Não me lembro bem de muitas histórias do gênero steampunk que eu tenha consumido ao longo da vida. Sempre fui mais adepto da ficção científica e da fantasia medieval e a maioria das histórias que eu leio, vejo ou jogo são desses dois gêneros, intercalando de vez em quando com um ou outro gênero diferente de ficção.

Por isso achei bem bacana quando a AVEC Editora nos enviou um exemplar de uma de suas mais novas publicações: Le Chevalier e a Exposição Universal, de autoria do escritor brasileiro Andre Zanki Cordenonsi e cujo lançamento foi noticiado por nós uns meses atrás. De vez em quando é bom ler algo diferente do que a gente tá acostumado, então lá fui eu mergulhar em mais esta aventura.


lechevalier

Em uma Paris fictícia de 1867, onde máquinas a vapor são corriqueiras e criaturas mecânicas conhecidas como Drozdes servem como mascotes para a grande maioria da população, um evento de grandes proporções está prestes a ter início. Para assegurar a soberania e influência da França – que estava se tornando uma grande potência Europeia graças às realizações do professeur Verne, criador da tecnologia a vapor – o imperador Napoleão III resolve organizar a famosa Exposição Universal, onde pensadores e estudiosos de diversos países do mundo se reúnem e exibem suas mais recentes e influentes invenções tecnológicas.

Mas a tão importante exposição está prestes a sofrer um grave atentado, que pode resultar em um grande baque na influência política, econômica e diplomática da França. E tudo começa com um misterioso assassinato poucos dias antes do início do evento, em meio a uma guerra na qual a Rússia havia acabado de derrotar a Áustria e tinha a França como seu próximo alvo.

Para tentar resolver esse grande conflito, o Bureau de Paris convoca um de seus mais talentosos espiões: um indivíduo misterioso cujo nome verdadeiro é desconhecido, atendendo tão somente pela alcunha de Le Chevalier (“O Cavaleiro” em francês). Ao lado de seu fiel escudeiro, o soldado tunisiano que sabe-se lá porque gosta de atender pelo apelido de Persa, Le Chevalier inicia sua investigação, que os leva a uma aventura cheia de tiroteios, perseguições e lutas impressionantes contra gigantescas criaturas mecânicas!

Le Chevalier e a Exposição Universal é um livro de leitura rápida e descompromissada: suas 192 páginas trazem uma aventura bem empolgante com boas doses de mistério e ação. Não traz personagens tão bem desenvolvidos quantos os de um Sherlock Holmes da vida, mas creio que isso se deva à quantidade de páginas que eu achei pouca para um maior aprofundamento e cada um deles cumpre bem o seu papel na narrativa.

Corvo.00O Cavaleiro que dá nome à obra é o típico espião de histórias desse tipo: misterioso, sagaz, metódico, centrado em seus objetivos, demonstrando até mesmo um pouco de pedantismo em seu comportamento, mas sempre se esforçando ao máximo para cumprir sua missão, trabalhando com diligência e um forte senso de justiça. Persa é seu grande companheiro nas missões: um legionário que trabalha no Bureau de Paris como assistente de Le Chevalier. De início eu não curti muito a forma como o Persa foi representado – o clássico estereótipo do gordo glutão, inconveniente e desastrado que geralmente só serve de alívio cômico – mas ao longo da narrativa o legionário mostra seu valor, lutando com bravura, salvando Le Chevalier de várias enrascadas e nunca levando desaforo pra casa… então no fim das contas eu acabei gostando desse personagem.

Ao longo da trama outros interessantes personagens surgem, como a espiã russa Alexandra, o implacável assassino conhecido como O Acrobata e o temível Conde Dempewolf, que é o principal antagonista de Le Chevalier. Mas a personagem que mais me fascinou foi a garotinha mendiga Juliette: dona de uma inteligência, furtividade e de uma “streetwise” notáveis, ela ajuda Le Chevalier e Persa em uma infinidade de situações de perigo, ainda que a contragosto do espião francês.

Ao meu ver, Le Chevalier poderia ser uma história ainda mais fascinante se tivesse sido escrita em mais páginas, permitindo um aprofundamento maior da personalidade de cada um dos personagens e um detalhamento ainda maior do universo na qual a trama se passa. Mesmo assim, A. Z. Cordenonsi fez um excelente trabalho ao longo dos 18 capítulos de sua obra, mostrando com a maior riqueza de detalhes possível a Cidade Luz deste fictício século XIX, com sua sociedade aristocrática, seus problemas de desigualdade social decorrentes do progresso tecnológico e suas engenhocas movidas a vapor e a mecanismos de relógio.

Tudo isso coroado com um mapa bem bacana disponibilizado nas primeiras páginas do livro, que por sinal tem uma arte de capa e acabamento geral bem bonitos. Mas o mesmo não se pode dizer da revisão geral do texto: em certos trechos da obra encontrei alguns erros de digitação, com palavras juntas sem o devido espaço e uma ou outra letra faltando. Uma pequena falta de cuidado que eu não havia encontrado antes em outras publicações da editora e que acabou me incomodando um pouco aqui, mas nada que comprometa demais a leitura.

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Le Chevalier e a Exposição Universal é o livro perfeito para quem deseja uma aventura rápida, sem muito rebuscamento ou enrolação. É uma história mais direta e objetiva, com muitos elementos dos contos de espionagem que tanto gostamos e que nos apresenta um novo universo que merece crescer e se expandir.

07fd3285-613c-4964-8301-aea2eb32cb31Le Chevalier e a Exposição Universal

Autor: A. Z. Cordenonsi

Páginas: 192

Editora: AVEC

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