas geniais, conseguindo até mesmo encaixar o clássico chapéu de Holmes nesse contexto moderno, de modo que não pareça forçado.

Quando começamos a assistir ao seriado fica até um pouco difícil acompanhar todas as informações que são jogadas na nossa cara. Holmes fala sempre com extrema velocidade quando faz suas explicações sobre dedução, enquanto vão pipocando na tela várias coisas escritas para mostrar graficamente o que o detetive está falando. E para nós brasileiros ainda existem as legendas para serem acompanhadas. Mas caso se sinta perdido e ache que não está conseguindo entender nada, não se preocupe, pois isso faz parte da série já que o dr. Watson passa metade do tempo sem entender nada do que seu grande amigo explica. Não demora para que o expectador se acostume com o ritmo da série e comece a se empolgar com cada mistério solucionado pelos dois parceiros.

O ritmo de Sherlock é frenético, sempre com mistérios que precisam ser resolvidos com urgência, afinal, a polícia só pede a ajuda de Holmes quando está realmente desesperada. Quando o detetive consegue solucionar uma pista, logo surgem outros tantos mistérios que fazem com que a dupla de investigadores não pare nunca. E o melhor é que, apesar de parecerem casos isolados, ao final de cada temporada percebemos que cada coisa investigada por Sherlock ao longo dos três episódios fazia parte de uma trama maior.

Além disso, a amizade entre Holmes e Watson é muito bem trabalhada, com o médico sempre desconfiando das excentricidades de Holmes. E quando achamos que a amizade dos dois já está bem estabelecida, os roteiristas surgem com alguma coisa que nos faz desconfiar de que algo não está certo. E falando na amizade dos dois, é extremamente engraçado quando aparece algum personagem achando que eles são um casal gay. No começo, Watson se mostra bastante irritado (enquanto Sherlock não está nem aí), mas não demora para que ele não dê a mínima para os comentários, colocando a amizade dos dois acima de tudo.

Claro que uma boa ideia como essa série não seria nada sem um bom elenco. E talento é o que não falta entre os atores. Benedict Cumberbatch dá um show como Sherlock Holmes, sendo extremamente carismático, mesmo que o personagem seja muito mais antipático do que sua versão protagonizada por Robert Downey Jr Stark. Aqui ele é apresentado como uma pessoa muito perturbada e que fica sem saber o que fazer para passar o tempo quando não está trabalhando em algum caso, chegando a praticar tiro ao alvo nas paredes do próprio apartamento. Através das esquisitices de Holmes podemos acompanhar também a evolução da amizade entre ele e Watson, já que no começo o médico estranha tudo e com o passar do tempo já nem se importa de encontrar cadáveres na mesa da cozinha, por exemplo.

Para interpretar o médico John Watson, foi chamado o ator Martin Freeman (que será Bilbo Bolseiro em O Hobbit), que é excelente em ser o total oposto de Sherlock Holmes, sempre colocando as emoções acima da lógica fria do companheiro. O ator é competente em mostrar toda a preocupação que Watson sente quando Holmes está em alguma encrenca, mesmo que continue com uma expressão aparentemente tranquila. Outro aspecto interessante do personagem é que ele mantém um blog onde conta todos os casos nos quais trabalhou com Sherlock, sempre criando nomes mirabolantes e chamativos para os mesmos, o que irrita o amigo. Na verdade, Holmes fica com um pouco de ciúmes do recém criado blog fazer mais sucesso do que seu site sobre dedução que existe há mais tempo, mas ele nunca admite isso.

E quando achamos que não tem como melhorar, eis que ainda na primeira temporada surge Jim Moriarty, interpretado brilhantemente pelo ator Andrew Scott. Infelizmente, é impossível falar dos melhores momentos do maior rival de Sherlock Holmes na série sem dar algum tipo de spoiler. Como não quero estragar as surpresas para quem ainda não assistiu, basta dizer que os encontros entre os dois adversários reservam momentos realmente épicos, com Moriarty mostrando toda sua genialidade e loucura. Na verdade, o surgimento do personagem nos faz questionar até que ponto Sherlock Holmes é realmente são.

Obviamente que Sherlock não ignora a mitologia do personagem nos livros e conta ainda com participações de outros personagens que fazem parte dos contos de Arthur Conan Doyle, como Mycroft Holmes, o inspetor Lestrade e Irene Adler. Todos com participações extremamente importantes na história, mesmo que em um primeiro momento pareça que eles são apenas pequenos coadjuvantes. Como eu comentei mais acima, os roteiristas são muito bons e todas as histórias são muito bem amarradas.

Para os fãs de Sherlock Holmes ou de séries de mistérios, Sherlock é indispensável. Além de colocar o detetive no século XXI, o seriado traz personagens muito mais interessantes do que os apresentados nos filmes estrelados por Robert Downey Jr. São apenas seis episódios que podem ser encontrados facilmente na internet e que te prendem do início ao fim. E caso você seja um colecionador (como é o meu caso), o blu-ray da série foi lançado oficialmente no Brasil. Corra para assistir esta excelente série antes que a versão americana – chamada Elementary – seja lançada, com Lucy Liu no papel do Watson. Não, eu não estou brincando, os americanos transformaram Watson em uma mulher.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

11 COMENTÁRIOS

  1. =

    Nao tem muito pra acrescentar
    e bem…se acrescentar vai ser spoiler HUAUHA
    mas concordo… apesar de não ter lido nenhum livro do Holmes. Adoro a série… e segundo uma amiga ( que leu desesperadamente os livros ) a adaptação fico fantástica mesmo.

    Adoreia resenha. parabéns

  2. A série é sensacional, e apenas pra dar uma pequena acrescentada, a série é uma criação de Steven Moffat, atual roteirista de Doctor Who, o mesmo que recentemente roteirizou As Aventuras de Tintim dirigido por Spielberg

  3. Não conheço muito Sherlock (só li um livro secúlos atrás), mas gosto dessas séries de mistério, e de atores ingleses também (aquele sotaque…). Baixarei.

  4. Sensacional o seriado!!!O final me deixou de boca aberta!!!E a noticia de que foi renovada para uma terceira temporada, me deixa mais estasiado ainda, alias, como Sherlock vai resolver a sua situação do final???

  5. Assisti a primeira temporada pouco depois do lançamento, e achei fantástico. Para quem já leu os contos e romances, há dezenas de referências a elementos dessas histórias, o que torna mais prazeroso ainda acompanhar a série. A segunda temporada eu só comecei a ver no último domingo, e achei a personagem Irene Adler sensacional, muito melhor aproveitada e caracterizada do que a versão do filme de Guy ritchie.

  6. Nossa, não tenho palavras para acrescentar a esse texto execelente de uma série que é completamente cativante e envolvente.

    O Sherlock apesra de ter recebido uma nova roupagem por Benedict está fabuloso!

    Nem sei o que exatamente comentar… kkkkkkkk Porque sinceramente, essa série foi umas das que ficarão guardadas na minha coleção por muitos anos….

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