E aí suas delícias?

Uma das vontades mais primitivas do ser humano é a de ser deus. Seja criando um “império” de empresas, ou criando um programa onde a vida de estranhos é exposta 24 horas por dia, a intenção é a mesma: Controlar, saber de tudo sobre todos, ser adorado, venerado e estar em uma posição superior de poder. Além disso tudo, uma das ações que elevariam os humanos ao nível de deus seria trazer os mortos de volta.

Não é de hoje que esse tema é explorado. Seja com Frankenstein, FullMetal Alchemist, The Reanimator entre outros títulos, o objetivo é o mesmo. Vencer a única certeza que temos na vida: a morte. E a resenha de hoje também fala sobre esse assunto e quais tipos de consequências esse desafio as leis naturais pode ter.

A sinopse de The Lazarus Effect (aqui brutalizado na tradução como Renascida do Inferno) é bem simples. Um grupo de estudantes de medicina consegue desenvolver um soro capaz de reanimar cadáveres. Mas como sempre, é tudo festa e diversão até alguém perder um olho. Ou morrer. Ou voltar da morte.

Olivia (casa comigo) Wilde interpreta Zoey, a responsável por descobrir o soro. Ela, Frank, seu noivo babaca e o restante da equipe, conduzem uma série de experimentos e, por acidente, acabam desenvolvendo essa substância que muitos poderosos matariam para por as mãos.

O primeiro teste com resultado positivo se consiste em trazer de volta um cachorro morto por causas naturais. É claro que não demora muito para que o animal apresente um comportamento anormal e até agressivo. A partir desse ponto o filme começa a mostrar mais seu lado sobrenatural porém de modo muito sutil.

Geralmente, nesses casos, é ectoplasma jogado na sua cara com flashes e cortes secos com gritos. Não me entendam mal, esses recursos, se bem utilizados, conseguem criar o clima de tensão e suspense necessário pra assustar o espectador. Lazarus conseguiu isso.

Tudo está mais ou menos bem quando alguém de dentro do centro de pesquisa vaza a informação e todos os QUATRO ANOS de pesquisa e data para uma empresa cheia das dilma$$ e a equipe é deixada a ver navios. No entanto, Frank resolve que a coisa certa a se fazer é duplicar o experimento o mais rápido possível para manter tudo como prova.

Eu particularmente já não ia com a cara desse personagem. É uma birra que eu tenho com personagens ou pessoas que querem constantemente ser o macho alfa da alcateia chegando ao ponto de forçar essa característica. Deve ser por isso que eu não gosto de 90% dos personagens principais do que seja.

Enquanto toda a equipe fica na adrenalina pra duplicar a pesquisa no laboratório, o qual eles invadiram, Zoey sofre um acidente e morre. E caso alguém saia gritando que é spoiler, não é. A tradução do filme é RENASCIDA do Inferno e o trailer mostra a personagem morrendo também.

A morte de zoey foi uma coisa que eu gostei, porque não foi aquela sequencia de eventos paranormais que ocasionam no óbito, como é no caso de todos os porrilhões de Premonição. Foi pura ciência que a matou. Um dos passos para reviver o cadáver é o corpo receber uma carga elétrica altíssima, além de ter o soro injetado diretamente no cérebro através da têmpora.

Como a equipe estava apressada para duplicar os resultados, Zoey foi descuidada. Ela não só esqueceu de usar luvas de borracha para isolar a corrente elétrica na hora de acionar a descarga elétrica no cadáver, como também não retirou o anel de noivado que usava na mão [Lembra do Benjamin Franklin da pipa na tempestade e da chave no fio de metal? Foi tipo isso]. Não deu outra, ela morreu na hora por causa da corrente elétrica altíssima.

The Lazarus Effect

 

De novo, não foi capeta, não foi tinhoso, não foi espírito vingativo. Foi ciência.

O Frank otário fica desesperado e resolve ter a brilhante ideia de injetar o soro em Zoey. É compreensível, ele acabou de ver a noiva morrer eletrocutada na frente dele e ele tem em mãos uma substância que é capaz de trazer os mortos de volta. É claro que, devastado pelo que aconteceu e cego pelo novo poder de deus, ele vai ignorar completamente as leis naturais e ser deus. E é aí que tudo dá errado de vez.

Queria só fazer um comentário, eu já gostava da Olivia Wilde desde a época de House, mas MEU AMIGO ESSA MULHER ENCAPETADA É AMOR. E é aí que a briga entre Ciência versus sobrenatural fica mais evidente. Enquanto Zoey apresenta “poderes” como telepatia, telecinese, etc, o restante da equipe tenta justificar com fatos científicos sobre o cérebro humano.

No entanto, quando o personagem de Evan Peters diz: “Ela está fazendo coisas com o cérebro que levariam milhões de anos para os humanos conseguirem. É uma evolução de milhões de anos em minutos”, e o personagem de Donald Glover diz: “Nós usamos só 10% do cérebro por vez, ela está usando 100% o tempo inteiro”, você entende que a ciência jogou a toalha. E que a porra acabou de ficar seríssima.

Não vou contar o final do filme, como vocês bem sabem, no entanto, preciso dizer que o desfecho de The Lazarus Effect me pareceu apropriado. É um a abordagem diferente a briga eterna do inexplicável contra a ciência com uma boa parcela de psique humana e sentimentos primitivos. Por um momento achei que teria mais um clichê nas mãos, mas esse filme me surpreendeu desviando, na maioria das vezes, de formatos batidos para esse subgênero do terror.

É claro que nem tudo é perfeito e algumas partes do filme me desapontaram, no entanto a mensagem é bem clara: Humanos não podem ser deus, não importa o quanto tentem. Toda ação tem uma reação igualmente proporcional. E em The Lazarus Effect a Ira de Deus não é bonita de se ver.

 

Título: The Lazarus Effect/ Renascida do Inferno (EUA, 2015)

Diretor: David Gelb

Elenco: Olivia Wilde, Evan Peters, Donald Glove, Mark Duplass e Sarah Bolger.

Duração: 83 minutos

Nota: 8

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Gostei do review. Instigou a assistir o filme.
    Já estava com ele na minha watching list, mas agora virou must see.

    Beatriz, já ouviu falar do filme Digging Up the Marrow?!
    Gostaria de ver sua opinião sobre ele.
    Thks e parabéns pela ótima coluna!

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