big-hero-6-by-Sharm-Murugiah-–-U.K.Operação Big Hero é o resultado da união dos poderes de diversas pessoas espetaculares, e não estou falando dos personagens do filme, mas sim do time Disney por trás da animação. Big Hero 6 (nome da obra lá fora) foi originalmente uma HQ da Marvel, que não encontrou público certo quando lançada em 1998. Depois do Mickey comprar a Marvel, todo o universo do quadrinho – de pesada influência oriental e de tom muito mais sério – foi completamente remodelado, para enquadrar-se a personalidade dos trabalhos da casa.

A história de Operação Big Hero se passa em San Fransokyo, uma espécie de universo paralelo que mistura São Francisco e Tóquio. No lugar, parece que não existem etnias definidas, todos são o resultado de uma mistura universal de raças. A tecnologia avançada desta realidade possibilita a construção de aparatos futurísticos e robôs inteligentes que vão além de nossa imaginação. São designs criados para o bem, mas que se caírem em mãos erradas, podem se tornar armas poderosas.

E diante do surgimento de um super-vilão na cidade, um grupo de amigos cientistas se vê na obrigação de fazer alguma coisa. A equipe de seis heróis é liderada pelo garoto Hiro, que tem como seu braço direito o robô – que mais parece um marshmallow gigante – Baymax, uma herança de seu irmão Tadashi. Juntos, os novos defensores do bem vão combater o inimigo em comum. No entanto, o caminho para se tornarem realmente dignos de seus poderes e responsabilidades, precisa ser percorrido com sabedoria.

big_hero_6_movie-2880x1800

Bem, para ser honesto, essa pequena sinopse nem mesmo arranha a superfície do que é a Operação Big Hero. O trabalho de criação por trás do filme é sensacional. O roteiro, de maneira cativante, fala do poder de novas amizades na vida de uma pessoa, reflete sobre a depressão do luto, sobre a irracionalidade da vingança, e demonstra que todo amadurecimento leva a redenção. Os personagens foram moldados com tanta atenção, que para descrever apenas um deles, este texto ficaria longo demais, é melhor conhecê-los pessoalmente.

Cada cena e cada diálogo ajuda a construir um novo aspecto dos heróis. Devido as possibilidades infinitas de desenvolvimento de cenas, a valorização dos argumentos e situações é feita sempre de maneira retumbante, com a trilha sonora épica de Henry Jackman estabelecendo o ritmo, e a criatividade por trás dos efeitos especiais trabalhando a mil por hora.

O universo criado para Operação Big Hero é provavelmente um dos mais bem talhados pela computação gráfica. São dúzias de cenários extraordinários, que apresentados em outro contexto, seriam impossíveis de serem identificados como não reais. Este nível de perfeição técnica é algo que surpreende, uma realização que eleva os parâmetros e expectativas de audiências futuras.

big-hero-6-team-disney

E analisando bem a equipe por trás do filme, podemos perceber as razões de tudo ter dado muito certo. A produção conta com dois diretores, Don Hall e Chris Williams, e três roteiristas, Jordan Roberts, Daniel Gerson e Robert L. Baird. Entre os filmes dirigidos e roteirizados por esses caras, estão obras como: Tarzan, A Nova Onda do Imperador, A Família do Futuro, A Princesa e o Sapo, O Ursinho Pooh, Mulan, Bolt: Supercão, A Marcha dos Pinguins, Monstros S.A., Universidade Monstros, Enrolados para Sempre e Carros.

Agora, o grupo Big Hero 6 foi repaginado dos gibis para telona pela a dupla inseparável Duncan Rouleau e Steven T. Seagle, mentes criativas por trás de séries animadas como: Os Vingadores Unidos, Ultimate Homem-Aranha e, principalmente, tudo que existe de Ben 10. Nos créditos eles assinam a participação como Man of Action.

Costumo pensar que, em termos de criação, menos é mais, por isso é uma surpresa ver que tantas cabeças conseguiram se entender e se complementar de maneira tão correta. Não ousaria dizer que Operação Big Hero é a melhor animação da Disney, mas chega muito perto disso. O filme pega emprestado diversos elementos explorados por outras animações famosas, como a tristeza da morte (UP), a afeição do robô amigo (WALL-E), o humor dos heróis atrapalhados (Os Incríveis), o vôo do navegador (Como Treinar seu Dragão), e potencializa estas idéias ao máximo, se tornando maior e melhor.

Mesmo com um complexo processo de criação por trás de tudo, no espírito da obra reside a honestidade e simplicidade que toda criança do mundo quer ver em um filme… e adultos também. Recomendado.

Operação Big Hero (Big Hero 6) EUA/ 2014 / 102 min /

Direção: Don Hall, Chris Williams

Elenco: Scott Adsit, Ryan Potter, Daniel Henney, T.J. Miller, Jamie Chung, Damon Wayans Jr., Genesis Rodriguez, James Cromwell, Alan Tudyk, Maya Rudolph 


banner_criticacompleta

Comente pelo Facebook

Jornalista guerrilheiro, entusiasta de games ligeiramente sangrentos. Já teve banda de Heavy Metal, hoje toca Beatles no violão. Ama a sétima arte de forma visceral, prefere dramas reais - pois acha que a vida em certos momentos é incrível demais para ser verdade. Já escreveu sobre cinema, música e jogos em alguns lugares, hoje é editor do site Crítica Daquele Filme... e precisa fazer mais exercícios.

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta