O principal problema de assistir o remake de algum filme é conseguir tirar o elefante branco da sala, ou seja, esquecer a primeira versão do filme. No caso do novo O Vingador do Futuro isso é especialmente difícil pela ausência do planeta Marte, que fazia parte da história na produção estrelada por Arnold Schwarzenegger. Eu passei os 30 primeiros minutos do filme apenas pensando nisso, mas quando consegui ultrapassar este obstáculo até que o filme se tornou divertido. Não é uma obra prima, mas o primeiro também não era.

Estrelado por Colin Farrell, o novo Vingador do Futuro tem a sua história toda se passando apenas na Terra, mas seguindo basicamente o mesmo que o original. No lugar da colônia marciana, temos apenas a Colônia, que é explorada pela Federação Unida Britânica. No lugar do problema da falta de oxigênio, o novo filme mostra a Colônia como uma gigantesca favela que serve apenas para fornecer mão de obra barata para a Federação, que saiu vitoriosa de uma guerra que devastou parte do mundo anos antes da história. Ao contrário do original, aqui Douglas Quaid é um habitante da Colônia e tem um emprego como operário na Federação, ajudando a construir os policiais robóticos que patrulham as ruas.

A nova versão de Vingador do Futuro é mais convincente ao mostrar os motivos que levam Quaid a procurar a companhia Rekall, especializada em implantar memórias falsas. O cara vive num lugar de merda, tem um emprego de merda e acabou de perder uma promoção no trabalho pra alguém menos qualificado só porque esse alguém é da Federação. Ao tentar implantar algumas memórias divertidas, algo dá terrivelmente errado e Quaid descobre que é um espião altamente treinado, capaz de enfrentar dezenas de soldados sozinho. A partir daí, as cenas de ação se encarregam de nos fazer esquecer (pelo menos um pouco) de que Marte não está lá.

Com o advento de efeitos especiais que não existiam em 1990, o novo Vingador do Futuro entrega cenas de ação e perseguição realmente divertidas, com destaque para um combate que acontece em gravidade zero. Os cenários também estão muito bem feitos, em especial a Colônia, que tem o aspecto de uma gigantesca favela, sem espaço para se movimentar direito. É angustiante ver a fuga de Quaid pelas ruas da Colônia, já que o tempo todo ele esbarra em alguém ou algo e temos a sensação de que ele não vai conseguir. Para aumentar essa impressão de que a Colônia é um lugar desgraçado, ela sempre é mostrada de noite, com chuva caindo o tempo todo. Já no território da Federação, é sempre dia, sem chuvas e com bastante espaço para as pessoas se movimentarem nas ruas. O local onde o líder dos rebeldes se esconde também é interessante e faz algumas referências ao filme original.

Talvez o maior problema do filme esteja no protagonista. Apesar de bom ator, Colin Farrell não tem o mesmo carisma de Arnold Schwarzenegger e nem é tão engraçado. Uma das coisas mais legais do original era justamente a mistura de ficção científica, ação e humor e este último elemento foi retirado da nova versão. Em compensação, a personagem Lori, interpretada originalmente por Sharon Stone, está muito mais convincente no remake. Interpretada desta vez por Kate Beckinsale, Lori é mais interessante por não ser apenas a gostosa designada para tomar conta de Quaid, é ela que passa o filme inteiro caçando o personagem.

O novo Vingador do Futuro passa longe de ser uma obra prima, mas consegue divertir num dia que você não tenha mais nada pra fazer. Além disso, para os fãs da primeira versão, o filme traz diversas referências ao original, como o disfarce utilizado por Schwarzenegger para entrar em Marte. A cena da retirada do rastreador também está lá (menos exagerada que no original), assim como a prostituta de três peitos, embora não faça nenhum sentido a presença dela ali. De qualquer forma, não é um filme que vá ficar na sua cabeça por muito tempo.

Total Recall (EUA, 2012)

Direção: Len Wiseman

Duração: 118 min

Nota: 6

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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