Como o próprio nome já diz, Ouija – Origem do Mal é um prelúdio do filme de 2014, mas acaba servindo também como uma homenagem aos filmes de terror do final da década de 1960 e começo de 1970. Se passando em 1967, a produção possui toda a atmosfera dos filmes dessa época, com a história se desenvolvendo lentamente, sem os cortes rápidos tão comuns hoje em dia. O diretor Mike Flanagan chegou a incluir “marcas de cigarro” no canto da tela, recurso que era utilizado para indicar ao projecionista quando ele deveria trocar os rolos do filme. Além disso, é possível perceber uma leve tremida na imagem quando os rolos são “trocados” durante a projeção.

Este clima de filme antigo é tamanho que, em alguns momentos, parece que estamos assistindo a um prelúdio ou uma sequência do clássico O Exorcista, já que várias fórmulas do filme de William Friedkin aparecem aqui. Temos a mãe que cuida sozinha das filhas; a criança com uma sensibilidade para o sobrenatural; e o padre que, quando surge na tela, nós automaticamente já sabemos que em algum momento alguém vai pedir a ajuda dele. Até Poltergeist entra nessa homenagem, com uma criança que está sempre assistindo TV, muitas vezes fora do ar.

Contando a história de uma mãe que, após a morte do marido, sustenta as filhas fingindo se comunicar com os mortos, Ouija – Origem do Mal é eficiente em nos fazer duvidar se os eventos que estamos testemunhando são realmente sobrenaturais ou se são apenas fruto da imaginação de uma criança que passou por um trauma muito grande. Afinal, passamos boa parte do tempo acompanhando como são feitos os truques da mãe, incluindo aí como fazer o famigerado tabuleiro de ouija se movimentar “sozinho”.


O filme acerta também em sua fotografia na hora de contar a história visualmente. Reparem como eventos mentirosos acontecem na presença de uma iluminação mais clara, enquanto eventos sobrenaturais ocorrem em momentos de pouca luz. Não é coincidência que a primeira vez que o tabuleiro funciona de verdade seja em um momento de total escuridão. O próprio porão da casa parece muito mais ameaçador da metade do filme para frente do que parecia no início, mesmo sendo exatamente o mesmo lugar. Ainda sobre a fotografia, é interessante notar que, conforme a verdade vai sendo revelada, a luz parece abandonar lentamente o ambiente, deixando os personagens nas trevas quando chega o final da explicação.

Em seu terceiro ato, Ouija – Origem do Mal parece se lembrar que, apesar das homenagens a filmes antigos, ele é um filme de 2016 e se entrega a algumas convenções de filmes mais recentes. Assim, começam sustos a partir de sons bem altos e personagens que surgem do nada, com a intenção de nos fazer pular da cadeira. O verdadeiro ponto fraco do filme fica na decisão do diretor Mike Flanagan de não mostrar mais graficamente as mortes de alguns personagens, tudo para que o filme conseguisse uma classificação 13 anos nos EUA. Mas isso acaba sendo apenas um pequeno detalhe em um filme de terror que consegue divertir com seus sustos na medida certa.

Ouija: Origin of Evil (2016)

Duração: 1h 39min

Direção: Mike Flanagan

Elenco: Elizabeth Reaser, Lulu Wilson, Annalise Basso, Henry Thomas, Chelsea Gonzalez.

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Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

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