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Em um futuro não muito distante, as tensões geradas pelas desigualdades econômicas e sociais alcançaram níveis extremos, com poucas pessoas tendo muito e literalmente milhares tendo que sobreviver com o mínimo ou totalmente abandonadas.  Com o Estado perdendo totalmente o controle da situação, grandes muralhas foram erguidas para proteger quem pudesse pagar por elas, enquanto pobres e criminosos eram condenados ao exílio nas “Zonas de Guerra,” como passaram a ser conhecidas as regiões além muros.

No Rio de Janeiro, a enorme muralha batizada como “A Fronteira” cerca os bairros da Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes. Enquanto quem vive dentro dela pode contar com a segurança privada das megacorporações, quem mora no resto da cidade tenta sobreviver em meio à falta de serviços básicos e guerras de gangues.

Carlos Freitas é um ex-policial corporativo que trocou a confortável vida dentro da fronteira por um sub emprego como detetive particular na Zona de Guerra, mas estranhamente, ainda possui passe livre pela muralha. Quando uma prostituta de luxo é assassinada e uma colega o contrata para solucionar o caso, Freitas se vê obrigado a interromper seu auto-exílio. E as consequências desta investigação podem abalar não somente as suas convicções, mas de toda a cidade.

“Rio: Zona de Guerra” é um romance que mistura cyberpunk e histórias de detetive noir. Escrito por Leo Lopes e publicado pela Editora Avec, procura trazer o melhor destes dois mundos para uma história que aborda o quão longe a questão de desigualdade pode ir em nosso país.

Leo Lopes demonstra que pesquisou muito sobre os dois estilos literários para escrever sua obra, e aí está seu maior trunfo e também seu defeito. Se a histórias faz jus aos seu similares futuristas e policiais, ao mesmo tempo não traz nada de novo aos entusiastas do gênero. A única ideia realmente nova é a evolução dos pen-drives para Bancos Pessoais de Memória (BMPs), que se ativam através de impressões digitais de seus donos se conectam em terminais diversos, podendo ser usados para acessar a internet, abrir portas, fazer compras e até mesmo dirigir carros.

O grande mote da obra, a desigualdade social, é tema comum na literatura cyberpunk, assim como a privatização de segurança.  O interessante aqui é ver a evolução desta política no Brasil, onde verdadeiras cidades-condomínio separam os que tem mais do que tem menos. Aos pobres é permitido atravessar a Fronteira somente a trabalho, sendo obrigados a voltar para a Zona de Guerra à noite.

A tecnologia demonstrada no decorrer do livro, com exceção do BPMs, não traz grandes novidades: armas de fogo com diferentes ajustes de calibre, carros que flutuam magneticamente e, exatamente por isso, explicações a todo momento sobre como cada uma funciona acabam quebrando um pouco o ritmo da narrativa.

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Mas o grande problema do livro está em seus personagens. Como cada um deles é um clichê consagrado dentro do gênero noir, já ficamos sabendo o que esperar de cada um. Carlos Freitas é o típico detetive que já foi policial e mantém seus contatos, agindo agora como o bonzinho que se finge de durão em meio aos criminosos. A prostituta que o contrata é a mulher-fatal de sempre: linda, ruiva, esperta e que nunca nos deixa saber se o seu interesse é genuíno ou fingido. Existe ainda o policial que não deixou a corporação, subiu, mas é ressentido com isso, o contato que sabe de tudo o que rola no submundo, a ex-mulher com quem Freitas tem uma relação de amor e ódio… Todos ali cumprindo o papel que se espera deles. Fiquei esperando o tempo todo ser surpreendido e isto não ocorreu

Eu poderia encerrar este texto afirmando categoricamente que a história peca ao respeitar demais os cânones dos gêneros que quis homenagear, e por isso, deixou de surpreender. Poderia afirmar que o autor “abrasileirou o cenário”, mas não fez o mesmo com os personagens, mas não o farei.

Acontece que meu pai encontrou este livro largado no meu quarto e resolveu lê-lo. E não só o fez rapidamente, como adorou a obra e ainda a recomendou ao meu irmão, que também vai ler. Daí que tiro a seguinte conclusão: se você é um leitor voraz de literatura cyberpunk ou noir, pode achar que esta obra bem construída e escrita, mas sentir falta de “algo mais”. Agora, se este é um de seus primeiros livros em qualquer um dos gêneros, leia e divirta-se!

rio-zona-de-guerraAutor: Leo Lopes
ISBN: 978-85-67901-00-8
Editora: AVEC Editora
Formato: 14×21 cm
Quantidade de páginas: 208
Ilustração de capa: Diego Cunha
Projeto gráfico e diagramação: Roberto Hasselmann
Revisão: Miriam Machado
Preço Sugerido: R$ 34,00

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É um cara que já trabalhou (e trabalha) em muitas coisas e nas poucas horas que tem dá uma de escritor/poeta/jornalista/roteirista. Quando tem vontade atualiza seu blog, o “O Protagonista 2.0”. Foi colaborador do blog Cultura Nerd e atualmente escreve para os blogs sites Novelas Teen, Contraversão e Revista Entremundos. Pode ser encontrado a noite cambaleando bêbado pelas ruas de São Paulo ou falando seu nome três vezes em frente a espelhos em botecos suspeitos da Augusta e da Mooca. Uma mistura de Spider Jerusalem e John Constantine, ou não.

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1 COMENTÁRIO

  1. Eu li esse livro e também fiquei com essa impressão de ser mais do mesmo, pouco original e até meio corrido. Poxa, aquele final foi terrível. Sem nenhuma conexão com o resto da história.

    Um desse mesmo gênero cyberpunk e nacional que eu gostei bastante foi o Rio 2054.

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