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Em várias conversas com amigos eu costumo dizer que é sempre uma boa ideia sairmos de nossa zona de conforto e conhecermos experiências novas em nossas vidas: comidas que nunca experimentamos, lugares para onde nunca viajamos, pessoas que não conhecemos e que podem se revelar novas e importantes amizades…

No entretenimento isso também é verdadeiro: quando David Bowie voltou pra casa eu aproveitei pra ouvir sua obra no Spotify e descobri músicas excelentes! Nos quadrinhos eu, que sempre fui viciado no universo Marvel, estou com uma vontade cada vez maior de ler os grandes clássicos da Distinta Concorrência (e de outras editoras, porque não?). Games? Bastou tirar os YouTubers retardados da equação e Minecraft se tornou uma experiência bem bacana pra mim. Parece que a AVEC Editora andou de olho nessa minha vibe de descobrir coisas novas e resolveu colaborar nisso, enviando para o QG da Mob Ground um livro de um gênero que eu nunca tive interesse de ler antes.

Então, simbora ler um romance pela primeira vez na minha vida. Mal não faz, não é mesmo?

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Doce Vampira é de autoria da escritora brasileira Ju Lund. Pra quem não se lembra, esta autora já nos agraciou anteriormente com seu excelente conto Anunciação, parte do livro Coleção Sobrenatural Vol. 01: Vampiros, sobre o qual já falamos aqui na Mob.

Neste novo livro somos apresentados a um mundo bastante parecido com o nosso, mas com a diferença de que os vampiros não só são reais como passaram a conviver pacificamente com os mortais, dividindo o mesmo ambiente, gozando de direitos, cumprindo deveres e estando plenamente integrados à nossa sociedade. Nesse contexto conhecemos Eduarda (ou Duda para os íntimos): uma jovem de 17 anos com todos os dilemas, preocupações, anseios e esperanças de qualquer pessoa de sua idade. Sua vida dá uma guinada de 180 graus no momento em que ela se descobre apaixonada por uma vampira chamada Esther, que estuda na mesma escola em que ela.

Devo confessar a vocês que os primeiros momentos do livro não me despertaram muito interesse. Até demorei um pouco para atravessar os primeiros capítulos do livro: culpa do preconceito que alimentei desde que Crepúsculo e similares tiveram seus momentos de fama no mercado. Até que eu me lembrei da frase escrita na capa: Um romance queer chic. Ao descobrir o significado do termo, percebi que haveria possibilidades de temas abordados os quais nunca tive contato e que poderiam expandir meus horizontes e minha experiência de vida de alguma forma. E foi aí que Doce Vampira prendeu minha atenção de vez!

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Ao longo de suas 212 páginas (li a versão digital dessa obra), somos apresentados aos dilemas e dificuldades que se manifestam a partir do momento em que Esther e Duda começam a se relacionar: como se não bastasse as duas serem mulheres (e sofrerem todo o preconceito contra os LGBTs, que infelizmente existe desde sempre, simplesmente por se amarem), ainda há o fato de Esther ser uma vampira: apesar das criaturas sobrenaturais conviverem com os humanos nesse mundo fictício, parte da população – inclusive a família de Duda – não aprova relacionamentos entre humanos e vampiros, o que só piora as coisas para as duas protagonistas.

Algumas coisas que eu também achei bastante interessantes e que merecem ser destacadas em Doce Vampira são a forma como essa sociedade humana-vampira, os costumes e tradições vampíricos e a influência de tudo isso no relacionamento entre as duas são apresentados: a autora toma o cuidado de explicar esses detalhes da estória na forma de diálogos entre Duda e os outros personagens – que se desenrolam de forma orgânica e convincente – ou em momentos em que Duda fica imersa em seus próprios pensamentos. Não há momentos chatos em que o autor interrompe a narrativa pra explicar a rebimboca da parafuseta: toda e qualquer explanação necessária para que o leitor se sinta imerso na trama flui naturalmente ao longo da própria trama.

Como se não bastasse, o final do livro acabou me surpreendendo de forma bastante positiva. Como disse antes, eu nunca li livros de romance até agora, então não faço ideia de como histórias desse tipo geralmente acabam, mas ainda assim imagino que o desfecho desse livro seja bem diferente do que se vê por aí!

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Enfim, sair da zona de conforto mais uma vez se mostrou recompensador para mim, pois encontrei nas páginas digitais de Doce Vampira um enredo leve, interessante e que aborda temas pertinentes da nossa sociedade sem exageros e sem levantar bandeiras de forma leviana. Pra quem tem ou pra quem deseja ter uma mente mais aberta, este livro é mais do que recomendado.

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Autora: Ju Lund

Editora: AVEC

Páginas: 212 páginas (ebook) | 224 (versão física)

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Ebook: Amazon (R$ 9,90)

Versão física: Submarino | Americanas 

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Analista de Sistemas, desenvolvedor e webdesigner freelancer. Sou viciado em videogames, amo literatura, tô quase voltando a desenhar e os ensinamentos de Ben Parker formaram o meu caráter.

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