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Veja aqui a primeira parte dos 50 anos do Demolidor, o advogado cego Matt Murdock da Marvel. Desde a origem do herói por Stan Lee, passando por Frank Miller e Ann Nocenti!
Criado em 1964 por Stan Lee e Bill Everett, o Demolidor é um dos personagens mais famosos da Marvel Comics e faz parte do time de heróis de primeiro escalão da editora. Ao longo dos seus 50 anos de vida, Matt Murdock, o alter ego do Demolidor, passou por poucas e boas. Confira a seguir a primeira parte da trajetória do demônio que protege as ruas da Cozinha do Inferno!

ORIGEM E O SURGIMENTO DOS VILÕES CLÁSSICOS

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Daredevil #1

Em abril de 1964 saiu Daredevil n º1 pela dupla criativa Stan Lee e Bill Everett e nela descobrimos a origem do herói amarelo e vermelho (em suas primeiras aventuras ele ainda não tinha adotado o uniforme completamente vermelho): Matt Murdock era um simples e estudioso garoto que ficou cego após ser atingido por um isótopo radioativo que caiu de um caminhão ao evitar que um velhinho fosse atropelado na rua. Desde então o garoto teve todos os seus outros sentidos ampliados em níveis super-humanos. Um pouco mais crescido, seu pai é morto por gangsters e Matt se forma em Direito. Decidido a combater o crime nas duas frentes, ele vira o Demolidor.

Nas edições seguintes o herói acaba combatendo um antigo inimigo do Homem-Aranha, o Electro e também enfrentando outros vilões que já são da sua galeria de vilões: Coruja, Homem Púrpura, Matador, Senhor Medo, Metalóide, Gladiador entre muitos outros.

Nesse período também surgem importantes personagens coadjuvantes da revista: Foggy Nelson, sócio e amigo de Matt Murdock e Karen Page, secretária do escritório de advocacia “Nelson & Murdock” e grande amor do herói.

As histórias dessa época eram típicas dos anos 60: cheias de textos com muitas explicações sobre tudo, tramas bobinhas (com direito a um irmão gêmeo de Matt Murdock que era ele mesmo disfarçado), mas que faziam total sentido na época.

ONDE SAIU ISSO? Aqui no Brasil um pedaço dessa fase saiu na Biblioteca Histórica Marvel: Demolidor volume 1 da Panini Comics, e nos EUA nos mais diversos formatos, principalmente na linha Marvel Masterworks e Essential.


ANOS 70: ÉPOCA DAS VACAS MAGRAS

A década de 70 foi meio difícil para o herói já que diversos roteiristas passaram pelo título e poucas coisas são dignas de destaque. Nesse período, rola a estreia de um dos maiores inimigos do herói, o Mercenário (na edição #131), e também o surgimento de um dos melhores coadjuvantes da história das HQs: Ben Urich (na edição #153). Urich é um repórter do Clarim Diário (famoso jornal das histórias do Homem-Aranha) que deduz por meio de uma investigação jornalística a identidade secreta do Demolidor.

Urich surgiu quando Roger McKenzie estava à frente do título, época em que o gibi vivia a sua pior fase: a periodicidade era bimestral e a revista atingiu a vergonhosa marca de 17 páginas por edição para cortar custos e estava prestes a ser cancelada. Na edição #158 uma ponta de esperança para o herói apareceu nos desenhos: um artista chamado Frank Miller.

DO CANCELAMENTO PARA A MAIOR FASE DE TODOS OS TEMPOS

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Daredevil #168

Frank Miller era um jovem desenhista, com 22 anos na época, e sua arte com a pegada pulp e com muita influência de Will Eisner já chamou a atenção logo de cara dos fãs e da própria Marvel. Os editores não estavam felizes com os roteiros de McKenzie e estavam decididos a cancelar a revista, mas Miller interveio e pediu para assumir os roteiros. Como a editora não tinha nada a perder resolveu aceitar o pedido de Miller.

E tudo mudou na edição #168. Logo de cara, Miller já introduziu uma das personagens femininas mais famosas das HQs: a misteriosa Elektra que cativou os leitores logo de cara. O artista inseriu a personagem por meio de um retcon, mostrando como um jovem Matt Murdock antes de virar o Demolidor namorou Elektra Natchios e de como ele indiretamente ajudou na origem da então inocente estudante em uma assassina ninja.

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Daredevil #170

Na edição seguinte, Miller traz de volta o Mercenário mais louco e sanguinário do que nunca e na edição #170 surge aquele que é o maior inimigo do herói: o Rei do Crime. Wilson Fisk era um dos vilões do Homem-Aranha, mas estava esquecido. Em apenas três edições, Miller introduziu a base essencial de toda a sua fase e também conseguiu fazer com que a revista voltasse a ser mensal na edição seguinte.

O que veio a seguir foi não tão menos espetacular: a estreia dos ninjas do Tentáculo, a volta do Gladiador, a revelação de que Matt Murdock apanhou de seu pai na infância, Elektra quase matando Ben Urich, Demolidor perdendo seus poderes pela primeira vez, o surgimento de Stick (outro retcon de Miller: Stick é um ninja do bem que treinou Murdock a controlar os seus poderes ainda na infância) e o ápice da série: a morte de Elektra.

O final da fase Miller no título termina com Elektra sendo ressuscitada, o Demolidor se vendo obrigado a aliar-se com o Rei do Crime para lidar com a ameaça do Tentáculo e uma emocionante história do herói disputando uma roleta russa com o Mercenário (que, por sinal, ficou tetraplégico graças ao herói).

Um verdadeiro furacão passou pela revista. Pobre de quem iria assumir em seguida…

ONDE SAIU ISSO? A Panini Comics lançou a fase completa do Frank Miller como escritor em Os Maiores Clássicos do Demolidor volumes 1 ao 4 (e promete lançar todo o run do autor no formato deluxe ainda esse ano, pelo menos o primeiro volume) e a Marvel Comics relançou recentemente o Omnibus Daredevil By Frank Miller  que tem toda essa fase (mais a fase apenas como desenhista) compilada em uma única edição.


HIATO

Daredevil #219
Daredevil #219

A ingrata tarefa de assumir o título após a saída de Frank Miller coube ao veterano roteirista Denny O’Neill (que na época era editor do título), que trouxe de volta o Mercenário recuperado da sua condição, a Viúva Negra além de uma série de outros vilões. Essa fase também contou com os roteiros de Harlan Ellison e Arthur Byron Cover e o surgimento de um dos maiores desenhistas do personagem: David Mazzucchelli. As histórias eram boas e até rolaram fatos importantes como a morte de Heather Glenn (namorada do herói na época), mas os leitores queriam que Miller voltasse.

E a editora ouviu esses pedidos.

Miller voltou timidamente ao personagem na edição #219, em uma estranhíssima história desenhada por John Buscema em que o Demolidor não aparecesse uma única vez no gibi inteiro. Depois repetiu o feito na edição #226, com o Demolidor tendo que lidar com a volta do Gladiador e as feridas ainda abertas da morte da sua namorada. E depois, tudo mudou.


FRANK MILLER STRIKES AGAIN

Miller voltou chutando o pau da barraca trazendo de volta Karen Page (a primeira namorada do herói) que não era vista desde a década de 70 da pior maneira possível: agora ela é uma prostituta viciada em drogas e que, por um último pico, faz o impensável e vende a identidade do Demolidor. A informação acaba chegando aos ouvidos do Rei do Crime que decide colocar ela a prova: explode o escritório e o apartamento onde o herói morava, revoga a sua licença como advogado, congela suas contas e usa policiais para chantagear Murdock.

Toda essa série de acontecimentos em tão pouco tempo faz o herói virar um sem teto paranoico e sedento de vingança contra o Rei do Crime. Em um ato desesperado ele invade o escritório do vilão e toma uma surra homérica sendo deixado para morrer nos rios de Nova York, mas acaba escapando da morte e consegue voltar para o seu bairro, sendo salvo por uma freira.

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Edição da Editora Salvat

Coincidentemente essa freira é a mãe de Matt Murdock, que o abandonou ainda garoto. Em uma sequência emocionante o Rei do Crime chama Bazuca (um super soldado americano com praticamente os mesmos poderes do Capitão América) para acabar de vez com o Demolidor que ainda está se recuperando dos seus ferimentos, com o vilão bombardeando a Cozinha do Inferno e no final sendo morto por soldados americanos.

Novamente Miller vira o mundo do herói de cabeça para baixo, tirando o Rei do Crime de cena, trazendo Karen Page de volta, deixando Matt Murdock sem licença para advogar além de introduzir a mãe do herói em sua vida. Esse arco que aqui no Brasil ficou conhecida como “A Queda de Murdock” e é, sem sombra de dúvidas, a história mais importante da história do personagem.

E a pergunta de três anos atrás voltou à tona: E agora, quem vai assumir o rojão?

ONDE SAIU ISSO? A Abril lançou o material em formatinho (com censura e sem censura), mas você merece ler ela em um formato decente. Procure pela edição capa dura da Panini Comics ou a edição da Editora Salvat, da linha Graphic Novels Marvel.


A FASE NOCENTI

Quem assumiu o rojão foi Ann Nocenti, uma jovem escritora que contava com uma minissérie do Longshot (personagem o qual ela é a criadora) no seu currículo além de outras poucas histórias. A escritora usou os ganchos deixados por Miller e transformou Matt Murdock em um advogado clandestino assumindo casos ao lado as sua amada Karen Page. Nocenti trabalhou dos mais diversos temas na revista: choque de classes econômicas, ecologia, paranóia nuclear (tema muito em alta na década de 80) além de trabalhar fortemente o lado religioso do herói.

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Daredevil #254

Tudo começou com a introdução da personagem Mary Tyfoid, uma nova anti-heroína que depois virou vilã na vida do Demolidor. Mais desenvolvida que Elektra, Mary Tyfoid surge como uma amante do herói e depois, a mando do Rei do Crime, acaba novamente com a vida de Matt deixando-o sem dinheiro, trabalho e até mesmo sem Karen Page – sem nada para seguir em frente.

Nocenti então começou uma ambiciosa fase em que o Demolidor precisa redescobrir a sua vida e principalmente a sua fé, onde o herói acaba confrontando o demônio em pessoa: Mefisto! Essa longa fase termina com o herói passando pelo próprio inferno e renovando a sua fé, tanto na vida quanto espiritualmente.

Outros temas abordados pela escritora foram os defeitos da América, capitalismo exagerado, confiança cega nas leis entre outros. A fase Nocenti foi uma fase extremamente controversa, pois abordava um lado nada convencional do Demolidor com uma pegada meio esquerdista. Mas não se pode negar que foi uma das fases mais criativas que um herói poderia ter tido em sua carreira. Aliás, essa foi uma das fases mais longas do herói, durando quatro anos e meio.

ONDE SAIU ISSO? A fase Nocenti durou da edição #238 até a #291 e foi porcamente encadernada nos EUA e sem nenhum encadernado aqui no Brasil. Vale dar uma garimpada nas Superaventuras Marvel da Editora Abril e conhecer essa fase.


Em breve o restante dos 50 anos do Demolidor, mostrando a nova queda do herói, o renascimento criativo nas mãos de Kevin Smith e novas e premiadas fases.

Fiquem ligados!

[quote_box_center]Continue lendo o especial:  Os 50 anos do Demolidor – Parte 2[/quote_box_center]

 

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