Mesmo que nosso tempo aqui na Terra seja limitado, é comum imaginarmos que temos todo o tempo do mundo. Muitas vezes adiamos decisões importantes para outro dia e, pior ainda, não dizemos para as pessoas próximas que as amamos, sempre achando que podemos fazer isso amanhã. Infelizmente, às vezes esse amanhã não chega e o sentimento de culpa acaba tomando conta. É justamente sobre essa questão tão humana que a sétima Graphic MSP, Penadinho: Vida, nos faz pensar. Assim como pode acontecer com qualquer um de nós, o fantasminha criado por Maurício de Souza sempre deixa para depois a sua declaração de amor para Alminha, afinal, eles ainda tem toda uma eternidade pela frente. Até a noite em que a Dona Cegonha aparece no cemitério e diz que Alminha irá reencarnar.

No mundo do Penadinho, a reencarnação é o equivalente à nossa morte. E agora toda a eternidade que ele acreditava possuir tem como prazo de validade apenas até o nascer do sol. Com isso, Penadinho resolve cumprir, em uma única noite, todas as promessas feitas nos últimos 30 anos que conviveu com Alminha no cemitério. O começo da história é comovente, com Penadinho se esforçando ao máximo para ter uma última noite com a sua amada e finalmente criar coragem para dizer que a ama. Mas um imprevisto acontece, Alminha acaba desaparecendo e cabe à turma do cemitério a tarefa de ajudar Penadinho a encontrar a fantasma antes do nascer do sol. A partir daí a história se torna uma grande corrida contra o tempo na qual os amigos enfrentam vários perigos e superam alguns dos seus medos.

Produzida pelo casal Paulo Crumbim e Cristina Eiko, Penadinho: Vida possui uma arte com estilo bem infantil e muito bonita. Apesar da aparente simplicidade da arte, ela possui pequenos detalhes interessantes, como o brilho que envolve Penadinho e Alminha, ou ainda a expressão sempre inocente no rosto de Frank, algo que combina com o personagem. Com um estilo que lembra muito mangá, o casal consegue mudar subitamente o tom da aventura, passando de uma ambientação sombria para uma bem colorida em poucos quadros, sem que isso incomode o leitor. Além disso, chama atenção também a expressividade dos personagens, variando desde feições bonitinhas até algumas realmente assustadoras ou tristes. No meio da história ainda existe espaço para o surgimento de toda uma nova turma de personagens que são muito mais coloridos do que a turma do cemitério. E a representação da Dona Morte na história está fantástica, com traços bem diferentes do resto da turma.

Apesar de ser uma aventura para todas as idades, com direito a vilão e lacaios atrapalhados, Penadinho: Vida tem tudo para agradar muito mais os adultos. A criançada com certeza vai curtir a correria, aventura e mistério contidos na história, mas são os adultos que vão chegar ao final se perguntando se estão aproveitando a vida como realmente deveriam fazer. Impressionante como uma história baseada em personagens infantis possa causar tanta reflexão. É impossível ler a HQ sem se identificar com a situação do fantasminha que acabou deixando de fazer tanta coisa, simplesmente por achar que tinha uma eternidade pela frente. Ao virarmos a última página da revistinha o que nos resta é respirar fundo e parar para refletir sobre a nossa própria vida.

E você, já disse que ama alguém hoje?

penadinho-vida-capa(Graphic MSP) Penadinho: Vida 

Autores: Paulo Crumbim e Cristina Eiko

Editora: Panini Comics

Páginas: 88

Preço de capa: R$ 31,90 (capa dura)

compraCOMPRE AQUI:

Submarino | Amazon | Comix

Comente pelo Facebook

Felipe Storino é carioca, criado na Zona Norte do Rio de Janeiro e radicado no Espírito Santo. Possui três grandes paixões: o Flamengo, cinema e games. Sobre os games, começou nessa vida ainda na época do Atari e do Odyssey e nunca mais largou os joguinhos. Quando não está jogando, está assistindo filmes, séries ou lendo gibizinhos. Recentemente virou grande entusiasta dos jogos de tabuleiro, comprando mesmo quando não tem com quem jogar. É orgulhoso possuidor de um Super Nintendo e um Master System 3 originais.

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta