Sexta feira, dia de dar graças a Deus porque o fim de semana chegou, dia de encher a cara com os amigos ou de sair para dançar, sexta feira é o dia que a gente se permite viver um pouquinho mais e no meu caso, eu já tenho acontecimentos suficientes para um mês e para um post no “Giro”

Depois de tomar uma decisão de última hora, peguei minhas pernas e me juntei a minha melhor amiga rumo a São Paulo, na Baixa Augusta para comprar os ingressos do show da banda Vanguart e não correr o risco de não conseguir entrar por culpa da casa lotada.

Até ai tudo estava indo bem, pegamos o trem, metrô, começamos a andar e aparentemente São Pedro ou alguma outra força superior não queria nossa presença lá, resultado: Chuva de granizo. Mas como todo brasileiro dá um jeito para tudo, compramos uma poderosíssima sombrinha de 8 reais estampada de zebra e partimos com a cara e a coragem até o Studio SP.

Ao chegar na casa a segunda desgraça do dia acontece, estava fechada. Nos alojamos na garagem de hotel do lado do local e começamos a ligar para nossos amigos pedindo o telefone do Studio, só depois de ligarmos descobrimos que eles haviam fechado as portas por causa da chuva. Entramos ensopadas, fizemos amizade com o host que estava de moletom e chinelo havaiana e compramos nossos ingressos.

Na volta épica ainda contra a chuva e contra a nossa maravilhosa e super resistente sombrinha, topamos com ninguém mais e ninguém menos do que Rodrigo Santoro fazendo compras com seus amigos e dizendo “Muito massa”. Não contente com a nossa cota de famosos do dia, encontramos Marcelo Gross fazendo um lanchinho no shopping momentos antes de vermos uma menina derramando o seu “suco do exorcista” pelo chão.

Por um curto momento fizemos o funeral da nossa brava e valente sombrinha que não suportou o tranco do dia e acabou quebrando, descanse em paz sombrinha. Logo após nos infiltramos por uma passeata pela paz e barganhei o preço de um jornal pseudo revolucionário de cunho duvidoso com um aspirante a Che Guevara, me separei de minha melhor amiga por umas duas horas e fui tomar um café no Starbucks no melhor estilo hipster possível.

Com Ella Fitzgerard de fundo eu pude ter minhas reflexões da vida e sobre a incongruência dos fatos do dia, foi tudo como em “Nick e Norah, uma noite de amor e música” só que sem o amor, Michael Cera e Where’s Fluffy.

É por isso que eu amo São Paulo e é por isso que eu amo topar convites para shows na última hora e me dar mal de jeitos hilários até que a música principal da noite realmente comece. Quando o sol surgir alguém nascerá, algum casal vai terminar e alguém ficará grávida. Eu, pelo outro lado, terei dores musculares, gosto de cerveja na boca e a lembrança de uma noite que deveria ser incrível e acabou por ser melhor ainda.

Após encontrar com uma versão brasileira e bem mais gordinha do Quentin Tarantino no Mc Donnald’s e ouvir o Bolero de Havel na entrada no metrô na Avenida Paulista,eu e minhas amigas descemos a rua Augusta para o grande evento da noite, mas a casa estava fechada ainda. Então, para matar o tempo, resolvemos tomar umas cervejas bem geladas e ter um papo de mulher.

Como vocês devem saber, a bexiga feminina é menor que a masculina e cerveja fermenta bem rápido, me ausentei da mesa para ir ao banheiro quando duas meninas passaram a minha frente e entraram primeiro. Pensei: “Ótimo, agora eu vou ter que esperar essas duas meninas acabarem de se pegarem pra eu conseguir fazer xixi, mas que beleza” mas hei de morder minha língua quando descobri, após a saída do suposto casal lésbico que o banheiro não tinha tranca e que o que eu havia achado ser uma sessão de amassos na verdade tinha sido um ato de companheirismo. Uma segurava a porta para a outra.

E como eu me virei? Simples, fiz o xixi mais rápido da minha vida e sai de lá como se nada tivesse acontecido. Após mais uns minutos, o restante dos meus amigos chegou e finalmente entramos no Studio SP para o que seria o melhor show da minha existência de 19 anos de idade.

Primeiramente eu gostaria de agradecer a DJ convidada da noite, Miss Má, por simplesmente tocar todas as músicas mais legais e maravilhosas do gênero rock já existentes, segundo gostaria de agradecer Ale Youssef e Maurizio Longobardi por fazerem do Studio SP a melhor balada que eu já fui e por ter um palco baixo.

Após duas horas dançando loucamente a Kaiser Chief, Strokes, The Killers entre outras bandas, e traficar absorventes internos para duas meninas o evento da noite começou. Os meninos do Vanguart subiram ao palco e tudo teve início, mãos para o alto e batendo palmas eventualmente, pulos, as participações de Fernanda Koschtschak, cabeças obedecendo ao ritmo da música, o público (e eu) cantando loucamente, cover de Bob Dylan, o bom humor e charme de Hélio Flanders com eventuais piscadelas e piadinhas e a química da banda que era simplesmente fantástica.

Eu nunca vi uma hora passar tão rápido e finalmente consegui entender a famosa “Depressão pós show” e o gostinho de quero mais que te incomoda furiosamente e só passa quando você compra um novo ingresso e repete tudo o que você fez não se incomodando com a rouquidão e eventual surdez do dia seguinte.

Mesmo sendo bolinada por tabela por um casal que estava se pegando loucamente atrás de mim, eu consegui ficar na boca do palco, frente a frente com o Hélio e com a noite em si, na hora eu não me importei com as pessoas ao meu lado que não estavam nem com a metade de empolgação que eu, se é que estavam empolgadas. Exorcizei demônios e esqueci por uma hora e alguma coisa que eu tenho obrigações, contas a pagar, prazos para cumprir e gente babaca pra aturar. Foi incrível.

Na hora da volta eu e meus amigos cruzamos com uma briga de bêbados e realizamos a proeza de dividir um bombom para 5, dormi no carro sem perceber e nada disso seria possível se o ser humano não fosse capaz de ser impulsivo, e nenhum desses fatos seria lembrado se eu não tivesse levado comigo meu bloco de notas e pegasse uma caneta com a minha melhor amiga, agradecimentos a Giovanna Rezende, Cláudia Tambasco, Ana Brito e Ricardo.

Com certeza esse show foi o melhor que eu já fui em anos (Vang Beats aqui vou eu!), e como infelizmente eu não pude manter meu ingresso, afanei a setlist do palco na cara de pau e deixo aqui para vocês a conclusão da minha epopéia e a prova de que tudo isso que eu reportei realmente aconteceu:

Na foto: Sombrinha guerreira, Setlist manchada de cerveja e um flyer que ganhei no bar do banheiro sem tranca.
Na foto: Sombrinha guerreira, Setlist manchada de cerveja e um flyer que ganhei no bar do banheiro sem tranca.

P.s. Juro que essa edição do “Giro” era para ser lotada de fotos do show, mas como o Studio SP não atualiza a galeria e não deu sinal de vida a respeito do meu email pedindo pelas fotos para essa matéria, as únicas fotos do dia do show são as acima (Sim, meu celular como câmera fotográfica é ótimo entrando na internet e a foto da sombrinha foi só possível depois de usar a câmera do meu irmão.). As demais foram tiradas em 2010.

Comente pelo Facebook

Jornalista. Fã de gore, terror e todas as bizarrices da internet. O pessoal daqui diz que eu sou um Shinigami.

ARTIGOS SEMELHANTES

SEM COMENTÁRIOS

Deixe uma resposta