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Existia uma casa completamente opaca, pois tons de bege e cinza dominavam suas paredes, móveis e objetos de decoração.

Tudo era muito sem graça! Exceto um dos cômodos – era um amplo quarto com paredes cobertas pela cor sublime azul-céu e, em algumas partes, predominavam coraçõezinhos pintados de cor de rosa chocante.

Havia uma cama ali. Cada pé era de uma cor diferente: verde, amarelo, vermelho e rosa. A cômoda, o guarda-roupa e o criado-mudo seguiam o mesmo padrão multicolorido. As cortinas tinham espirais como estampa.

Em um dos cantos do quarto, um enorme aquário chamava a atenção por causa do seu conteúdo: peixinhos de cores vibrantes – brilhavam no escuro.

Durante à noite era possível ver estrelinhas no teto, mas eram apenas vaga-lumes milimetricamente posicionados.

Antigos contam que algumas pessoas que se hospedaram por um determinado tempo nesse quarto, saíram de lá ligeiramente perturbadas.

Adentrar neste quarto traz uma sensação diferente para cada pessoa, a experiência pode ser eufórica e sem grandes prejuízos, inovadora, depressiva, apavorante, viciante… Sua duração pode ser de segundos ou durar anos seguidos.

O senhor Musgo Cintilante passou dois dias hospedado na década de 70 e de lá pra cá repete as sensações vividas nesse período pelo menos uma vez por semana.Viciou! Na quantidade de cores e nos caminhos que sua imaginação conseguiu percorrer durante sua estadia. Ele consegue se teletransportar para dentro do quarto todas as vezes que ingere LSD.

A menina Maria Clara se hospedou por 20 dias nesse Universo Multicolorido, ela tinha 7 anos e vivenciou momentos horripilantes. Ela via uma luva roxa flutuando em sua direção – semelhante ao Mãozinha da Família Addams, com a diferença que essa voava. Via /sentia bichos parecidos com galinhas subindo em sua cama – bicando suas pernas. E havia a mais tenebrosa das visões: seu pai com olhos vermelhos e soltando fogo pela boca. O passaporte para essa aventura foi uma febre que ultrapassou os 40 graus, quando ela teve meningite.

Muitas pessoas entraram e saíram desse quarto, todas vivenciaram as mais diversas, exóticas e lunáticas sensações.

Ao entrar, ninguém conseguia ler os dizeres existentes em uma placa pendurada na porta – talvez por que antes de entrar não entenderiam seu significado, só conseguiram interpretar na hora da saída:

DeLÍRiO

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