Olá meus manifestante engajados e maravilhosos!

É impossível não saber o que está acontecendo no país nesse momento e assim como Filipe Siqueira e o Chaves, eu também dei a cara à tapa e fui pra rua no protesto que aconteceu na segunda.

Pra começar meus pais também lutaram contra os absurdos que o governo vem, infelizmente, fazendo com a população há muito tempo. Minha mãe participou do movimento Diretas Já! (mandando uma de suas professoras ir tomar no cu porque queria aplicar prova no dia da manifestação) e do Impeachment do Collor. Já meu pai, junto de um tio meu, lutou contra a Ditadura Militar. Ou seja, agora é a minha vez de honrar não só o sangue dos Toledo Paz, mas honrar minha condição de brasileira.

Nunca fui muito politizada nem me envolvi com política, mas não pude deixar de despertar junto de toda a galera. O meu gigante acordou, assim como o de vários outros milhares de brasileiros e pra falar a verdade, eu nunca me senti tão poderosa e viva. Nunca senti tanto orgulho do meu país como sinto agora.

No sábado do dia 15 me reuni com uns amigos e o assunto da noite foram os protestos e a violência abusiva da PM pra cima da galera que estava lutando por seus diretos. Lá mesmo foi decidido, iríamos para o novo protesto de segunda (17).

Eu e meu irmão gêmeo então começamos a tomar as devidas providências para que estivéssemos equipados para o pior. Enchemos garrafas com água, vinagre e leite. Levei sacolas plásticas, uma muda de roupa, uma bandeira do Brasil e lenços embebidos em vinagre não só para mim, mas para a galera ao meu redor. Nessas horas ser egoísta é ser merecedor de uma bomba de gás lacrimogêneo na cara. O povo precisa se ajudar.

Não consegui dormir de domingo pra segunda, não sei se foi pelo medo do que a PM faria com a gente segunda, não sei se por medo da bronca gigantesca que meu pai daria por ter ido na manifestação sem avisá-lo ou simplesmente por pura empolgação de fazer parte da lutar por um país melhor. Quando avisei minha mãe que eu iria, ela me deu uma imagem de santo pra levar comigo e me fez prometer que a ligaria de 1 em 1 hora pra informá-la do meu estado de saúde.

Me encontrei com uma galera no Paço Municipal de Santo André e de lá fomos para a estação de trem. Como eu disse antes, fui preparada pelo pior cenário possível então quando eu vi que a estação estava abarrotada de viaturas e PMs eu já fiquei preocupada com uma revista e apreensão. Nada aconteceu e eu até consegui um bilhete de trem de um dos manifestantes.

No trem meu irmão me ligou: “Bi, vem pra Vila Madalena aqui pro escritório. Daqui a gente segue pra Paulista junto”. Dito e feito, de lá começamos a andar pela Cardeal Alcoverde e encontramos um grupo do protesto. Juntos fomos para o Largo da Batata e enfim chegamos na Faria Lima. Foi lá que a coisa me atingiu na cara, eu estava lá, junto daquele mar de gente animada, feliz e valente.

Eu estava brigando para melhorar meu país.

Batemos palmas, demos risada, gritamos pro pessoal da janela, cantamos e reinvidicamos. Tudo de modo extremamente pacífico, sem PM por perto, sem violência, sem corre corre, sem gás, sem bala de borracha, sem empurra empurra, sem soco, sem nada. Éramos somente nós na rua e veículos de televisão. Andávamos com tranquilidade e sempre que víamos pessoas em bares gritávamos Vem! Vem pra rua, vem contra o aumento!.

Todo mundo tirava fotos, todo mundo se abraçava, todo mundo era educado e respeitoso com o outro e todo mundo se ajudava. Eu mesma dei água pra uma galera de lá. Tenho que admitir que o pessoal que bolava os gritos de guerra era criativa, desde “Hey Haddad, paramos a cidade!” passando por “Copa do Mundo, eu abro mão! Quero dinheiro pra saúde e educação!” e “Brasil, vamos acordar, professor vale mais do que o Neymar!”

Dobramos na Juscelino Kubitschek e chegamos na Brigadeiro Luis Antônio. Eu já tinha uma noção da quantidade de gente no nosso bloco de manifestantes, mas foi quando começamos a subir a rua sentido Avenida Paulista que eu percebi que estava errada. Pra onde você olhasse tinha gente e não demorou muito até que alguém puxasse um “O povo, unido, é gente pra caralho!”

Naquela hora eu senti mais orgulho ainda, mesmo quando tivemos a suspeita de que o CHOQUE estava na rua, eu bradava com vontade, batia palma até a mão doer e ignorava completamente a dor nos pés e pernas,o peso da mochila e o calor das roupas grossas. Eu havia acordado, meu gigante estava desperto e gritando.

A festa foi total quando chegamos na Avenida Paulista. Soltaram balões, fogos e foi uma comemoração geral. O pessoal continuava a tirar fotos e foi lá que vi o segundo grupo de PMs do dia. Eles estavam parados, só observando e se certificando de que estava correndo tudo bem e que estávamos seguros. Como deveria ter ocorrido na quinta.

Nessa hora eu queria explodir de felicidade a até agora quando lembro de estar lá, parece surreal. O pessoal sentava feliz na rua ou na calçada, tinha gente deitada, gente tirando foto e em todo o momento do trajeto o pessoal com smartphone batia uma foto ou atualizava a movimentação da galera.

A tecnologia estava ao nosso favor. Seja por SMS, celular, smartphone ou internet, todo mundo estava se comunicando entre si ou compartilhando informações. Eu mesma descobri o que precisava levar e quais medidas tomar caso tudo desse merda (lembrando que eu e meu irmão fomos pra lá preparados para o pior cenário possível) e não só isso, compartilhei muita coisa pra galera que tinha ido na quinta e que pretendia ir na segunda.

Então galera do Facebook e Twitter que não foram na rua, meu muito obrigado de coração.

Na terça (18) eu não pude ir no Sexto Ato porque tinha uma prova na faculdade mas isso não me impediu de ajudar quem ia ganhar rua no dia. Além de compartilhar notícias e instruções, fui para a estação de trem (também cheia de PM) e me deparei com um grupo de punks. Na minha frente ia um casal jovem que ignoraram completamente um dos meninos do grupo que pedia ajuda para conseguir ir na manifestação.

Primeiro que eu fiquei puta da vida com esse casal, como assim ignorar a galera que quer mudar esse país, país esse que VOCÊS CASAL também moram? Eu parei na hora e abri a carteira. Chamei a atenção de um dos meninos, que depois se apresentou como Bob, e dei pra ele uma nota de dez reais de peito aberto. [Nota da edição: Bia, nós queremos ajuda para ir na manifestação, também!]

O cara não acreditou na minha ação e eu respondi “O povo precisa se ajudar nessas horas cara. Se a gente ficar parado essa porra nunca vai mudar”. Fiz amizade com os meninos e fui feliz para a minha prova de Radiojornalismo.

Um fato curioso de Segunda:

Estava no Paço Municipal de Santo André esperando o restante dos manifestantes aparecerem quando uma senhora, estilo classe média, pisou em falso numa pedra e caiu. Fui ajudá-la e o seguinte diálogo aconteceu:

“- Moça tá tudo bem?

– Tá sim, obrigada.

– Você vai pra manifestação hoje?

– Vou sim.

(Sorriso de incredulidade, desprezo, menosprezo)

– Vai pra casa

– Eu tô cansada de ir pra casa senhora, você deveria também”

A mulher deu mais um risinho amarelo e seguiu caminho para o seu conformismo e cegueira diária.

Queria deixar aqui o meu muito obrigado pra galera do Passe Livre, Matilha Cultural, pros estudantes de medicina da USP que fizeram plantão pra primeiros socorros, pros advogados da Passe Livre que gratuitamente ajudaram, ajudam e ajudarão a galera com o Habeas Corpus, Augusto Paz, Téo Spina e Tomás Jatobá por me fazerem companhia na caminhada de 9,5 Km, Gerson Cruz, Giovanna Rezende pelos sms frenéticos sobre como tava a coisa toda e movimentação da polícia, Karoline Garcia e Lucas Costa Santos por terem ido.

Mas meu muito obrigado vai pra primeiro, a população de São Paulo, do Brasil e do mundo que cansaram, e resolveram agir, contra esse governo opressor e que ri da nossa cara. E segundo, queria agradecer ao Governo de São Paulo e a Dilma por terem feito a cagada final que nos fez despertar.

protesto
É só o começo galera, #vemprarua porque #ogiganteacordou!

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